Grupo rouba celular e tenta extorquir casal para não divulgar fotos íntimas

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Publicada em 27/10/2017 às 06:35:00

Gabriel Damásio

 

Quatro pessoas foram presas no começo da noite desta quarta-feira em um posto de combustível na Avenida Mário Jorge, bairro Coroa do Meio (zona sul de Aracaju). Segundo a Polícia Civil, eles foram flagrados extorquindo um casal de namorados que teve um celular roubado durante uma festa no último dia 7. O grupo exigia que as vítimas pagassem R$ 6 mil em dinheiro para não divulgar vídeos e fotos íntimas que tinham sido encontradas no cartão de memória do aparelho. Todo o processo de negociação e entrega do dinheiro foi acompanhado por agentes lotados na Delegacia Regional de Lagarto.

Ainda segundo a polícia, o esquema era liderado por Géssica Alves de Oliveira, 26 anos, que estava com o celular usado para ameaçar as vítimas, através de um perfil falso, e contatar os outros três acusados. Eles foram identificados como Allan Fabrício de Souza Bispo, 30; Marcelo Gonçalves de Jesus, 27; e Davyd Renan de Macedo Monteiro, 27. Todos eles tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz plantonista Cláudio Bahia Felicíssimo, durante a audiência de custódia realizada ontem à tarde no Fórum Gumercindo Bessa. Na sentença, o juiz citou que Géssica contou toda a história do crime em seu depoimento e já conhecia os outros envolvidos antes do incidente.

A investigação também confirmou que, sob o comando de Géssica, os três homens tinham funções definidas na execução do golpe. “O Allan era responsável por se passar por motoboy, abordar a vítima, pegar o dinheiro e entregar aos demais membros do grupo; já Marcelo verificava a movimentação no local marcado para informar aos demais membros do grupo o momento da chegada da vítima ou da polícia; com Davyd ficou a função de conduzir o carro, se passar por motorista de Uber e transportar os demais membros do grupo, sob a promessa de receber R$ 200 pelo serviço”, disse o agente de polícia Tácio Almeida, que participou da prisão do grupo.

O homem extorquido contou à polícia que, no meio da tarde de quarta, começou a receber mensagens ameaçadoras através de um aplicativo de mensagens. Nele, o perfil falso de um homem confirmou que estava com o celular da namorada e dizia que descobriu imagens íntimas do rapaz com a namorada no cartão de memória. Ele afirmava também que todos os arquivos seriam divulgados nas redes sociais se o dinheiro não fosse pago em poucas horas. A mensagem que chamou mais atenção, contudo, trazia a foto de um homem que empunhava uma arma de fogo.

As vitimas denunciaram o caso a um policial civil, que mobilizou sua equipe e passou a monitorar as conversas por telefone entre o casal e os criminosos. Elas relataram ter identificado, além da voz do chantagista, uma voz feminina e outra masculina que passavam orientações e conversavam ao seu ouvido. No fim da tarde, o homem conseguiu que o autor das mensagens aceitasse o pagamento de uma primeira parcela, de R$ 1 mil, e marcou a entrega do dinheiro para o posto de gasolina, próximo ao Shopping Riomar.

O criminoso indicou que iria ao local em um carro de aplicativo de transporte, mas um deles apareceu com uma moto, passando-se por um motoboy, que recusou-se a dizer seu nome para a vítima. Posteriormente, descobriu-se que ele era Allan Fabrício. O diálogo a seguir está em reprodução livre:

- Oi, boa noite.

- Boa noite, moço. Qual é o seu nome?

- O meu nome não importa. Eu vim aqui pegar um dinheiro que uma mulher mandou, referente à devolução de um cartão.

Assim que a vítima entregou-lhe o dinheiro, Allan foi surpreendido pelos policiais, que acompanhavam tudo em um local escondido e ainda cercaram um carro VW Fox vermelho parado dentro do posto, no qual estavam Marcelo, Géssica e Davyd. Os quatro foram levados para a Delegacia Plantonista Sul (Augusto Franco) e autuados em flagrante por extorsão. As ordens de prisão contra eles já foram cumpridas e a expectativa é de que eles aguardem o julgamento do processo detidos em um presídio. “Ressalte-se que a prisão de todos é necessária para propiciar uma instrução probatória satisfatória na medida em que a liberdade dos acusados pode prejudicar a investigação que está em curso”, destaca o juiz Felicíssimo.