“Armadilha” para Aedes aegypti controla nível de resistência do mosquito

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto
Armadilha testa resistência do mosquito aedes aegypti. Foto: Divulgação
Armadilha testa resistência do mosquito aedes aegypti. Foto: Divulgação

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 25/10/2017 às 06:30:00

As ações voltadas para o controle e redução do Aedes aegypti em Aracaju têm surtido efeito, principalmente se forem comparados os anos de 2016 e 2017, quando, do ano anterior para este, houve uma redução de aproximadamente 84% das notificações das doenças transmitidas pelo mosquito (dengue, zika vírus e chikungunya). Entretanto, para se chegar a esse saldo positivo, uma das ações necessárias desenvolvida pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS) é o controle químico do vetor. 

Através do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD), o Ministério da Saúde orienta aos estados e municípios como lidar no controle não somente da dengue, mas das demais doenças relacionadas ao Aedes aegypti. Assim, além de programas permanentes e campanhas educativas, por exemplo, o Ministério, juntamente com as secretarias de Saúde de todo o Brasil, atua com o controle biológico (uso de parasitas, patógenos ou predadores naturais para o controle de populações do vetor), mecânico ou ambiental (utilização de métodos que eliminam ou reduzem as áreas onde os vetores se desenvolvem como a remoção da água estagnada, a destruição de pneus velhos e latas que servem como criadouros de mosquito), e químico (uso de inseticidas para controlar as diferentes fases dos insetos).  

Atualmente, a SMS atua justamente no que ela chama de “armadilha”, método utilizado como parte essencial para dar seguimento ao controle químico. “Logicamente, todas as etapas de controle do Aedes aegypti são importantes, mas, o controle químico não serve somente para matar o mosquito, mas abrange ainda uma fase de avaliação para saber se o larvicida que está sendo utilizado, de fato, está surtindo efeito ou se o mosquito evoluiu de alguma forma e, por isso, demanda a mudança do tipo de larvicida”, explicou o supervisor geral dos agentes de endemias da SMS, Jeferson Santana.

Esse controle acontece de maneira muito simples. Em cada um dos 42 bairros de Aracaju, além dos três povoados (Areia Branca, Mosqueiro e Robalo), um supervisor de campo distribui a armadilha em cinco residências de cada localidade. “Não temos exatamente um critério para a escolha das casas onde são colocadas as armadilhas. Normalmente, locais em que não tenha crianças ou animais de estimação para evitar que a armadilha seja alterada ou mexida de alguma maneira. Nessas armadilhas, colocamos um produto que age como um feromônio para atrair as fêmeas e estimular que elas depositem os ovos na paleta que colocamos dentro do pote onde introduzimos o produto. Após oito dias, voltamos e recolhemos a amostra que será encaminhada para análise no Lacen”, detalhou o supervisor de campo, Gênisson Barbosa.

Ao todo, três amostras são coletadas e enviadas para o Laboratório Central de Saúde Pública de Sergipe (Lacen/SE). De lá, a avaliação é realizada e encaminhada diretamente para o Ministério da Saúde, que dá o diagnóstico e determina se haverá mudança de larvicida ou não. Atualmente, o Ministério trabalha com seis tipos de larvicidas, sendo que o Piriproxifen é o que é aplicado, não somente em Aracaju, mas em todo o estado.