O jogo das redes

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Escultura em bronze de Willy Valenzuela
Escultura em bronze de Willy Valenzuela

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Publicada em 15/10/2017 às 00:17:00

A internet, através das redes sociais, se transformou num vigoroso instrumento político que pode influenciar de forma decisiva numa eleição. Vídeos distribuídos por adversários, através de grupos de Whatsapp e outras redes, se multiplicam rapidamente e, muitas vezes, conseguem atingir seus objetivos, principalmente quando se trata de denegrir o concorrente. Tem um efeito bem mais forte do que os antigos panfletos.

Nas últimas eleições, os principais candidatos já montaram equipes para a preparação de mídias e acompanhamento das redes sociais e, muitos, montam grupos para se defender e atacar os adversários. A disputa para a Prefeitura de Aracaju, em 2016, foi dominada por boatos e mentiras distribuídas pela internet.

Enquanto o candidato Edvaldo Nogueira (PCdoB), o vitorioso, usava as redes para transmitir ao vivo as suas atividades de campanha, o candidato Valadares Filho (PSB) criou um vigoroso núcleo com o objetivo de atacar seu adversário. Criou personagens que eram distribuídos por todas as redes sempre atacando o concorrente e seus aliados. Edvaldo só percebeu o estrago na reta final da campanha, quando quase perdeu a eleição.

No feriado de Nossa Senhora de Aparecida, os ataques através das redes sociais voltaram com força. Os alvos de agora são o governador Jackson Barreto (PMDB) e o vice Belivaldo Chagas, que deve ser candidato a governador nas próximas eleições. Os filmetes seguem o mesmo estilo dos usados durante a campanha para a PMA.

Desta vez, no entanto, Jackson decidiu processar e denunciar à Polícia Civil. Duas queixas-crimes foram movidas pelos advogados do governador junto à Delegacia de Defraudações e Crimes Cibernéticos (DDCC), relatando a prática de crimes de injúria, calúnia e difamação. Eles também conseguiram, junto às operadoras de telefonia, dados e registros de pessoas que, além de terem produzido os vídeos, os repassaram na internet, principalmente nos grupos de Whatsapp.

O JORNAL DO DIA teve acesso a um destes vídeos contrários a Belivaldo, postado poucos dias após a confirmação de que ele será o pré-candidato do partido. Ao som da música ‘El Arbi’, muito conhecida no Brasil, a gravação chama o vice-governador de “marajá de Sergipe” e o mostra vestido como um sultão árabe. A todo tempo, o vídeo acusa o pré-candidato de ganhar R$ 70 mil mensais referentes a duas aposentadorias, uma pelo cargo de defensor público, no qual ingressou em 1986, e outra pelos mandatos de deputado estadual, exercidos entre 1990 e 2006.

O vídeo faz ainda outros ataques a Jackson, retratado em tom de piada pelos autores como uma odalisca que dança após sair de uma lâmpada mágica. “Ele [Belivaldo] será apoiado pelo gênio da lâmpada JB, que esfregou a lâmpada e sumiu com a delegacia que investiga corruptos”, diz a gravação, referindo-se à decisão recente da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de substituir a direção do Departamento de Crimes Contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), da Polícia Civil. Uma foto da unidade aparece ainda na gravação, encoberta por uma fumaça rosa.

Pelo menos duas pessoas foram identificadas como responsáveis pela confecção das gravações e serão convocadas para comparecer à delegacia esta semana, dentro de um inquérito policial já instaurado para investigar o caso. Em texto divulgado também nas redes sociais, durante o feriado, o governo atribuiu a responsabilidade dos vídeos a “pessoas ligadas a um certo setor da oposição” e garantiu que eles já foram identificados. “O governador lamenta que essas pessoas da oposição, que todos sabem quem são, escondam-se no anonimato e utilizem-se de terceiros para macular sua imagem”, afirma a nota.

A resposta do governo conclui que as investigações da Polícia Civil “irão responsabilizar judicialmente os autores da produção dos vídeos e também aqueles que os espalharam nas redes sociais”, assim que forem identificados.

A eleição só vai ocorrer em outubro do próximo ano, mas as baixarias já estão em andamento, antes mesmo da definição dos concorrentes. E a tendência é piorar a partir de agora, porque não há ninguém que consiga controlar boatos e mentiras espalhados através das redes sociais. (Com Gabriel Damásio)

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A eleição só vai ocorrer em outubro do próximo ano, mas as baixarias já estão em andamento, antes mesmo da definição dos concorrentes. E a tendência é piorar a partir de agora, porque não há ninguém que consiga controlar boatos e mentiras espalhados através das redes sociais

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Mudanças nas eleições

 

Foram meses de debates que resultaram em duas proposições aprovadas pelo Senado na primeira semana de outubro. Entre os senadores, há até quem se recuse a classificá-las de reforma política. Mas o fato é que a Emenda Constitucional 97 e a Lei 13.488/17 vão promover uma série de alterações nas regras eleitorais, que vão impactar diretamente a vida dos cidadãos brasileiros a partir das próximas eleições, em 2018.

Para começar, em breve os eleitores vão se deparar com menos siglas, pois a vida dos partidos pequenos vai ficar mais difícil. De acordo com a Emenda 97, as legendas só terão direito ao dinheiro do Fundo Partidário e ao tempo de rádio e TV se tiverem um desempenho mínimo com exigências gradativas até 2030.

O efeito Tiririca também está com os dias contados. Os puxadores de voto - geralmente gente famosa que acaba levando para o Legislativo outros candidatos com votação pífia - vão sofrer um duro golpe a partir de 2020, quando ficará proibida a coligação na disputa das vagas para deputados (federais, estaduais e distritais) e vereadores. Para 2018, elas ainda serão permitidas. Em 2014, sozinho o deputado federal Tiririca (PR-SP) levou com ele para a Câmara de Deputados mais cinco candidatos, graças a 1 milhão de votos por ele recebidos.

“Essa emenda é uma reivindicação nacional. Medida em busca de mais ética, transparência, justiça e equilíbrio na representação política. Tivemos aqui uma votação unânime, coisa rara aqui. Em segundo turno, a PEC foi aprovada por 58 votos a favor, sem votos contrários ou abstenção”, destacou o presidente do Senado, Eunício Oliveira, ao promulgar a norma.

Ainda não será desta vez que o Brasil terá candidatos independentes, como ocorre em outras democracias do mundo. Isso porque a Lei 13.488 continua vedando as chamadas candidaturas avulsas. A norma também mantém a proibição de dinheiro vindo de empresas. Doações, só de pessoa física, assim mesmo com limites. O que está valendo é o limite de no máximo 10% da renda bruta declarada pela pessoa física do doador no ano anterior à eleição.

 Já a propaganda eleitoral pelo rádio e pela TV ficará menor em quantidade de tempo e de dias: apenas 35. No passado, já chegou a 90. Terão participação garantida nos debates no rádio e na TV os candidatos de partidos que tenham um mínimo de cinco representantes no Congresso.

Outra norma importante – com impacto nas eleições – aprovada pelo Congresso em outubro é a Lei 12.487/17, que criou o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), que deve somar R$ 1,7 bi para a eleição de 2018. O dinheiro virá de emendas parlamentares de bancada e da compensação fiscal que era dada às emissoras de rádio e TV pela propaganda partidária em ano não eleitoral. Com isso, a propaganda dos partidos no ano que não tem eleição fica extinta. (Com Agência Senado)

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Os votos dos senadores

 

Nesta terça-feira, o Brasil vai estar de olho no Senado Federal. É quando será realizada a sessão para decidir sobre as medidas cautelares e o afastamento impostos ao senador Aécio Neves (PSDB-MG). Senadores governistas estão articulando para que a votação seja secreta, com o objetivo de esconder do eleitorado quem votou a favor.

O senador Valadares (PSB) já avisou que é contra a sessão secreta e adiantou que o seu voto será pela manutenção das medidas impostas pelo STF. Situação delicada é a do senador Eduardo Amorim, que recentemente ingressou no PSDB com a proteção de Aécio. No início do mês, Amorim votou a favor da proposta de adiamento de decisão sobre Aécio, contrariando a orientação do comando do partido.

A senadora Maria do Carmo (DEM) deve seguir o governo e votar a favor de Aécio.

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Mobilização dos prefeitos

 

Reunidos nesta sexta-feira em São Cristóvão, prefeitos de municípios do interior decidiram que vão pleitear junto à bancada federal uma emenda impositiva – o dinheiro tem que ser liberado – ao Orçamento da União, para obras de infraestrutura em seus municípios. Querem acabar com a tradição de uma emenda sempre para Aracaju.

Na segunda-feira, vão se reunir com o novo coordenador da bancada, deputado Jony Marcos (PRB) e na terça estarão em Brasília para reunião com todos os parlamentares sergipanos.

O governador Jackson Barreto (PMDB) também quer emplacar uma emenda de bancada impositiva, para custeio da área de saúde. Quer R$ 133 milhões. Os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB) e Eduardo Amorim (PSDB) têm como sugestão de emenda impositiva para Sergipe recursos para o Canal Xingó, que só agora está começando a sair do papel.

No ano passado o Estado perdeu uma das emendas, porque o senador Valadares conseguiu convencer a bancada a destinar R$ 100 milhões para a Codevasf, companhia que viria a ser presidida por pessoa indicada por ele. Perdeu o cargo quando votou contra Temer e Sergipe, o dinheiro.