Sejuc nega revistas íntimas e investiga motivo de rebelião

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A Secretaria Estadual de Justiça e Defesa do Consumidor (Sejuc) anunciou ontem que abriu uma investigação para apurar os reais motivos da rebelião deflagrada no Complexo Penitenciário Advogado Antônio. Foto: Jacinto Filho (Compajaf)
A Secretaria Estadual de Justiça e Defesa do Consumidor (Sejuc) anunciou ontem que abriu uma investigação para apurar os reais motivos da rebelião deflagrada no Complexo Penitenciário Advogado Antônio. Foto: Jacinto Filho (Compajaf)

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Publicada em 24/10/2017 às 06:06:00

A Secretaria Estadual de Justiça e Defesa do Consumidor (Sejuc) anunciou ontem que abriu uma investigação para apurar os reais motivos da rebelião deflagrada no Complexo Penitenciário Advogado Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no Santa Maria (zona sul de Aracaju). Durante cerca de 19 horas, 70 detentos do Pavilhão C da unidade impediram a saída de 93 familiares que os visitavam. O levante acabou na manhã de sábado, quando a maior parte dos reféns deixou a unidade. Ao final, nenhum detento fugiu.

Instantes depois do desfecho, equipes da Polícia Civil e do Instituto de Criminalística estiveram no pavilhão e ali fizeram uma perícia detalhada para levantar informações sobre o incidente. O trabalho deve colaborar com a sindicância interna instaurada pela Corregedoria da Sejuc, mas não se descarta ainda a abertura de um inquérito policial. Procurada, a secretaria disse que vai aguardar os resultados da perícia. No entanto, fontes ouvidas pelo JORNAL DO DIA desconfiam que os presos estariam insatisfeitos com o rigor adotado no controle da entrada de objetos externos no complexo. Isto porque, nos dois dias que antecederam à rebelião, cinco mulheres foram impedidas de entrar no presídio e flagradas com drogas e telefones celulares escondidos no corpo.

Durante uma coletiva de imprensa, o secretário Cristiano Barreto negou a informação divulgada durante a rebelião pelas esposas dos presos, as quais afirmam que o incidente teria sido um protesto contra as supostas revistas íntimas feitas por agentes do Compajaf. De acordo com ele, as revistas íntimas não acontecem em nenhuma unidade prisional de Sergipe e, especificamente no Compajaf, tornaram-se impossíveis com a compra e instalação recente de um escâner corporal (body scan) que detecta automaticamente a entrada de armas, drogas e outros objetos ilícitos escondidos dentro do corpo de uma pessoa.

“Fala-se em revistas vexatórias, mas a própria OAB [Ordem dos Advogados do Brasil] esteve conosco em agosto, lá na secretaria, e vibrou bastante com a instalação destes equipamentos. Nós temos uma corregedoria forte, atuante, e temos certeza que qualquer reclamação ou informação desse tipo, o que nós não admitimos, pode ser levada à Corregedoria, e aí serão tomadas as providências”, disse Cristiano, referindo-se aos três escâneres instalados no Compajaf e nas cadeias territoriais de Estância e Areia Branca. Foi anunciado ainda que outros quatro equipamentos do tipo serão comprados e instalados até dezembro nos presídios de São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro, Nossa Senhora da Glória e Tobias Barreto.

A Sejuc esclareceu ainda que, quando uma pessoa é detectada pelo escâner com algum objeto suspeito escondido no corpo, ela não é revistada no presídio, mas sim levada para uma delegacia de polícia e encaminhada para fazer um exame de corpo delito no Instituto Médico-Legal (IML).

 

Tentativa – Acompanhado por dirigentes do Departamento Estadual do Sistema Penitenciário (Desipe), o secretário da Justiça deu detalhes sobre como a rebelião estourou e como se deu o processo de contenção dos presos e de negociação para o fim do levante. Segundo ele, tudo começou depois que alguns detentos que estavam no banho de sol se armaram com pedaços de ferro e arame para render um agente de disciplina.

“Eles arrancaram parte de um alambrado e tentaram fazer um servidor da unidade refém. Outro servidor da guarita viu e efetuou um disparo de contenção e os presos recuaram. O Grupo de Operações Penitenciárias Especiais (Gope) estava na unidade e usou os meios moderados para impedir a fuga em massa”, explicou Barreto. Após a tentativa, os rebelados impediram a saída dos familiares e atiraram pedras contra os agentes. O vice-diretor do Compajaf, Ronaldo Sandes, foi atingido no rosto e teve dois dentes quebrados, tendo que ser socorrido ao Hospital da Polícia Militar (HPM).

Reforços de agentes do Desipe, do Corpo de Bombeiros e das polícias Civil e Militar foram enviados ao Compajaf. Segundo o assessor especial da Sejuc, coronel Reinaldo Chaves, que comandou as negociações com os rebeldes, o momento mais tenso foram as duas primeiras horas, porque os detentos estavam exaltados e era impossível manter o diálogo naqueles instantes. Conforme preconiza a doutrina em situações de crise, foi cortado o fornecimento de água e alimentos para o pavilhão C, onde estavam os presos rebelados. “Se não tivéssemos feito isso, provavelmente, eles estariam rebelados até hoje”, destacou o coronel. (Gabriel Damásio)