EM SERGIPE ÉGÁS PRA NINGUEM BOTAR DEFEITO¨

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Publicada em 29/10/2017 às 00:21:00

Diante de uma mesa farta surgem as exclamações: ¨É comida pra ninguém botar defeito¨

Diante de uma feminina exuberância a mesma coisa: ¨É mulher pra ninguém botar defeito. ¨

No primeiro caso, do alimento que sobra, comemora-se a fartura,  já no segundo é a exuberância daqueles contornos essencialmente femininos que se festeja, numa celebração à beleza, e também ao devaneio onírico  onde  o erótico não se ausenta.

 Tratamos aqui de um outro  tipo de fartura, exatamente aquela que move   a engrenagem complexa da economia: os recursos naturais. Esses insumos que o planeta oferece, quando concentrados em determinada área, e ainda mais sendo essenciais, estratégicos, fazem a grande diferença entre países que ficam ricos e os que chafurdam na pobreza insolúvel. Essa afirmação deve ser relativizada, pela interveniência de vários fatores ou circunstancias, que anulariam os benefícios decorrentes das dádivas vindas da natureza.

As relações de produção, o nível da tecnologia utilizada, as formas éticas ou depravadas da governança, a responsabilidade ou leniência em face dos interesses nacionais, tudo isso influi fortemente, levando, por exemplo, a pequena Noruega a ser um dos países mais ricos do mundo, ou ao desastre países como o Congo, vítima da cobiça internacional misturada com a devassidão moral de uma sucessão de governantes. Aqui no Brasil, o Rio de Janeiro é o exemplo mais evidente da riqueza natural (petróleo e gás ) desperdiçada na roubalheira e na irresponsabilidade.

Há muito tempo se sabe que nas profundezas do mar, algo em torno de 3 mil metros debaixo da água,  e uns dois mil ou mais embaixo da terra, e a uns 80 quilômetros das praias sergipanas, existem formidáveis reservas de petróleo e gás.  Essas jazidas por aqui na nossa frente assemelham-se ao potencial gigante dos campos do pré-sal no Rio de Janeiro e na bacia de Santos, onde alguns poços alcançam níveis superiores a 40 mil barris diários, coisa de Venezuela ou Arábia Saudita. Tudo isso resultado da avançada tecnologia desenvolvida exclusivamente pela PETROBRAS, para perfuração em águas ultra-profundas.

Eike Batista teria de fato alcançado a posição de homem mais rico do mundo, se quem dele recebeu dinheiro para¨sortear ¨ áreas para a sua petroleira, a OGX, não o houvesse enganado. Em relação aos campos da bacia sergipana, a PETROBRAS fez algo semelhante, todavia com a benéfica intenção de proteger os interesses da empresa. Aconteceu durante a visita do então presidente Lula à Índia acompanhado de uma enorme comitiva de empresários e técnicos brasileiros. O  mapa da mina ¨ foi mostrado aos executivos de  uma empresa  interessada em vir a Sergipe.  Guardaram o ¨ouro¨, mas  exibiram a  ¨prata¨ o que já seria de bom tamanho. Os indianos se interessaram e estão hoje por aqui, quase prontos a começar a retirar do fundo do mar a riqueza.

Mas, por aqui também anda agora a Exxon, gigante mundial que tem um seu ex-CEO, ao lado de  Trump na Casa Branca.

 A petroleira que é a maior do mundo,  vai acelerar seu projeto na costa sergipana, para estar em 2020, pronta para fornecer os seis milhões de metros cúbicos de gás natural que a usina termoelétrica em construção na Barra dos Coqueiros irá consumir.

Só para que se tenha uma ideia do tamanho do projeto: a SERGAS fornece aos consumidores sergipanos uma média diária de 330  mil metros cúbicos.

O advogado Welington Paixão representante, na diretoria, da parcela minoritária que cabe ao estado de Sergipe, considera a SERGAS uma mola estratégica para impulsionar a instalação aqui de um complexo  industrial, desde que haja a garantia do gás fornecido a preços competitivos.

Um olhar sem exageros longe do otimismo delirante de um personagem de Voltaire, e com os pés fixamente postos no chão da realidade, torna possível  enxergar o futuro de Sergipe, livre  daquele ¨dilúvio ¨,  antecipado com tanta ênfase pelo senador Valadares, que, nisso,  faz o papel de um nigromante fatalista, ou de um Velho do Restelo, olhando o mar oceano com inoportuno medo, enquanto a ousada e jovem marujada lusa iniciava a grande aventura dos descobrimentos .

Entre o Dr. Pangloss, ersonagem de Voltaire, e o Velho do Restelo, de Camões, é possível buscar o meio termo do bom senso realista. Se assim fizesse, o senador Valadares descobriria que  a fartura de recursos naturais, aliada  à uma visão estratégica pública e privada que fez nascer a Usina Termoelétrica, e a viabilização do pré- sal sergipano, é exatamente o que fará surgir um  complexo industrial de grande porte em Sergipe, cujo embrião foi idealizado e projetado exatamente no governo dele, Valadares, quando se concebeu o Polo Mineral Petroquimico, abortado  pelo erro de estar baseado no protecionismo de um mercado interno fechado, onde escasseavam matérias primas,  cujas portas foram  surpreendentemente derrubadas pela abertura ocorrida no governo Collor. De qualquer maneira o polo do governo Valadares não deixa de ter sido uma antevisão de futuro. O paradoxo, é que, apesar das evidencias, ele parece não acreditar no que acontece, e investe contra um empréstimo solicitado pelo governo, o primeiro aliás negociado por Jackson, exatamente para reconstruir e ampliar a nossa rede rodoviária, essencial como infraestrutura .

Talvez, por isso, o senador tenha sido voz isolada, porque descolou -se da questão fundamental, que é gerar empregos e dinamizar a economia. Por isso, na votação do empréstimo perdeu até o voto do único representante do seu partido na Assembleia o deputado Luciano Pimentel, que teve equilíbrio e racionalidade suficientes para ir além da politica ¨fulanizada¨.

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UM DÓRIA QUE SEIXAS DÓRIA

NÃO GOSTARIA DE ABRAÇAR

 

Prosseguindo seu carnaval de trivialidades banais, o prefeito paulistano João Dória esteve em Sergipe para fazer uma palestra tão oca quanto a sua própria cabeça. Mas há quem o ouça quase em êxtase. São os mesmos que sonham ainda com o Brasil das Casas Grandes e das Senzalas e imaginam poder retroceder a essa época, onde seriam senhores com o chicote nas mãos, e o olhar cúpido sobre alguma mucama para  ¨usá-la¨ da forma que ordenasse. É o saudosismo do Brasil passadista, dos que, morando em palácios de linhas modernas imaginam que a arquitetura cruel das senzalas abriga ainda uma escravaria ao seu dispor. Para atende-los veio aquela Portaria  retrógrada, ilegal  e indecente, liberando praticamente a prática criminosa da escravização de trabalhadores. O moderno Dória disse alguma coisa? Tão ¨moderno¨ ele, e conformado com a  devastação da imagem do Brasil pelo mundo afora. Por sinal o sentimento anti-princesa Izabel é tão grande que contamina um ministro infelizmente ainda contaminando a cadeira em que senta no STF. Ainda bem que a sociedade reagiu, que a Ministra do STF Rosa Weber cassou a portaria celerada, a Procuradora Geral da República Raquel Dodge, teve uma palavra forte de condenação. Tantos outros fizeram o mesmo , e o janotinha que quer ser candidato, o que disse? Nada, porque é servidor obediente do que existe de mais retrógrado na sociedade brasileira.

Mas como João Dória elegeu-se numa megalópole onde um terço da população vive em favelas? Exatamente por isso mesmo. Dizia Joãozinho Trinta: ¨pobre gosta de luxo, quem gosta de miséria é intelectual¨. No caso de demagogos populistas e mentirosos, é comum identificarem-se preferências em todas as classes. Jânio Quadros foi o maior exemplo dessa mistura de pobres e ricos convergindo para o mesmo candidato. Outro populista, rico e com enorme fama de ladrão, o ¨rouba mas faz ¨ Adhemar de Barros, recebia votos tanto de ¨pés-rapados¨ como de aristocráticos quatrocentões.

 ¨Com biscoito e bolo se enganam os tolos ¨. E o marketing providencia o biscoito e o bolo. Providenciou-os, tanto para Dória, vendido como modernidade, quanto,  da mesma forma  para Dilma Roussef, a ¨gerentona eficiente¨.  Descobrem agora os eleitores de Dória que ele não é o que pensavam, verificou-se que Dilma era uma inepta teimosa, sem  ideia do tamanho do cargo que ocupava. O mesmo sucedeu com os que votaram em Aécio, imaginando-o  salvador da pátria,  político cercado de virtudes, entre elas a capacidade gerencial e a honestidade, constatando-se, agora, que ele  se fez político para disfarçar o gângster.

O que espanta em tudo isso é que depois de tantas evidências, figuras nitidamente incapazes de governar o Brasil, como é o caso de  Dória,  Bolsonaro, e nas circunstancias  atuais, também Lula, estejam pontuando  com  destaque, nas pesquisas eleitorais.

Uma coisa é certa, se João de Seixas Dória, de quem agora o Dória paulista se diz parente, com  a ojeriza que Seixas devotava  aos brasileiros sem brasilidade, aos políticos divorciados  da essência virtuosa da Política, aos falsificadores  da vida pública,  e aos  destituídos do sentimento de honra, ele não iria cumprimentar o seu possível parente,  quando a Assembleia  num ato do qual se arrependerá, decidiu conceder o título de cidadão sergipano, ao dândi  que viu na poíitica melhores chances para exercitar o seu  oficio de lobista .

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 A GALINHA E O DONO LADRÃO

Um ladrão, desses comuns, sem mandato e maltrapilho, corria com uma galinha debaixo do braço, perseguido pelo dono da galinácea. Foi detido pelos policiais. O ladrão, certamente tendo visto na TV o exemplo de outro, empertigou- se, manteve a penosa espremida entre o braço e o tórax e protestou: ¨Dotô policia, eu estou sendo vítima de uma ardilosa armação, essa galinha eu pedi emprestada ao dono, mas dotô  ele é um notório bandido.

O dono da poedeira foi preso. O ladrão vítima da armação voltou a atuar no galinheiro.

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A HORA DA¨INTERVENÇÃO  MILITAR¨

 

A¨intervenção militar¨ que tanto tem sido falada como solução para retirar  do poder o chefe da organização criminosa, poderia ter ocorrido no Hospital Militar, quando ele lá esteve internado. O oficial apenas subscreveria uma avaliação médica nos seguintes termos: ¨O paciente encontra-se agora fisicamente inabilitado para exercer as suas funções. Moralmente, ele já se encontra há muito tempo¨.

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UM APARTAMENTO PARA

GILMAR MENDES E BLAIRO

 

No apartamento seboso, fedorento, de um bairro de São Paulo, onde fiscais do Ministério do Trabalho, (que felizmente continuam no exercício das suas funções que a portaria celerada queria extinguir) fizeram um flagrante do trabalho escravo existente na área quase central da maior cidade do país.  Um casal de imigrantes peruanos e mais outras pessoas, apertadas no espaço exíguo, onde havia as máquinas da fabriqueta de confecções e os alojamentos, faziam uma jornada das três da manhã às dez da noite, e recebiam a gororoba que comiam como se fosse salário. Fugiram, denunciaram, e os fiscais chegaram. O dono da senzala urbana está preso. Se a Portaria celerada ainda estivesse em vigor, ele estaria solto e continuaria com a sua ¨senzala industrial¨.

Para viverem uns três dias naquele apartamento, deveriam convidar o Ministro do STF Gilmar Mendes, que justificou a Portaria dizendo que trabalha exaustivamente, mas, e nem por isso se considera escravo. Para acompanhá-lo, o ¨rei da soja ¨ Blairo Maggi, ministro da agricultura,   defensor da Portaria, que disse ter sido uma reivindicação das classes produtoras rurais.

O sujeito é tão antiquado que ainda usa essa expressão excludente aplicada apenas a empresários: ¨classes produtoras.¨

E os trabalhadores que eles querem manter na condição de escravos, por acaso não produzem? 

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UMA REVIRAVOLTA NA

POLITICA SERGIPANA?

 

Quem foi ano passado à solenidade na Assembleia, em que foi devolvido simbolicamente o mandato ao deputado Chico de Miguel, cassado pelo regime militar, observou que não existiam insuperáveis inimizades entre o presidente Luciano Bispo e a família do homenageado, principalmente os filhos, a deputada Maria Mendonça e o ex-deputado Jose Teles Mendonça. Luciano falou sobre o homenageado, referiu-se à sua incontestável liderança, lembrando que sempre foi adversário político de Chico de Miguel. Ali ,houve uma cena construtiva de urbanidade desfazendo radicalismos.

Se a eventual aproximação numa eleição antecipada para a presidência da Câmara de Vereadores, que interessava aos dois, não for apenas um episódio fortuito e pontual, o cenário político do terceiro maior colégio eleitoral do estado poderá sofrer abalos e mudanças de rumo. O episódio bem recente causou irritação no prefeito Francisquinho, que se considerou traído e por isso derrotado.

Comentários e insinuações sobre possíveis arranhões no relacionamento entre o prefeito Valmir de Francisquinho e os irmãos Mendonça, circulam há algum tempo. Para ampliar ainda mais as especulações, a deputada Maria Mendonça, votou a favor do empréstimo que será contratado pelo governo com a Caixa Econômica. Tanto Maria, como um outro oposicionista Luciano Pimentel, que segue a liderança do senador Valadares, e também votou a favor alegaram que por questões políticas não iriam prejudicar os seus municípios.

 

 

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OS CHINESES E A MULHER

QUE VENDE PRIMAVERAS

Um escritor e sábio chinês LinYutang deixou a China antes da revolução comunista, tornou-se  cosmopolita , professor disputado pelas grande Universidades e seus livros fizeram muito sucesso. Nos anos cinquenta LinYutang  estava entre os cinco autores estrangeiros mais vendidos no Brasil. Mas isso não quer dizer grande coisa , porque J. G. de Araújo Jorge também deles fazia parte. Ninguém melhor do que ele soube tão bem definir as características do seu povo. Com a visão posta desde o estrangeiro, ele analisava a China, o momento pré-revolucionário que atravessava o país ocupado pelos japoneses e lutando para expulsá-los. Aludindo a aquele momento de resistência Yutangescreveu: ¨A destruição das escolas, das universidades, das instituições culturais chinesas pelos japoneses não poderia ser mais fisicamente completa. Seria forçada, contudo, a afirmação de  que a cultura chinesa moderna está destruída. Os professores e os estudantes de uma universidade demolida em Chekiang, marcharam mil milhas por terra do Sueste e reabriram as suas aulas em Yunnan no Sudoeste.

Não é possível avaliar os sucessos do campo de batalha e o desfecho eventual das presentes hostilidades sino-japonesas sem um conhecimento mais íntimo da emergente nação chinesa que nunca foi uma nação, mas só uma civilização ¨.

Ao contrário da China,o Brasil é efetivamente uma Nação, que tenta há muito tempo construir uma civilização, mas agora  faz uma volta atrás e descamba pela ladeira da incivilidade.

Do livro Com Amor e Ironia, de LinYutang um outro  trecho: ¨É impossível discutir o futuro da China sem saber o significado que damos ao nome dessa vasta entidade racial e nacional, e a tarefa torna-se difícil porque a China se está transformando rapidamente, libertando – se do seu longo passado, e contem em si mesma alguns surpreendentes elementos ou forças de vitalidade que não são percebidos pelo olhar da pessoa que apenas observa a superfície. ¨

Essas ¨forças de vitalidade¨ observadas por LinYutang   são exatamente aquelas características que fazem a diferença entre as nações. A virtude do político, em cada país, seria identificar e por em marcha essa vitalidade construtiva que fez a China sair da pobreza extrema, para tornar-se a segunda potencia econômica ,  projetando em vinte e cinco anos ultrapassar os Estados Unidos.

A China resistiu, derrotou o Japão, mas no momento da vitória estava dividida: de um lado o exército revolucionário de Mao TseTung  apoiado pela União Soviética  que decidira  a  guerra contra o nazi-fascismo e começava a transformar em satélites os países da Europa do leste; do outro, apoiado pelos Estados Unidos que saíra da guerra como potencia mundial hegemônica , estavam os exércitos do general Chiang Kai –shek. Derrotados, deixaram a China,atravessaram o estreito e foram criar na ilha de Taiwan, a China Nacionalista, que correspondia a menos de 5% da parte continental ,  maior do que o Brasil, e onde viviam 800 milhões de habitantes. Surgia um outro imenso país comunista e o bloco orientado pela ideologia marxista hospedava mais de um terço da população mundial.

 A Guerra Fria chegava ao clímax, americanos e russos se olhando de perto em Berlim dividida, numa Alemanha retalhada, tinham o dedo no gatilho.  

 A China, embora gigantesca, saiu do foco das tensões, então voltadas para a Europa Central, melhor dizendo, para a Berlim dividida e isolada no meio da Alemanha comunista. Ulbricht, o ditador da Alemanha Oriental títere de Moscou, começava a construir o Muro,e  Kruschev espantava o mundo detonando  uma bomba de hidrogênio de  50 megatons,  anunciando      uma ainda mais poderosa,  de cem megatons ( equivale a cem milhões de toneladas de dinamite) mas que não iria testá-la, porque quebraria todas as vidraças do gigantesco país.

 A China comunista aliada de Moscou  foi isolada pelos Estados Unidos que impuseram aos seus aliados a mesma atitude. A China reconhecida, seria apenas a ilha do general Chiang. Claro, o Brasil sempre submisso , adotou a mesma prática, que se revelou idiota, quando o presidente  Nixon surpreendeu o mundo indo à China e acertando os ponteiros para bons negócios com o camarada Mao.

A China queria roubar de Moscou a liderança do movimento comunista internacional e radicalizou defendendo as revoluções armadas para derrubarem o capitalismo por todo o mundo. Depois do tumulto sangrento que foi a transição do legado  coletivista de Mao para   um modelo onde entrariam as iniciativas individuais no processo econômico, chegou-se a Deng XiaoPing,  que começou a abertura da economia ,e o regime,   de comunista, só mantém agora  a estrutura centralizada e poderosa do governo.

Os chineses têm a rara capacidade de pintar com alguma sutileza até as barbaridades que o regime comete. A Revolução Cultural, um período de absoluto descontrole totalitário cumpria suas etapas de violência associando-as ao nome de flores e às estações.

No Brasil a China causou alguns involuntários transtornos .

Janio Quadros num dos seus momentos de lucidez entre um porre e outro disse, defendendo a abertura de relações com Pequim, que a ilha denominada China Nacionalista, ou Taiwan, não passava de um porta aviões americano ancorado no Mar Amarelo.

João Goulart, o vice, estava na China, numa missão comercial, quando Janio renunciou, e  generais golpistas tentaram por isso impedir a posse e formaram uma ridícula Junta Militar.

O presidente Geisel que teve peito para fazer política externa independente, quebrou a sujeição das Forças Armadas brasileiras ao Pentágono,  rompeu o acordo militar que nos humilhava, e estabeleceu relações comerciais com a China.

O general Silvio Frota Ministro do Exército exonerado por Geisel,  escreveu depois sempre raivoso no seu livro Ideais Traídos,  na sequência de bobagens que amontoou, que Geisel, ao  negociar com a China,  abria caminho para a penetração comunista no Brasil. Ainda permaneciam  presos, e foram libertados, os chineses que integravam uma Missão Comercial que estava no Brasil quando ocorreu o golpe de 1964,   foram acusados  de crimes contra  a segurança nacional e   sofreram torturas.

 

Há 40 anos China e Brasil tinham um Produto Interno Bruto equivalente. Hoje, a China é a segunda economia do mundo ,nós,  numa oitava posição.

O que teria motivado essa estagnação brasileira e essa disparada da China ?

 Dirão logo: falta educação. Falta, sem duvidas, mas não é só isso. Precisamos buscar em nós mesmos aquela vitalidade chinesa de que fala LinYutang.  Nós a temos, não há duvidas, por isso conseguimos formar uma Nação, até hoje íntegra e unida, não renunciamos à liberdade da democracia, não cometemos genocídios, nem assassinatos em massa, o que nos diferencia da China, nem temos prisioneiros políticos, o que também  assinala diferenças, e o nosso ¨jeitinho¨, é ,sem duvidas, superior às habilidades chinesas, inclusive no empreendedorismo. Mas infelizmente temos uma quadrilha instalada no poder. Na China esse tipo de gente é fuzilada,e as famílias recebem a conta para pagar as balas que foram disparadas. Já fuzilaram mais de 50 mil, e ainda não resolveram o problema, o que demonstra a ineficácia do método .

Mas há sutilezas entre os chinesesdas quais talvez nunca consigamos chegar perto.

Sabem o que significa Bai-shun-fu?  Traduzindo literalmente, o significado seria puta, prostituta, rameira, mulher de vida fácil, ou de vida livre, marafona, meretriz, piniqueira.

Para os chineses, contudo, Bai-shun-fu significa: mulher que vende primavera

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ENTRE MACONDO E O

PALÁCIO DO JABURÚ

 

Macondo é topônimo que não está nos mapas. Lugar fictício, um mundo em pesadelo criado pela imaginação prodigiosa do escritor colombiano  Gabriel Garcia Marques. Macondo tornou-se palco das fabulações que passeiam pelo inverossímil, inaugurando um novo estilo literário   que seria definido como realismo fantástico. Para algo assim tão inusitado ou além do usual ,o escritor utiliza-se  de  uma narrativa abrigando a ficção superlativa do mágico e do real.  Recorre, longe de ser barroco, a uma multiplicidade de figuras de linguagem, e até dispensa a pontuação para alongar-se em textos imensos, e que não se tornam nem por isso fastidiosos. 

Textos assim, como em linhas abaixo tentamos imitá-los, embora de forma medíocre, reconhecemos,  e ainda   recomendando aos leitores, se ainda não o fizeram, que conheçam  o estilo de Gabo, lendo inicialmente Cem Anos de Solidão, Ninguém Escreve ao Coronel .

A imitação:

Em Macondo desde tempos imemoriais molha uma chuva que encharca as pessoas as terras os ares e o tempo se espicha com a inércia de relógios emperrados muros cobertos de musgo  protegem palácios sombrios de um presidente  sem idade e sem rosto e suas botas ressoam passos trôpegos sobre a mistura de selva e pedras  disformes  por onde se espicham os abraços de  tentáculos imensos os galhos e raízes de milenares árvores carunchosas  e entre eles passeiam gentes e lagartos pachorrentos  na dolência de um crepúsculo alongado invadindo os dias enquanto o presidente  trôpego tateia pelas  paredes untuosas de um lodo antigo e nelas tenta se agarrar .

Assim mesmo, e sem nenhuma vírgula, nesta imitação tosca que fizemos.

Mas aqui não vamos tratar de literatura, muito menos de gramática, todavia,o realismo fantástico não poderia deixar de ser  lembrado nesses inacreditáveis dias que atravessamos, quando a  Macondo fictícia  e o Palácio do Jaburú, real, se referenciam como palcos idênticos de uma forma de degradação e apodrecimento que corrói o ambiente e as pessoas que nele vivem.

Macondo já deu um prêmio Nobel ao colombiano Garcia Marques. Se vivo fosse e estivesse no Brasil, ele, sem precisar recorrer a textos engenhosamente elaborados, apenas com  o tom simples e coloquial que usou em um outro livro seu, Memórias de Minhas Putas Tristes, certamente  não colocaria as suas  personagens tristonhas como habitantes do Palácio do Jaburú, porque, homem gentil, não iria ofendê-las.