Família suspeita de morte de homem no Hospital São José

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Publicada em 09/11/2017 às 06:53:00

Milton Alves Júnior

 

Peritos do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa estão sendo acionados pela Secretaria de Estado da Segurança Pública para investigar as causas da morte de Ediclan da Conceição Silva, um jovem de 29 anos que morreu na última terça-feira, 07, após receber atendimento psiquiátrico no Hospital São José, localizado no Bairro Santo Antônio, em Aracaju. De acordo com relatos dos familiares, o paciente apresentou inconsistência mental e foi conduzido até a unidade de saúde para receber os devidos tratamentos. Já no local, Ediclan teria se negado a receber medicamento, e, ao tentar deixar o hospital, foi impedido pelos servidores sob tortura.

As denuncias apontam ainda para uma suposta falta de profissionalismo por parte de agentes de segurança patrimonial e de enfermeiros da unidade. Segundo a mãe do paciente, Larissa Marilia da Conceição, o porteiro teria abordado a vítima e a posicionou no chão violentamente com o auxílio de enfermeiros. Inquieta diante da cena, ela foi conduzida até uma sala de espera, quando, minutos depois, presenciou o filho sendo transportado em uma maca onde recebia doses de soro e massagens na região do coração. Já no final da tarde uma equipe de médicos anunciou a morte do filho sem apresentar os motivos do óbito.

Segundo Larissa Marilia: “eles não disseram, mas eu tenho plena convicção que os motivos foram vários, em especial a falta de cuidado e zelo pela vida dos pacientes. O meu filho sofria com esquizofrenia, mas na terça eu tinha conseguido leva-lo caminhando. Ele entrou no hospital consciente e saiu dentro de um caixão”, ainda de acordo com a testemunha: “outras pessoas viram a hora em que o porteiro chutou meu filho no peito e os outros funcionários deram uma chave de braço no pescoço dele. Levei ele para ser tratado, e não morto pelos funcionários”. O estado de nervosismo teve início após Ediclan ter se recusado a receber medicamentos.

 

Hospital - Por meio de nota, a direção hospitalar informou que: “foram seguidos os protocolos assistenciais relacionados ao quadro clínico do paciente, que contempla a contenção química e física afim de garantir a segurança do próprio paciente. Todos os recursos existentes foram disponibilizados de modo a salvaguardar  a integridade do paciente, desde a sua chegada até aos procedimentos em sala de estabilização. O paciente veio à óbito às 17h05 quando ainda estavam em investigação para elucidação diagnóstica, não sendo possível desta forma a definição da causa morte, e conforme orientação do CFM, foram encaminhado ao Instituto Médico Legal para necropsia e subsequente Declaração de Óbito”.

O Hospital São José alegou ainda que: “lamenta o ocorrido, compreende a ansiedade dos familiares no atendimento que chegaram até a agredir e ameaçar os colaboradores da instituição, e põe-se a disposição para os esclarecimentos que se façam necessários”. O paciente possuía antecedentes de atendimento na instituição e era acompanhado pelo Centro de Atenção Psicossocial - CAPS Álcool e Drogas Primavera e no CAPS Jael Rodriguez. O irmão de Edclan, Cleones da Conceição, também criticou o hospital e a condução da Polícia Criminalística.

 “Os agentes da polícia chegaram no São José e foram logo na sala onde estavam os diretores; passaram um tempo por lá e depois saíram sem nem ir averiguar o corpo do meu irmão. Durante todo o tempo – desde que minha mãe chegou e saiu do hospital, a nossa família foi ignorada por todos e não podemos aceitar esse descaso. É preciso denunciar para que outras famílias também não passem pelo mesmo sofrimento”, declarou. Amostras do corpo foram colhidas e o laudo desenvolvido pelo Instituto Médico Legal deve ser concluído em até 30 dias.