Sergipe continua líder na média de homicídios no Brasil, mostra anuário

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Sergipe é o Estado com maior número de mortes  violentas. Foto: Divulgação
Sergipe é o Estado com maior número de mortes violentas. Foto: Divulgação

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Publicada em 31/10/2017 às 06:17:00

Gabriel Damásio

 

A 11ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), voltou a colocar Sergipe com a maior taxa de mortes violentas no Brasil, sendo que este número também aumentou em relação ao ano passado. De acordo com os dados, o índice obtido pelo estado em 2016 foi de 64,0 mortes violentas intencionais (MVIs) por 100 mil habitantes, contra os 57,3 obtidos em 2015. A taxa de homicídios obtida por nosso estado teve a sexta maior variação do país e superou outros dois estados nordestinos que enfrentam problemas com o crescimento dos assassinatos e da criminalidade: Rio Grande do Norte (56,9 por 100 mil) e Alagoas (55,9 por 100 mil).

Em números absolutos, foram 1.449 mortes violentas ocorridas em Sergipe no ano passado, contra 1.286 do ano retrasado. Tais números representam um aumento de 11,5% no total de ocorrências durante o período. Os homicídios dolosos (com intenção de matar) são a grande maioria destes casos: foram 1.306 vítimas em 2016 e 1.196 em 2015, com aumento de 8,9%. Já os latrocínios (roubos seguidos de morte) somaram 49 no ano passado e 47 no retrasado, representando um pequeno aumento. As lesões corporais seguidas de morte não foram registradas nas duas pesquisas em Sergipe.

O Anuário contabilizou ainda as mortes sofridas ou provocadas por policiais. No ano passado, sete policiais sergipanos foram assassinados enquanto estavam de folga e não foram registradas mortes em serviço. Em 2015, foram duas mortes de policiais em serviço e cinco fora deles. Já as mortes provocadas por policiais em confrontos e outras intervenções, seja em serviço ou na folga, quase dobraram durante o período em Sergipe: foram 94 em 2016, contra 43 no ano anterior, representando 6,5% e 3,3% dos respectivos totais de mortes violentas intencionais.

Outro item que cresceu na pesquisa foi o número de homicídios múltiplos, também chamados de chacinas e que envolvem três ou mais vítimas assassinadas. Em 2016, segundo os dados do FBSP, 15 pessoas morreram em quatro chacinas, enquanto duas ocorrências do tipo foram contabilizadas em 2015, com seis vítimas.

Os dados mostram ainda que a maioria das vítimas assassinadas em Sergipe são do sexo masculino. No ano passado, 54 mulheres foram mortas em todo o estado, contra 67 em 2015. Os números representam uma queda de 19,4% neste tipo de ocorrência. Entretanto, estes casos não foram enquadrados na pesquisa como feminicídio (quando a mulher é assassinada por motivo de sua condição feminina). Estes casos não foram contabilizados pelo levantamento, embora alguns criminosos já tenham sido enquadrados por ele em Sergipe – a lei que tipifica o feminicídio está em vigor desde o ano passado.

 

Aracaju – Nos dados levantados entre as capitais brasileiras, o Anuário do FBSP também colocou Aracaju com a maior taxa de crimes violentos letais intencionais (CVLIs). Em 2016, a capital sergipana teve 66,7 mortes violentas dolosas por 100 mil habitantes, contra 56,3 apurados em 2015, representando um aumento de 18,6% no período. Em números absolutos, foram 414 homicídios dolosos no ano passado (taxa de 64,5 por 100 mil) contra 341 crimes no ano anterior (taxa de 53,9), equivalendo à alta de 19,7%. Nacionalmente, a taxa de CVLIs de Aracaju é seguida de perto por Belém (PA), com 64,9, e Porto Alegre (RS), com 64,1.

 

SSP – A Secretaria da Segurança Pública (SSP) divulgou nota afirmando que houve redução nos homicídios em Sergipe ao longo do ano de 2017, por meio de um trabalho integrado entre as polícias Civil e Militar. Segundo o órgão, os crimes de morte violenta tiveram quedas de 29% em Aracaju e 16,1% em todo o estado. “Apesar do Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgar o aumento da taxa de CLVIs na capital e no estado de Sergipe, vale ressaltar que em 2017 já registra-se reduções significativas, ao comparar com os dados de 2016, período base para a divulgação do FNSP”, afirma a SSP.

“Em relação a Aracaju, em 2016 houve a estabilização do crescimento dos CVLIs, após crescimento médio de 18% nos últimos anos. Se consideramos apenas os dados de Aracaju, há o registro de redução de -29,2% até setembro de 2017, em comparação com o mesmo período do ano passado. Ou seja, foram 312 homicídios dolosos em 2016 contra 221 em 2017, totalizando 91 vidas salvas apenas na capital. (...) no estado de Sergipe, há o registro de redução de -16,1%, em comparação ao mesmo período do ano passado. Ou seja, foram 962 homicídios dolosos em 2016 contra 807 em 2017, totalizando 155 vidas que foram salvas em todo o estado”.

A SSP ainda queixou-se da falta de uma padronização nacional sobre a contagem dos dados sobre os crimes violentos no Brasil, que permita uma comparação mais equilibrada e fiel das estatísticas. “Reafirmamos o compromisso com a população de Sergipe para que os números diminuam. A SSP considera as taxas ainda altas e apela para que haja, no Brasil, uma metodologia padrão para a contagem de dados sobre os crimes violentos letais intencionais”, conclui a nota.