Hospital volta a suspender cirurgias

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Publicada em 04/11/2017 às 06:18:00

Milton Alves Júnior

 

Sem cumprir acordo firmado durante audiência pública realizada no Ministério Público Estadual (MPE), a Prefeitura de Aracaju segue inviabilizando a realização de cirurgias a pacientes usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Responsável por realizar os procedimentos por intermédio de contrato firmado com a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia lamentou mais uma quebra de acordo por parte da administração da capital, e garante permanecer com os serviços indisponíveis por tempo indeterminado. A suspensão ocorre desde a última quarta-feira, 01.

Esta é a segunda paralisação promovida pelos servidores da unidade filantrópica em menos de 15 dias. No mês passado, também em virtude da inadimplência municipal, o HC deixou de atender dezenas de pacientes durante 13 dias seguidos. Na tentativa de solucionar a problemática, a Promotoria de Direitos à Saúde decidiu convocar as partes, onde ficou deliberado que a dívida superior à dois milhões de reais seria paga em três prestações. Como a PMA não respeitou os prazos, a direção geral da Cooperativa dos Anestesiologistas decidiu inviabilizar em caráter imediato todos os procedimentos cirúrgicos; até o início da noite de ontem apenas as cirurgias da rede particular seguiam sem alterações no quadro.

Sem fugir da polêmica, o município lamentou o cenário prejudicial à saúde dos aracajuanos e informou que a administração da capital passa por graves dificuldades junto ao cofre público, o que acaba inviabilizando o pagamento das pendências. A Prefeitura de Aracaju destacou ainda que a última parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) foi depositada com cerca de R$ 3,5 milhões a menos. Diante dessa conjuntura não há previsão do pagamento ser efetuado. A perspectiva negativa causa aflição para os pacientes, já que o HC pretende somente reiniciar as atividades diante do pagamento.

O que preocupa os órgãos que defendem os direitos dos contribuintes é que, com a nova paralisação, a fila de espera por cirurgias só aumenta. De forma acumulativa, usuários que foram prejudicados na suspensão anterior - e tiveram os respectivos atendimentos remarcados, agora serão obrigados a enfrentar novo período de incógnitas e consequente declínio do quadro clínico. Segundo o setor de contabilidade do Hospital de Cirurgia, a dívida milionária é referente ao mês de novembro de 2016, e aos meses de julho, agosto e setembro deste ano. A falta desses repasses acaba prejudicando o pagamento salarial dos funcionários e aquisição de medicamentos, produtos gerais e manutenção do serviço, por exemplo.

Em nota, a Cooperativa dos Anestesiologistas disse: "havíamos retomado às atividades no Hospital Cirurgia. Contundo, por conta do não cumprimento do acordo firmado pelo hospital de realizar o pagamento à Cooperativa entre os dias 30 e 31 de outubro, não restou outra alternativa à Coopanest que mais uma vez teve que suspender as escalas de serviço do Hospital Cirurgia. A cooperativa esclarece ainda que os procedimentos de urgência serão realizados e que a escala dos anestesistas para cirurgias eletivas está temporariamente suspensa. Os diretores lamentam a situação e estão à disposição para viabilizar o retorno da escala o mais rápido possível".