Cavo não paga salário e garis entram em greve

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Publicada em 10/11/2017 às 06:09:00

Milton Alves Júnior

 

Insatisfeitos com a perspectiva de somente receber o salário referente ao mês de outubro na próxima terça-feira, 14, centenas de garis e margaridas decidiram cruzar os braços na manhã de ontem e suspender o serviço de coleta de lixo doméstico e comercial em todos os bairros de Aracaju. Enquanto a Prefeitura de Aracaju se desdobra administrativamente para quitar débitos exorbitantes, o Grupo ESTRE/Cavo alega possuir um déficit superior a 70 milhões de reais e não cumpre com o pagamento salarial dentro do quinto dia útil.

Por intermédio da Assessoria de Comunicação, a Cavo informou que: "a paralisação dos serviços de coleta é decorrência da inadimplência contumaz da prefeitura municipal de Aracaju que deve ao Grupo Estre mais de R$ 70 milhões. A Cavo, empresa do Grupo Estre, motivada pelo compromisso de continuar servindo com qualidade a população aracajuana, vinha contornando esse transtorno financeiro com a mobilização de recursos extraorçamentários, o que não foi mais possível até o momento. Em demonstração do compromisso da empresa de seguir, por seu lado, honrando o contrato com a Prefeitura de Aracaju, parte da equipe de coleta está operando normalmente com prioridade para o atendimento de hospitais, mercados e feiras, repartições públicas e da orla da capital sergipana".

Ainda em nota pública o grupo informou que: "mobilizou esforços e contraiu empréstimo para, mesmo sem a contrapartida da Prefeitura, efetuar ainda hoje o pagamento dos salários de seus profissionais que, assim como a empresa, vêm sendo vítimas dos atrasos no pagamento de serviços efetivamente já realizados". Na ótica apresentada pela direção do Sindicato dos Empregados de Limpeza Pública e Comercial do Estado de Sergipe (Sindilimp), é preciso que os órgãos públicos de fiscalização, defesa dos trabalhadores e justiça se tornem mais presentes na luta da classe.

"É triste perceber que depois de tantos problemas já enfrentados a gente continue nessa gestão atual sofrendo na pele os problemas da administração anterior. Sofrem os trabalhadores, os empresários e também todos os aracajuanos que estão mais uma vez tendo que acumular quilos e mais quilos de lixo dentro, ou nas portas de casa. Os trabalhadores decretaram suspender as atividades na manhã de ontem além das duas horas previamente definidas", declarou Anderson Vidal, vice-presidente sindical. Questionado quanto ao apelo feito ao Ministério Público Estadual, e do Trabalho, ele completou dizendo: "todos, precisamos de todos! Do MPE ao Tribunal de Justiça e as instâncias superiores. Os garis e margaridas clamam por ajuda".

 

 

PMA - A Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), informou que a administração pública tem trabalhado intensamente para cumprir com todas as demandas financeiras. A PMA destacou ainda que a última parcela do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) foi depositada com cerca de R$ 3,5 milhões a menos. Diante dessa conjuntura não há previsão do pagamento integral do valor em aberto.