Sem nomes, sem renovação

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Publicada em 06/11/2017 às 07:18:00

Logo após a sua reeleição em 2014, o governador Jackson Barreto (PMDB) fez uma conclamação pela renovação na política sergipana e anunciou que não disputaria mais novas eleições. Com 72 anos, JB é o mais novo das lideranças de sua geração, na qual se incluem o prefeito João Alves Filho, 74, o ex-governador Albano Franco, 75, e os senadores Antonio Carlos Valadares, 73, e Maria do Carmo Alves, 75.

A proposta de renovação não é fácil, porque os velhos não querem largar o filé, e os chamados 'novos' são lideranças ainda frágeis, sem discurso e /ou sem voto. Nas eleições de 2014, duas dessas lideranças novas saíram extremamente chamuscadas: o senador Eduardo Amorim (PSC) e o ex-deputado federal Rogério Carvalho (PT). Os dois pretendem disputar os mesmos cargos nas eleições do próximo ano – governo do Estado e Senado Federal, respectivamente.

Em 2014, Eduardo fez uma campanha para governador ao modo antigo, comprando lideranças, abusando do poderio econômico e do controle dos meios de comunicação, prometendo cargos e ameaçando os adversários de retaliação, inclusive jornalistas e funcionários públicos destacados. Perdeu a eleição em primeiro turno para Jackson com uma diferença de mais de 120 mil votos, está vendo o seu grupo político diminuir drasticamente e continua sendo subalterno do irmão Edivan. Em 2018, se for mesmo candidato a governador, corre o risco de ficar sem cargo, já que o mandato de senador está terminando.

Desde a morte do governador Marcelo Déda, Rogério Carvalho se revelou um verdadeiro trator dentro do PT. Depois de uma dura batalha interna, ganhou no voto o comando do partido, propôs a reconciliação interna com os adversários e se transformou em um candidato a senador numa difícil disputa com a senadora reeleita Maria do Carmo. Saiu dos 10% no início da campanha para o empate técnico no dia da eleição, enfrentando milionários como Albano e a máquina administrativa da Prefeitura de Aracaju, que praticou o clientelismo aberto, com as bênçãos da Justiça Eleitoral. Surpreendeu, mas perdeu e viu o PT reduzir suas representações na Câmara Federal e Assembleia Legislativa. Conseguiu a pacificação do partido e se realinhou com o ex-deputado Márcio Macedo, que ganhou destaque na direção nacional do PT. A dor de cabeça continuará sendo a Articulação de Esquerda, grupo liderado pela deputada estadual Ana Lúcia, que quer o rompimento o governo Jackson Barreto.

Outras esperanças de renovação enfrentam problemas graves: o deputado federal Valadares Filho (PSB) obteve a reeleição em 2014, mas voltou a perder a disputa para a PMA em 2016, para Edvaldo Nogueira (PC do B). O deputado federal Laércio Oliveira (SDD) tem uma limitação natural por ser representante direto do capital e deve disputar a reeleição, apesar de sonhar com uma vaga para o Senado na chapa liderada a JB.

O ex-deputado federal Mendonça Prado vai se aventurar como candidato a governador pelo PPS. Depois de uma aproximação com o governador, Mendonça se chateou com Edvaldo Nogueira e fez a opção por uma candidatura alternativa.

O deputado federal André Moura (PSC), que poderia se apresentar como contraponto ao grupo de Jackson, enfrenta problemas judiciais sérios por improbidade administrativa. O destaque que vem obtendo como líder do governo Temer no Congresso Nacional não deve fazer com que tente uma vaga majoritária, apesar de ser sempre citado pelo grupo como candidato a governador ou a senador. Deve tentar a reeleição, caso consiga superar os obstáculos jurídicos contra seu nome.

O nome de Eliane Aquino, viúva de Déda e vice-prefeita de Aracaju, sempre aparece como uma esperança de votos para a base governista. Gostaria de disputar vaga para o senado ou a Câmara Federal, mas não deverá ter espaço no PT.

O vice-governador Belivaldo Chagas (PMDB) deverá ser a opção do grupo de JB ao governo, apesar de ainda não ser uma liderança consolidada.

As últimas eleições mostram que ainda não surgiu em Sergipe um nome competitivo para liderar um projeto político para suceder Albano, Valadares, João, Déda e Jackson na política local. Valadares e JB, por exemplo, devem disputar as próximas eleições.

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As últimas eleições mostram que ainda não surgiu em Sergipe um nome competitivo para liderar um projeto político para suceder Albano, Valadares, João, Déda e Jackson na política local. Valadares e JB, por exemplo, devem disputar as próximas eleições

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A crise é séria

O prefeito Edvaldo Nogueira (PCdoB) não conseguiu pagar o salário de outubro de todos os servidores dentro do mês, como vinha fazendo até agora. Pagou no dia 31 os servidores estatutários da administração direta, da Saúde e da Educação; no dia 8 de novembro paga aos estatutários da administração indireta (empresas e fundações) e dos cargos comissionados; e no dia 13, aos aposentados e pensionistas.

O governo do Estado só vai concluir a folha no próximo dia 14, com o pagamento dos aposentados e pensionistas.

Outros municípios também começaram a atrasar os salários. Casos de Canindé do São Francisco e Monte Alegre.

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André é citado

Continua repercutindo um vídeo com o doleiro Lúcio Funaro acusando o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE), e o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão do ex-ministro do governo Temer Geddel Vieira Lima, de serem beneficiários de um esquema de corrupção e desvio de recursos do fundo do FGTS, liderado pelo ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Funaro fez essa afirmação, em audiência referente à Operação Sépsis, que investiga desvios a partir de contratos da Caixa Econômica Federal. André nega. Mas todo mundo lembra da sua ligação com Cunha, responsável pela sua primeira indicação como líder do governo Temer.

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Belivaldo nas redes

 

O vice-governador Belivaldo Chagas postou ontem uma mensagem no Facebook. O clima já é de campanha ao governo do Estado em 2018. A mensagem:

“Sempre trabalhei muito para ajudar Sergipe!

Tive a honra de ajudar Marcelo Deda a construir novos caminhos para Sergipe e ao lado do Governador Jackson Barreto, luto para que nosso estado supere todas as dificuldades.

Acredito no diálogo, gosto de ouvir a todos.

Meu nome está à disposição do nosso grupo político para construir um novo projeto político para Sergipe, capaz de fazer nosso Estado avançar ainda mais.”

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Reação dos negros

 

Entidades do movimento negro brasileiro atacaram em nota a ministra dos Direitos Humanos do governo de Michel Temer, Luislinda Valois, que queria receber R$ 62 mil mensais de salário, alegando que seus atuais vencimentos de R$ 31 mil por mês a colocam em condições de 'trabalho escravo'. Para justificar o pedido de aumento de 100% no seu salário, a ministra disse que com R$ 31 mil 'é difícil se vestir, se alimentar, calçar e ir ao salão de beleza'.

Para o movimento negro, "a ministra é voz de um governo de privilégios e privilegiados que quer acabar com os direitos trabalhistas, com o combate ao trabalho escravo e as políticas de inclusão racial. Além de silenciar-se frente ao racismo religioso e às violências sofridas pelos povos de terreiros e comunidades quilombolas em todo o país".:

Alguns trechos da nota: “As entidades do movimento negro brasileiro repudiam as declarações da ministra Luislinda Valois, que assim como fez o ministro do STF Gilmar Mendes, ao fazer referência a tragédia da escravidão que submeteu milhares de negros a uma condição perversa e desumana – um crime contra a humanidade, declarado pela ONU – apropriou-se de forma oportuna desse fato histórico trágico para obter benefícios próprios relativos ao seu salário.”

“A ministra é voz de um governo de privilégios e privilegiados que quer acabar com os direitos trabalhistas, com o combate ao trabalho escravo e as políticas de inclusão racial. Além de silenciar-se frente ao racismo religioso e às violências sofridas pelos povos de terreiros e comunidades quilombolas em todo o país.

“A ministra não representa o povo negro, não representa as mulheres negras e nem aqueles que lutam pelo fim do racismo. Estamos por nossa própria conta! O povo negro não vai se calar frente ao racismo!”

A nota é assinada pelas entidades Convergência Negra - Articulação Nacional do Movimento Negro Brasileiro; Associação Brasileira de Pesquisadores Negros – ABPN; Agentes de Pastoral Negros – APNs; Círculo Palmarino; Coletivo de Entidades Negras – CEN; Coordenação Nacional de Entidades Negras – CONEN; Quilombação; Rádio Exu - Comunicação Comunitária de Matriz Africana; Movimento Negro Unificado – MNU; Rede Amazônica de Tradições de Matriz Africana – REATA; UNEGRO - União de Negras e Negros Pela Igualdade; Enegrecer - Coletivo Nacional de Juventude Negra; Movimento Consciência Negra de Butiá – RS; Setorial de Combate ao Racismo da CUT; e Soweto.

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O PT e os golpistas

 

Luiz Marinho, ex-prefeito de São Bernardo do Campo (SP) e um dos nomes mais próximos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, defendeu que o Partido dos Trabalhadores deve seguir em frente e permitir alianças mesmo com legendas que apoiaram o golpe contra Dilma Rousseff. Marinho, que é presidente do PT em São Paulo e pré-candidato ao governo do Estado, defendeu a mudança como forma de “recuperar a maioria do povo brasileiro”.

"Vamos precisar de uma grande aliança para governar, no Congresso. Mas isso pode se dar no processo eleitoral ou pós-eleições. Agora vamos analisar no sentido de ganhar a eleição. Depois se tomam providências sobre composição da base no Congresso", afirmou.

Em Sergipe, o PT integra aliança com o governador Jackson Barreto (PMDB) e outros partidos que votaram pelo impeachment.