Estupro e morte de estudante revolta população em Socorro

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Publicada em 07/11/2017 às 06:31:00

Uma série de tumultos foi registrada ao longo desta segunda-feira no Conjunto Marcos Freire I, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Moradores da comunidade protestaram por causa do assassinato da estudante Michele de Jesus Santos, 13 anos, que foi encontrada morta na noite do último sábado. O corpo foi achado nas ruínas de uma escola abandonada, com vestígios de espancamento e de violência sexual. De acordo com o Instituto Médico Legal (IML), a morte da garota foi causada por asfixia mecânica.

Em um dos incidentes ocorridos, ao início da manhã, um grupo de moradores derrubou os muros do prédio da antiga escola, usando marretas, picaretas e outros objetos. A estrutura veio abaixo em poucas horas e a ação dos manifestantes não pôde ser impedida a tempo pela polícia. Em seguida, as pistas da Avenida Coletora foram interditadas por algumas horas, causando um princípio de tumulto. Ainda de manhã, um ônibus da linha Marcos Freire III (061) teve 17 janelas quebradas com pedras e, à tarde, outro ônibus teve seus bancos incendiados. O Setransp confirmou que os ataques têm ligação com os protestos e que os veículos foram retirados de circulação.

Segundo o relato dos moradores, o local está abandonado desde 2005, quando o terreno foi doado pelo Governo do Estado à Prefeitura de Socorro para a construção de uma escola. Eles alegam que, de lá para cá, nada foi feito e os escombros do prédio vinham servindo como esconderijo para assaltantes, estupradores e outros criminosos que agem nos conjuntos da região. “Já teve uma senhora que foi levar a sobrinha numa escola aqui da rua e, quando ela retornou, um rapaz de bicicleta colocou ela ali dentro e estuprou. Essa escola é que acaba dando vez para os vagabundos, porque o caras fica ali escondido esperando as pessoas chegarem no ponto de ônibus”, reclama o cobrador de ônibus Genício Melo de Andrade.

Michele morava no Conjunto Albano Franco e saiu de casa na manhã de sábado, por volta das 7h30, para comprar pães na padaria do bairro, mas não retornou. Os pais e os parentes começaram a procurar a garota ao final da tarde, mas não a encontraram. Segundo o pai da menina, Valter dos Santos, a procura só acabou por volta das 21h, quando foi avisado por policiais militares de que o corpo da menina estava no matagal da escola abandonada. “Isso porque a policia achou, porque, provavelmente, quem fez esse homicídio deve ter sentido dor na consciência e ligado pra polícia. Se não tivesse avisado, esse corpo ia ficar lá, fedendo, e não ia ser achado nunca”, lamentou.

Foi o próprio Valter quem fez o reconhecimento do corpo da filha no local, deixando toda a comunidade chocada. Ele diz desconfiar de que Michele teria reagido ao ataque do criminoso, quando este tentou estuprá-la. “Ela reagiu. Tentaram o estupro, ela não queria, tentou fugir e morreu pra se defender”, disse o pai, ao cobrar que a Prefeitura de Socorro derrube o resto dos escombros com um trator. “Vamos derrubar tudo para evitar que outro pai chore o que estou chorando hoje, para evitar que outra menina seja vitima de uma crueldade dessas”, protestou. A Prefeitura informou que a demolição das ruínas acontecerá hoje de manhã.

Um suspeito do crime chegou a ser preso em uma casa no Marcos Freire, mas a participação dele no crime ainda não foi comprovada pela polícia. Outro grupo de manifestantes tentou invadir a casa dele, mas foi impedido por equipes do 5º Batalhão da Polícia Militar (5º BPM). Os nomes de outros dois suspeitos, que chegaram a ser citados em postagens nas redes sociais, também são investigados. O inquérito do caso está com a 4ª Divisão do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que ouviu os depoimentos do pai de Michele e de outras testemunhas ao longo do dia. (Gabriel Damásio)