Coleta de lixo pode suspensa por falta de pagamento

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Publicada em 07/11/2017 às 06:07:00

Milton Alves Júnior

 

Uma dívida orçada em mais de 30 milhões de reais pode suspender, mais uma vez, o serviço de coleta de lixo na capital sergipana. Garis e margaridas foram informados na semana passada que, caso a Prefeitura de Aracaju não realizasse até as 11h59 de ontem o pagamento das pendências herdadas da gestão pública anterior, o recolhimento de lixo residencial e comercial seria suspenso por tempo indeterminado. A medida recebeu o apoio da classe trabalhadora, já que o Grupo Estre/Cavo, responsável pelo serviço, ameaçou não realizar o pagamento salarial dos trabalhadores. Sem dinheiro em caixa e intransigente ao acúmulo da dívida, o setor empresarial se soma aos funcionários diante da proposta de mudar o cenário.

A a direção executiva da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) - órgão responsável por contratar e administrar a operacionalidade das empresas terceirizadas, informou que tem buscado dialogar com a direção da ESTRE a fim de encontrar soluções para a quitação dos débitos sem proporcionar nenhum tipo de prejuízo aos contribuintes aracajuanos. Essas rodadas de negociação se estendem ainda para os gestores da Empresa Torre, responsável por promover a coleta de entulhos na capital, e que, desde o final de outubro tem reduzido em até 70% o serviço. A paralisação parcial ocorre em virtude de atraso em pagamentos.

Ainda de acordo com a Emsurb, ao longo dos últimos dez meses a administração pública vinha quitando as parcelas conforme definido em audiência realizada no início do ano junto ao Ministério Público Estadual (MPE), porém, por se deparar com problemas na arrecadação municipal, a Prefeitura de Aracaju não conseguiu quitar a parcela de outubro dentro da data prevista. Ao Jornal do Dia, o assessor de comunicação, Augusto Aranha, informou que todos os esforços estão sendo adotados a fim de reparar o impasse financeiro que provoca preocupação aos aracajuanos.

"Lamentavelmente como é de conhecimento público a arrecadação do município foi menor neste último mês e isso acabou contribuindo para que algumas demandas, a exemplo dessas parcelas, acabassem não sendo pagas dentro do período previsto. Assim como o salário dos servidores será pago a partir dessa semana, acreditamos que as dívidas referente a essas duas empresas terceirizadas também serão respeitadas logo em breve. As conversas continuam para que as coletas não deixem de ser realizadas e ocasione em problemas para as comunidades", declarou. No final da tarde de ontem uma nova reunião extraordinária foi realizada na sede da Emsurb.

Apesar das explicações, profissionais filiados ao Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindelimp), informaram que não vão aturar uma nova fase de incerteza salarial. Crítico quanto a maneira política adotada por João Alves Filho e Edvaldo Nogueira para administrar a cidade, o gari Anderson dos Santos pede que os órgãos públicos de fiscalização estejam acompanhando a quebra de acordos jurídicos e contratuais. Para o trabalhador, o não repasse financeiro acaba gerando problemas às famílias dos assalariados, e contribuindo diretamente para que uma greve geral possa ser deflagrada.

"Sofremos com João e continuamos com o mesmo sofrimento com Edvaldo. Não queremos saber de quem é a culpa; as dívidas existem para a Prefeitura de Aracaju pagar, independente de quem seja o prefeito. A incompetência do ex-prefeito e a do atual faz com que a população sofra com a irregularidade da coleta. Não aceitamos trabalhar duro o mês inteiro para chegar no dia de pagamento sem a previsão de receber", lamentou.