Caixa d'água enferrujada desaba sobre escola e mata duas crianças em Dores

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A caixa d’água já havia passado por diversos reparos e desabou no pátio da escola. Foto: Divulgação
A caixa d’água já havia passado por diversos reparos e desabou no pátio da escola. Foto: Divulgação

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Publicada em 07/11/2017 às 06:28:00

Gabriel Damásio

 

Uma caixa d’água da Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) caiu em cima da Escola Municipal Professor Osman dos Santos Oliveira, no povoado Campo Grande, em Nossa Senhora das Dores (Médio Sertão). O acidente aconteceu às 14h de ontem, durante o horário do intervalo das aulas de reforço. Segundo informações da Prefeitura local e da Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), um menino de nove anos e uma menina de 11 morreram no local, com quadro de traumatismo crânio-encefálico grave. Outras 17 pessoas, entre adultos e crianças ficaram feridas no acidente, sendo em sua maioria com escoriações e fraturas.

Os pacientes foram socorridos inicialmente ao Hospital Municipal de Dores, mas parte deles foi transferida para o Hospital Regional Pedro Garcia Moreno, em Itabaiana, e para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), em Aracaju. O estado mais grave é o de um menino de sete anos, transferido com a ajuda de um helicóptero do Grupamento Tático Aéreo (GTA). De acordo com o boletim médico, ele tinha sido encontrado consciente, mas com um grave ferimento na cabeça, “rebaixamento do nível de consciência e sinais de hipovolemia”. Uma menina de seis anos também foi transferida para o Huse, com dores no abdômen e suspeita de fratura no fêmur.

Estima-se que havia cerca de 25 pessoas na escola e todas foram surpreendidas pela queda da estrutura. Os vizinhos foram os primeiros a socorrer os feridos, antes da chegada de equipes do Corpo de Bombeiros (enviadas do quartel de Itabaiana), do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e de ambulâncias das prefeituras de Dores e de Siriri. As buscas foram feitas nos escombros durante toda a tarde, mas foi logo encerrada com a confirmação de as salas não estavam totalmente ocupadas no horário da queda.

Segundo informações da polícia local e de moradores do povoado, a caixa que caiu ficava ao lado da escola, apesar de pertencer à Deso, e era responsável pelo abastecimento de todo o povoado. Ela estava a cerca de oito metros de altura, tinha capacidade para mais de 40 mil litros de água e já estava há algum tempo com a estrutura obsoleta. A Prefeitura de Dores confirmou que já vinha cobrando da Deso a mudança no sistema de abastecimento do povoado, mas negou ter conhecimento sobre a situação da estrutura.

“A gente vinha pedindo a substituição da caixa d’água, não por preocupação com o desabamento, mas sim por ser um sistema retrógrado de abastecimento. Faltava água e ela vinha com péssima qualidade. O laudo técnico sobre a estrutura, se ela viria a desabar ou não, caberia à Deso e a gente tomou isso como surpresa. Não era uma tragédia anunciada, como algumas pessoas já disseram. Não existia abaixo assinado, nem reclamações sobre a estrutura”, disse o secretário de Comunicação de Dores, Thiago Nascimento, em entrevista à Rádio Aperipê. Ainda segundo ele, o povoado Campo Grande tem atualmente 600 pessoas, muito acima da capacidade de abastecimento do reservatório que rompeu.

A Prefeitura assegura ainda que presta assistência total às vítimas e decretou luto oficial de três dias no município. Em nota, a Deso informou que “lamenta profundamente o acidente ocorrido no município de Nossa Senhora das Dores, e não medirá esforços para atenuar a dor das famílias envolvidas nessa fatalidade”. Ela disse ainda que vai “apurar tecnicamente” as causas do acidente e irá prestar os esclarecimentos necessários, bem como prestar assistência às vítimas do acidente e às famílias das crianças mortas. A Polícia Civil deve instaurar hoje um inquérito sobre o caso.