OS NOSSOS SEPULCROS CAIADOS

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Publicada em 23/10/2017 às 00:24:00

Nós, brasileiros, estamos hoje a cumprir a ingrata tarefa de caiar sepulcros.  Presume, quem vota, que o candidato seja pelo menos obediente a algum desses princípios básicos, elementares, que constituem os chamados bons costumes,  adotados por toda sociedade que se defina como civilizada. Evoluímos muito no que diz respeito à mecânica do voto, que não enfiamos mais na urna, chamada indevassável, mas  nunca conseguiu fazer jus ao nome indevido que nela botaram . Votamos, hoje, a olhar  o rosto daquele  que escolhemos. Dizem que isso faz crescer ainda mais o privilégio democrático de votar e ser votado. Esse olhar final, cara a cara de quem vota ou recebe o voto, seria a forma ainda mais efetiva de selar um compromisso indispensável entre as duas partes. Esse sistema eletrônico transforma-se, agora, numa espécie de metáfora da farsa democrática que vivemos. O eleitor supõe que enxergando a cara colorida e maquiada do candidato, melhor o conhece, o identifica, e assim não comete equivoco, não erra o voto, por troca ou falsa avaliação. 

O criminologista, psiquiatra e antropólogo italiano Lombrosso, homem do século 19, morreu no começo do século 20, criou uma teoria que influenciou a academia e também os ideólogos racistas do nazifascismo.  Segundo Lombrosso, podem ser identificáveis na face de cada um as  propensões diversas ao crime, com os estudos de frenologia referentes à conformação do crânio e capacidade mental, chegou-se à ridícula concepção de que, tanto o facínora, como  as ¨raças inferiores ¨, poderiam  ser da mesma forma identificados.

O filósofo Sócrates  nada escreveu, mas deixou à posteridade o que pensava através de dois discípulos, um,  filósofo como ele, Platão, outro, mais famoso como general, Xenofonte. Sócrates, preocupado sobretudo com a moral, garimpava os veios um tanto ocultos do que é bom, justo, verdadeiro, e considerava a educação a mola mestra do equilíbrio social.  Teria dito Sócrates: ¨A educação é tão poderosa que é capaz até de corrigir a feiura, porque risca na face as linhas do espírito .¨

Lombrosso e Sócrates não viveram para verificar o que os cosméticos e a arte da maquiagem podem fazer hoje em rostos plastificados, frios, que ocultam o cinismo, e neles não se consegue identificar  nenhum traço de espírito  deixado pela educação que receberam.

Quem olhar a cara de Temer, Aécio, Gilmar Mendes, Dória, suspeitará do que estamos falando. 

Infelizmente, para o povo brasileiro, sobrevivem e se fortalecem cada vez mais os Sepulcros Caiados, e somos nós os eleitores que os caiamos, para que fiquem branquinhos, assépticos , o mal cheiro contido, tudo sob o abrigo da cal protetora que sobre eles ingênua ou convenientemente derramamos: o nosso voto. Conferimos a legitimidade que eles usam para se tornarem meliantes inalcançáveis pela Justiça, impunes.

Os Sepulcros Caiados são antigos remanescentes longevos da rançosa Confraria do Peculato, que sempre invadiu a política. Acontece que hoje, ¨tá tudo dominado¨,  eles ocuparam as instituições, formaram o Primeiro Comando do Planalto, a organização criminosa que, segundo o deputado mineiro major Olímpio, é agora muito mais perigosa do que o PCC - Primeiro Comando da Capital- criado  por bandidos que estavam presos no Carandirú. Já o PCP organizou-se e se mantém forte e inatingível, transitando pelos poderes da República.

Surge a constrangedora constatação de que apenas pela via política não se conseguirá mais deter a marcha avassaladora do Primeiro Comando do Planalto. Ninguém de bom senso imaginaria uma saída pela força, que traria incalculáveis consequências.

 O Supremo poderia ter sido o remédio próprio para a contenção, embora não ortodoxa, desse  carcinoma moral, antes que ele se transforme  em metastese , alcançando todo o vulnerável corpo da Nação.   Mas o próprio STF estaria precisando  de uma forte e rigorosa quimioterapia.

Temer terá de ser levado à renuncia.  Isso poderia acontecer deforma não traumática, sem alterar o rito constitucional.

Bastaria os chefes militares, numa audiência privada,  informarem o presidente que ele perdera as condições morais para continuar à frente da Chefia da Nação, e  exercer o supremo comando das forças armadas. Por isso,deveria renunciar.

O presidente da Câmara assumiria o governo, se cumpriria o que está escrito na Carta, s Sepulcros Caiados iniciariam a   retirada, e 95 %  dos brasileiros bateriam palmas.

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UM DIA DISSERAM BASTA

 

Agora, acontece a desmoralização de tudo. A falta de respeito à Nação, às leis, chegou ao limite. Temer, acusado de chefiar uma organização criminosa, distribui dinheiro público, como se fosse farinha, fazendo negócios para segurar-se no Poder, usado como instrumento  pessoal, à sua disposição,  para salvar-se de um julgamento, e provavelmente da cadeia, onde já estão seus ex- ministros e assessores. Isso, chamava-se obstrução de justiça.

Jucá, sempre ele, acusado, investigado em mais de dez inquéritos no STF, assumiu a chefia das tenebrosas transações. Oito ministros foram exonerados para reassumirem seus mandatos na Câmara e votarem a favor, além de apresentarem emendas de milhões de reais. Interrompe-se o fluxo normal da máquina administrativa, já tão emperrada e ineficiente, com essa rotatividade de ministros. Esqueceram-se completamente do Brasil, dos brasileiros ,tratam exclusivamente da própria salvação. Fazem da máquina pública um brinquedinho doméstico.

 Nos idos de março de 1964, um jornal respeitável, o Correio da Manhã publicou um editorial de primeira página com titulo em letras enormes: BASTA.

Dois dias depois, caíamos numa ditadura. Diziam que o governo estava contaminado por subversivos e corruptos. Sobre subversão a coisa tornou-se polemica, já sobre corrupção, constatou-se, depois de tantos inquéritos, que o nível era baixo, e o presidente deposto João Goulart nela não tinha envolvimento. Não era um Sepulcro Caiado, ou seja, um ladrão, disfarçando-se como político, e amparando-se no cargo que exerce.

Se Jango, Juscelino e tantos políticos daquele tempo houvessem cometido um centésimo que fosse do que hoje faz a ¨Organização Criminosa no Poder¨, por certo teriam sido fuzilados.

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DO BAILARINO NEGRO AO

PERDÃO QUE NÃO PEDIMOS

 

Na sessão de segunda- feira (16), o presidente da Academia Sergipana de Letras, Jose Anderson Nascimento convidou o bailarino negro Senzala para falar sobre suas experiências pessoais, em relação ao racismo e outros preconceitos. Senzala, idoso, não mais dança, mas coreografa espetáculos, permanece ligado ao balé, depois de ter frequentado palcos de famosos teatros internacionais.   A sala de reuniões da Academia, estava naquela tarde repleta, com a presença de acadêmicos e integrantes do MAC, Movimento Cultural Antônio Garcia Filho, um apêndice da Academia , quase um pré-vestibular de ingresso  àquela ¨imortalidade¨ a prazo fixo.

Senzala divagou em tantas coisas, mas, fez uma afirmação que sintetizou a vastidão do preconceito racial. Disse Senzala aos ouvintes brancos: ¨Querem comprovar o tamanho do preconceito, pintem-se de preto e passem o dia percorrendo a cidade, nas ruas, nos bares, nos restaurantes, nos Shoppings, nos órgãos públicos ¨.

Num país assim, onde remanesce em tantos setores aquele inconformismo, agora de cento e vinte nove anos com a Lei Áurea, compreende-se muito bem o que quis dizer o bailarino Senzala.

Este cambaleante governo de Temer, tão retrógrado, tão insensível, tão desregradamente corrupto, tão criminosamente lesa-pátria, adere agora aos que têm saudade do regime escravocrata, e a eles presenteia uma portaria ministerial que extingue praticamente toda espécie de obstáculo à desumanidade do trabalho escravo. Perante o mundo civilizado passamos um recibo de incivilidade. O trabalho escravo existe, sem duvidas, em fazendas geralmente de grileiros, pelo interior de tantos estados, mais intensamente no Pará, Maranhão, Mato Grosso, mas, às vezes, está bem perto de nós, dentro das cidades.  Em São Paulo a fiscalização detectou trabalho escravo a que estão submetidos imigrantes haitianos, bolivianos, coreanos, angolanos e até nordestinos, daqui mesmo. Houve flagrantes por causa da fiscalização ativa. Sem ela, a prática comum de recrutar trabalhadores, dar comida podre em vez de salário, e manter a todos confinados em galpões insalubres, nojentos, na condição de escravos, vai se ampliar e tornar-se até um habito entendido como normal. Mantida a Portaria, voltaremos praticamente à escravatura, que já foi defendida indiretamente, pasmem, por um Ministro da nossa Suprema Corte, o inefável Gilmar Mendes, também pelo Ministro da Agricultura Blairo Maggi, grande produtor de soja, que disse estar defendendo o agronegócio. Assim, estaria jogando os empresários que tocam o mais dinâmico ramo da economia brasileira na vala comum daqueles que recorrem ao trabalho escravo, o que é uma injustiça. A CNI alinhou-se também ao retrocesso, quando poderia ter apresentado uma sugestão ao diálogo, à análise por exemplo, de balizamentos para a fiscalização, porque em certos casos existem a distorções. A CNI deveria saber que se regredirmos no combate ao trabalho escravo, nossos produtos de exportação irão ser objeto de restrições no mercado internacional.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, já sinalizou o   repúdio à Portaria indigna, e o mesmo fez a Procuradora Geral da República  Raquel Dodge. A ONU também juntou-se à indignação mundial. Estamos na contramão da História e apartados do mundo civilizado.

Temer rasga a Lei Áurea, ofende a dignidade da Nação para acariciar a chamada bancada ruralista, onde,  aliás, há  alguns deputados que não votam nele e também condenam a celerada Portaria.

O tão inconformado quanto corajoso lutador pelo fim do regime escravocrata, o advogado e jornalista paulista Antônio Silva Jardim, que organizava grupos para libertarem escravos nas senzalas, disse que a lei da abolição poderia resumir-se em  dois simples artigos, assim:  ¨1º) Fica abolida a escravidão no Brasil. 2º) pedimos perdão ao mundo por não tê-lo feito há mais tempo.¨

Silva Jardim propôs ao movimento republicano uma ação armada para derrubar o imperador Pedro II.

Decepcionado, deixou o Brasil, foi viver na Europa. Subindo as vertentes do vulcão Vesúvio na Itália, despencou num abismo. O abolicionista e monarquista Jose do Patrocínio, desafeto de Silva Jardim, lhe fez um elogio, ou gozação fúnebre: ¨Bela sepultura o vulcão. O grande brasileiro morreu, e transformou-se em lava¨.

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A CIDADE, AS ÁRVORES E OS

PASSARINHOS CANTANDO

 

Na ¨pauliceia desvairada¨ de Oswald de Andrade, ou  nas selvas de pedra como são classificadas todas as megalópoles, é possível ouvir-se o som, por vezes mavioso de pássaros melodiosos, ou o rascante crocitar de corvos, o  coro enjoativo dos pardais, e  tantos outros .

Seriam os remanescentes da natureza sufocada, que se fazem porta -vozes de um apelo à consciência dos humanos, tão indiferentes a tudo o que não seja consumo,  fruição, e a necessidade de atender esses novos imperativos da pós-modernidade. Ela existiria mesmo?

As cidades podem acolher os pássaros. Dalgas Frischque dedicou a vida a eles, levou  São Paulo a iniciar essa ação de acolhimento. Classificou árvores das mais diversas dimensões  que oferecem alimento às aves, e incentivou o plantio delas, nas praças, nas ruas paulistanas, e isso aconteceu também nas varandas , nas coberturas dos prédios.

As pessoas que transitam naquela azáfama da Avenida Paulista, quase nunca observam um espaço murado próximo ao Museu de Arte Moderna, no lado oposto, junto à alameda  Santos. Chama-se Parque Siqueira Campos, o heróico tenente de todas as rebeldias dos  anos vinte.  Parece um milagre, um refúgio do verde, onde pássaros cantam e onde alguma calma substitui a desordem de fumaça e barulho da grande cidade.

Cada cidade tem aves que nelas melhor se adaptam. Em Brasília, as aratacas, um tipo de ararinha, no por do sol da capital que se mistura com o horizonte, em bandos, se recolhem ao topo das árvores, e começam uma sinfonia de trinados múltiplos, cujo ritmo se  aquieta, na melancolia do dia findando, enquanto as   sombras se ampliam.

Em Aracaju tínhamo so espetáculo das garças que voejavam sobre o manguezal da 13 de Julho. Chegavam por volta das cinco, voavam , acompanhadas quase sempre de outras aves que se juntavam ao bando, inclusive gaviões, e iam todos acomodarem-se nas copas das gaiteiras. Era um belo espetáculo vespertino que agora perdeu-se. Aracaju tem feito muito pela arborização, isso começou muito fortemente com João Alves, quando pela primeira vez prefeito, depois, sucedido por Heráclito Rolemberg, que enfrentou interesses imobiliários e manteve a área verde da Sementeira, transformada no Parque Augusto Franco. Jackson plantou muitos coqueiros, Almeida Lima plantou cajueiros e ipês.  Depois, com Deda e Edvaldo, a Sementeira aumentou a área arborizada, da mesma forma,  aconteceu pelas ruas  a onda das craibeiras, ofertadas  pelo Instituto Vida Ativa. Edvaldo gosta de plantar, e tem plantado, poderia agora ampliar as ações, dando especial destaque às plantas que atraem pássaros, tais como as aroeiras, os mamoeiros, e outras que as empresas especializadas da cidade poderão indicar, e vendê-las.

No Parque Augusto Franco vivem  canários da terra, ave quase em extinção em Sergipe. Aracaju pode e deve ser uma cidade do verde e das aves.

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O JANOTINHA DÓRIA E

A PROVA DAS FATEIRAS

 

O janota que tapa o nariz com lenço de cambraia perfumado a proteger-se do cheiro de povo, tomou gosto pela política. É inteligente, sem duvidas, mas ao seu ego só iguala-se a esperteza untuosa, que aqui pelo nordeste atribuímos aos manhosos.

O janotinha inaugurou nova forma de gestão: está administrando por controle remoto.     Coleciona insucessos, e a farsa vai sendo descoberta pelos paulistanos ludibriados.

Depois de retirar cobertor de morador de rua ,jogar água fria e demolir casa em cima de moradores drogados, achou agora uma ração de pobre, imiscuindo-se numa experiência ainda em andamento,  feita por organizações sociais que desejam reduzir o enorme desperdício de alimentos .  Assumindo ares de pastor, deu nome à farinha experimental : ¨farinata abençoada¨ . Quando ouviu objeções referentes aos hábitos alimentares das pessoas, respondeu como uma Maria Antonieta, usando calças: ¨Você acha que gente humilde, gente pobre, gente miserável, que lamentavelmente está nas ruas de São Paulo, vai ter hábito alimentar? Se ele se alimentar ele tem que dar graças a Deus¨.

O dândi imaginando-se nos salões parisienses do século 19, pensa compensar com a pose  de pavão, o vazio que tem na cabeça. É convidado especial do presidente do nosso Tribunal de Contas para vir fazer palestra em um Seminário sobre Drogas, Políticas Públicas e Direitos dos Dependentes Químicos. Mas logo ele,que usou  a tragédia humana da Cracolândia  para fazer marketing pessoal?

Dória não seria  a pessoa mais qualificada, por expertise  ou padrão moral,  para vir nos transmitir conhecimentos e exemplos . É condenado por invasão de terras públicas, e  acusado de desvio de recursos quando presidiu a EMBRATUR no governo Sarney.

Os que forem ao tal seminário irão ouvir o janotinha repetir aquela conversa sebosa dos ¨autoajudeiros¨,nos quais ainda acreditam  ingênuos  desavisados.

Em vez de protestos contra o janota que quer ser presidente, melhor seria sugerir-lhe que se submetesse, de boa vontade, ao ¨teste das fateiras¨, indispensável para quem quer mesmo sentir o ¨cheiro de povo ¨.

Na eleição de 1994, disputavam o governo Jackson  e Albano.  JB, no auge da sua popularidade e carisma, visto como o legítimo representante dos sentimentos populares, percorria as feiras livres do interior, e logo se dirigia aquele local, digamos assim, insalubre, onde as fateiras realizavam  o seu trabalho. Em grandes bacias jogavam as vísceras de bois, porcos, carneiros, e lavavam tudo com uma água que logo virava  pasta escura e pegajosa de excrementos e sangue. JB chegava, as fateiras levantavam-se e corriam para abraçá-lo.

No final da acirradíssima campanha, Albano, nascido em berço de ouro, há 12 anos pisando os tapetes da CNI, e do Senado, desacostumado com cenas assim, tão literalmente cruas, chegou à feira de Itaporanga,  perguntou onde era o local das fateiras, e para lá se dirigiu, sem ouvir conselhos dos que lhe advertiam sobre  o quadro comparável aos castigos  horrorosos do inferno de Dante.

Cercado e abraçado pelas fateiras, Albano acabou com a camisa fina de linho azulada parecendo um usado pano de chão. Não se soube se agregou votos, mas saiu com a certeza de ter sido aprovado no radical ¨teste das fateiras.¨

Será que o Janotinha toparia o desafio?

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TRES PERSONAGENS EM

 BUSCADE UM AUTOR

 

A oposição em Sergipe circunscreve-se, ou gira em torno hoje, dos senadores Valadares,  Amorim, e do deputado federal André Moura.

Os três agem em faixa própria, o trio é carente. Talvez sejam personagens em busca de um autor, de um líder que lhes  traçasse um  objetivo comum. Mas isso não existe, e pelas características de cada um, jamais acontecerá. Antes, Edivan Amorim, por bem ou por mal, a ultima alternativa parece a mais exata, haja a vista as danosas consequências, no rastro do seu tempo de comando, era, apesar de tudo,o ponto central de onde se irradiavam as iniciativas,  as articulações. Depois de tantos insucessos, mágoas, e até indignações, entre seus amigos,  Edivan preferiu dedicar-se mais  aos seus sempre problemáticos negócios do que à politica, até porque, para ele,  sem ¨fontes de abastecimento¨ fica difícil avançar.

André, hoje um forte ponto de referência no tumultuado panorama de Brasília, decidiu comportar-se mais como deputado sergipano do que integrante restrito a um grupo. E cresceu, sem dúvidas.  Desperta algumas ciumadas e vai contornando as restrições , compensando má vontade, com adesões que recebe de tantos prefeitos. E fará isso enquanto houver porta que possa abrir em Brasília.  Amorim, retirou das suas ações a marca da hostilidade pessoal, e não perdeu com isso, seguindo aliás os passos distantes da miudeza provinciana, ensaiados por André . No episódio da emenda impositiva de bancada, a posição de André, e Amorim, que dialogam,contrastou com a radicalidade do senador Valadares, que pretendia negar acesso de Jackson a qualquer recurso, e foi derrotado. No final, ambos os lados  saíram ganhando, e Valadares não perdeu de todo, porque o deputado Valadares Filho já havia engatilhado uma outra emenda que atendia aos seus interesses.

Valadares, após a derrota do seu filho em Aracaju , colocou-se como adversário inconciliável e implacável de Jackson, o mesmo que fizera com o PT, quando aderiu ao impeachment de Dilma. Rompeu com Temer, perdeu postos federais e aprofundou o fosso com o Planalto, votando contra Aécio. Tomou a atitude correta, ganhou aplausos populares, mas permanece dentro do seu grupo como um estranho no ninho. Entre os três, é o que exibe nas pesquisas o mais consistente potencial de votos, mas sabe que isso não será levado em conta. Teria então de refazer caminhos, criar alternativas, que até poderiam passar por uma reaproximação com o PT, e uma improvável reconciliação com Jackson  e Belivaldo, o que todos dizem repelir até com muita ênfase.  Valadares Filho teria mais campo desimpedido para essas delicadíssimas empreitadas.  O senador Valadares pode esperar, até quando André Moura decida candidatar-se mesmo à reeleição. Ai, seu lugar de senador na chapa de Amorim candidato ao governo, cairia do céu, se é que ele esperaria com entusiasmo um ¨presente¨ desse tipo, sem ter a certeza de que André  o ajudaria. Mas isso seria resolvido com facilidade, se ex deputado Reinaldo Moura,  pai de André, e que não morre de amores por Valadares, aceitasse compor a chapa como primeiro suplente.

Enquanto isso, passam as nuvens da política, erráticas, imprevisíveis.

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¨ESSE CARA TEM HISTÓRIA¨

 

Em Teresina, durante a solenidade em que o governador Welington Dias condecorou o governador Jackson Barreto com a medalha   do Mérito Renascença, maior honraria do Piauí,  o secretário de Comunicação  Sales Neto, que estava na plateia, enquanto era lida a biografia do homenageado, ouviu um senhor muito empertigado  ao seu lado,  virar-se para uma senhora que o acompanhava e dizer: ¨Esse cara tem uma história bonita¨.  JB nos últimos meses recebeu as maiores homenagens prestadas pelos governos de Minas, Goiás, e agora do Piauí.

Não é coisa comum um político brasileiro com mais de 50 anos desenvolvendo atividades públicas, ser assim reconhecido por ter uma folha limpa, coerência política que o mantém do mesmo lado de quando iniciou-se na política.  Fez sempre as correções que o tempo impôs, para não frustrar-se na desatualização com o mundo e o evoluir da História, sem perder a motivação básica da proximidade com o povo, da luta pela justiça social e ampliação do conceito de democracia. JB, peemedebista histórico, recusou-se a dar apoio pessoal ao impeachment de Dilma, todavia, manteve laços institucionais com o novo governo. Dialogou com adversários, aproximou-se de quem poderia ajudar a Sergipe, e nisso teve a compreensão de vários ministros, do deputado André Moura.  Ampliou as bases de apoio na Assembleia, reatou a amizade pessoal com a senadora Maria do Carmo, e tudo isso ajudou Sergipe a alcançar resultados. Na história de vida de Jackson inclui-se a fase difícil do regime autoritário ao qual fez oposição, e esteve na linha de frente da luta pela redemocratização, nas Diretas Já, na eleição de Tancredo.  Hoje, ultrapassando os 70 anos, entendendo que é preciso acabar divergências pessoais e somar forças por Sergipe,  refaz até seu estilo incisivo de fazer política,   para manter  abertas as oportunidades ao  entendimento , ao diálogo.