Perícia da Defesa Civil admite que queda de caixa d'água poderia ter sido evitada

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Enterro crianças. Foto: Divulgação
Enterro crianças. Foto: Divulgação

Q queda da caixa d’água provocou a morte de duas crianças. FOTO: Reprodução/TV Sergipe
Q queda da caixa d’água provocou a morte de duas crianças. FOTO: Reprodução/TV Sergipe

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Publicada em 08/11/2017 às 06:34:00

Gabriel Damásio

 

O Ministério Público Estadual e a Polícia Civil já começaram a investigar as causas e responsabilidades da queda de uma caixa d’água em cima da Escola Municipal Osman dos Santos Oliveira, no Povoado Campo Grande, município de Nossa Senhora das Dores (Sertão). O acidente, ocorrido na tarde desta segunda-feira, deixou duas crianças mortas e outras 20 pessoas feridas, incluindo 11 crianças. De todos os pacientes que foram socorridos, três crianças permaneciam internadas no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). O mais grave deles é um menino de sete anos, que está na Área Vermelha Pediátrica com quadro de trauma no tórax. Outros dois pacientes, uma menina de sete anos e uma mulher de 45 que tinham suspeitas de fraturas, receberam alta.

Ontem, o promotor de justiça Renato Vieira Dantas Bernardes, da Comarca de Nossa Senhora das Dores, instaurou um inquérito civil para apurar o caso, encaminhando ofícios à Defesa Civil, ao Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea) e à Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso), responsável pela estrutura. Entre os documentos requisitados aos três órgãos, estão vários relatórios técnicos sobre as condições de manutenção, as possíveis causas para a queda, e que tipo de apoio foi prestado às vítimas feridas no desabamento e aos familiares das vítimas fatais.

Equipes da Defesa Civil, do Instituto de Criminalística e da Delegacia de Polícia de Dores estiveram na escola durante toda a manhã e vistoriaram os escombros da caixa d’água, que estava a 15 metros de altura, e da escola, que ficou totalmente destruída. Os peritos e policiais constataram marcas de ferrugem na estrutura do reservatório, que era metálica e, segundo moradores, já apresentava problemas de manutenção e risco de queda. “A olho nu, a gente vê que existe um problema na base da caixa d’água. Ela está completamente corroída e enferrujada, e isso a gente não pode negar”, admitiu o delegado Marcos Garcia, que abriu inquérito policial também para investigar se houve algum crime de responsabilidade no episódio.

De acordo com a Defesa Civil, não há prazo definido para que os laudos técnicos fiquem prontos e sejam inquéritos ao promotor e ao delegado. O Crea, por sua vez, informou em coletiva de imprensa que vai apenas acompanhar as investigações oficiais. Diretores e técnicos da Deso também participaram da vistoria e alegaram que o reservatório tinha sido reconstruído há cinco anos, a partir da reivindicação dos próprios moradores, mas não souberam explicar o motivo dos sinais de corrosão e a suspeita de que ela teria provocado a queda.

Os representantes da companhia asseguraram que vão reconstruir a Escola Osman Oliveira com a ajuda da Prefeitura de Dores e prometeram fazer isso no tempo “mais breve possível”. O Município, por sua vez, acenou com o aluguel temporário de um imóvel para abrigar as atividades da escola até a conclusão das obras.

 

Enterro – Ainda na manhã de ontem, e sob clima muita comoção, foram enterrados os corpos das crianças que morreram no acidente. Gilvan Manoel Porto Santos e Cícera Nicole Pereira Santos tinham apenas seis anos e estudavam no período infantil da Osman Oliveira. Os corpos foram velados na capela do povoado, cujo entorno foi tomado por moradores do povoado, amigos e parentes das famílias das vítimas. Os caixões com os corpos das crianças foram retirados da igreja por volta das 10h e levados para o enterro no cemitério do próprio povoado. Várias crianças com o uniforme do colégio seguiam à frente com coroas de flores nas mãos e muitas choravam.