Acusado de matar sargento tem a prisão decretada

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Publicada em 25/10/2017 às 06:39:00

Gabriel Damásio

 

O juiz plantonista Claudio Bahia Felicissimo, da Comarca de Aracaju, decretou ontem à tarde a prisão preventiva de João Soares Santos, que confessou o assassinato do policial militar reformado João Luiz Santos Nogueira, 52 anos. Ele foi morto a tiros na tarde desta terça-feira, após se encontrar com o acusado na Rua Quirino, bairro Inácio Barbosa (zona sul de Aracaju). João tinha sido preso instantes após o crime e passou por uma audiência de custódia no Fórum Gumercindo Bessa, bairro Capucho (zona oeste). Agora, o preso passa a responder pelo crime de homicídio simples.

Em sua sentença, Felicíssimo validou a prisão em flagrante de Soares e considerou que os depoimentos dados até agora por policiais e testemunhas “fornecem relevantes indícios da materialidade delitiva e da autoria atribuída ao investigado”. Disse ainda que a prisão dele faz-se necessária para garantir a ordem pública, a qual, conforme o juiz, foi abalada “pelo crime praticado em praça pública, perante vários populares, revelando a ousadia e periculosidade do agente.

O magistrado referiu-se também à alegação dada por Soares em depoimento à polícia. O réu confesso disse que matou o ex-sargento “em legítima defesa”, porque este estava atuando como agiota e teria ameaçado sua família para cobrar uma dívida de R$ 10 mil em supostos empréstimos. “Ressalte-se que eventual tese de legítima defesa não deve ser apreciada nesta audiência de custódia, uma vez que o flagrante preencheu os requisitos legais e a manutenção da prisão é necessária para garantia da ordem pública, aplicação da lei penal e a realização da instrução processual”, escreveu Felicíssimo.

O corpo de João Luiz Nogueira foi velado e sepultado ontem na capital. Familiares do ex-militar negaram a acusação de que ele seria agiota e disseram que ele não emprestava dinheiro, nem fazia ameaças. Em entrevista à rádio Mix FM, um dos filhos do sargento disse que Soares “mentiu” ao dizer à polícia que o pai seria envolvido em agiotagem. Ele esclareceu que o militar reformado estava refinanciando um veículo para poder adquirir um terreno e, portanto, não tinha dinheiro suficiente para fazer empréstimos. A compra deste terreno teria sido feita justamente ao autor do crime.

 

Investigação – Antes da audiência, Soares falou ao DHPP e deu detalhes sobre os motivos do crime, reafirmando que reagiu às supostas ameaças. “Segundo ele, a vítima [Nogueira] teria ido à sua residência, colocado ele dentro de um carro de forma violenta, para cobrar uma dívida de agiotagem, e o levou para vários lugares da cidade, ameaçando-o de morte. E por último eles pararam no local onde aconteceu o crime”, descreveu o delegado Kássio Viana, do DHPP, acrescentando a versão de que o assassino e o sargento reformado discutiram rispidamente, até o instante em que Nogueira teria tentado matar Soares.

“Segundo o autor, a vítima estava armada com um revólver 38, apontou a arma para sua cabeça e deu um tiro. Só que esta arma falhou, o autor tomou a arma da vítima e efetuou vários disparos”, disse o delegado, destacando que a arma apreendida tinha quatro munições deflagradas e uma percutida (falhou). Kássio Viana disse que o caso está praticamente esclarecido, com definição de autoria e vítima, mas ainda resta saber quais são os reais motivos da morte do sargento e se a versão apresentada pelo acusado é verdadeira.  

Uma pista que já começou a ser trabalhada pelos policiais está na divulgação de vídeos que mostram um homem armado entrando em uma garagem e ameaçando matar o motorista, caso ele continuasse resistindo a entrar no carro. Fontes afirmam que este homem armado pode ser o sargento reformado e que tais gravações teriam sido feitas por familiares de João Soares, na casa dele, horas antes do crime. O delegado Kássio Viana disse que acreditar que os vídeos “têm alguma procedência”, mas vai encaminhá-los à perícia para tentar identificar o local da gravação, quando ela foi feita e quem são as pessoas envolvidas. 

O JORNAL DO DIA teve acesso aos vídeos e reproduz a seguir um trecho da discussão entre os envolvidos, que foi muito tensa.

 

Homem 1 – Cê quer saber como é que tá seus 10 conto? (sic)

Homem 2 – Deixa eu falar pro senhor...

Homem 1 – Diga!

O senhor... peraí, peraí, peraí

Homem 1 – Peraí o quê? Peraí o quê

Não, vamos conversar aqui

Homem 1 – (gritando) Pode me filmar, rapaz! Tá...

Homem 3 – Tem advogado em minha família também! (3x) Isso é ameaça, tá bom?

Homem 1 – Que ameaça uma p...!

Homem 3 – É ameaça, viu? As coisas não são assim não. Isso é ameaça! Ele tem irmão, ele tem família aqui, todo mundo tem família. Você não pode coagir ninguém assim não!

Homem 2 – (inaudível)

Homem 1 – (gritando) Ei, rapaz, peraí! Eu sou cadeieiro, otário! Você tá pensando que isso aí... Eu sou é artista. Pode me filmar, bonitão!

 

A gravação deve ser requisitada pelo delegado do DHPP ainda hoje. O inquérito instaurado para apurar o caso deve ser concluído em até 30 dias.