Quadrilha age com violência em assalto ao Parque dos Falcões, em Itabaiana

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Os assaltantes mataram um filhote de gavião-pedrês. Foto: Divulgação
Os assaltantes mataram um filhote de gavião-pedrês. Foto: Divulgação

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Publicada em 14/11/2017 às 06:28:00

Gabriel Damásio

 

O assalto cometido neste domingo por seis homens armados contra o Parque dos Falcões, em Itabaiana (Agreste), começou a ser investigado por equipes das polícias Civil e Federal. Ontem à tarde, o fundador do parque, Percílio Mendonça, e seu advogado Antônio Novais Filho estiveram na sede da Superintendência Regional da PF, no Siqueira Campos (zona oeste de Aracaju) e prestaram as primeiras informações sobre o crime, já que ele envolveu, além do assalto, a morte e o roubo de animais silvestres, considerados bens da União Federal. Antes, um inquérito policial foi instaurado pela Delegacia Regional de Itabaiana, que conseguiu depoimentos e algumas pistas para chegar aos assaltantes.

O grupo invadiu o Parque dos Falcões por volta do meio-dia de domingo, aproveitando a saída de um grupo de turistas. Durante cerca de meia hora, eles renderam e espancaram os funcionários, que davam banho nas aves de rapina que são criadas ali. Agindo com muita violência, eles agrediram principalmente o tratador e co-fundador do parque, Ricardo Alexandre Correia, e chegaram a rasgar as roupas de uma mulher, ameaçando estuprá-la. Em seguida, eles mataram um filhote de gavião-pedrês, atirando um tronco contra ele, e roubaram outros cinco animais raros, sendo um papagaio, dois passarinhos e dois filhotes de gavião, além de celulares e dinheiro. Os bandidos fugiram por um matagal ao perceber que outra refém conseguiu ir para uma área do parque e chamar a polícia.

Percílio Mendonça também foi agredido e relatou que os bandidos reviraram todos os móveis da casa-sede do Parque, em busca de dinheiro e objetos. De acordo com o fundador, os criminosos usavam coturnos, cobriam os rostos e vestiam roupas camufladas semelhantes às usadas pelo Exército. Além disso, procuravam por um cofre que não existe no local. Uma das suspeitas aponta que os bandidos já teriam conhecimento prévio sobre o conteúdo e a rotina do parque, pois buscaram algumas aves específicas e citaram o nome do tratador.

“Eles vieram procurando justamente por mim. Renderam Percílio e outro rapaz no fundo [do parque] e chegaram perguntando: ‘Cadê o lutador? Cadê o lutador, o Alexandre?’. E Percílio perguntou ‘Alexandre?’. Eu pensei na hora que ele estava me chamando, mas quando eu respondi, eles [os bandidos] entraram em casa com a pistola em minha direção. Aí ele falou: ‘Você que é o lutador? É você o mais perigoso daqui?’. Foi quando começaram a me espancar”, contou Correia, que teve o nariz e alguns dentes quebrados quando um dos bandidos pulou em cima de sua cabeça.

Abatido, ao percorrer as sedes das polícias Civil e Federal na tarde de ontem, Percílio ainda carregava nos braços o corpo do filhote de gavião, que poderá ser enterrado ou embalsamado. “Ninguém esperava essa violência. Em 17 anos que estou no parque, nunca tinha acontecido uma coisa como essa. Eu não vou desistir. Não vou deixar que seis maus elementos destruírem o nosso sonho”, afirmou ele, apelando que as autoridades do Estado e da União colaborem mais com a manutenção do parque, oferecendo segurança e manutenção. “Todas essas aves que recebemos aqui, eu recebo da Nação para cuidar, sem receber nada. Se eu não aceitá-las, elas serão sacrificadas”, lamentou Percílio.

Três equipes da Polícia Militar em Itabaiana e Areia Branca fizeram buscas nos povoados próximos. A Polícia Civil informou que algumas testemunhas já foram ouvidas e confirmou a investigação da suspeita de que os bandidos teriam conhecimento prévio sobre a rotina do parque. O advogado do Parque dos Falcões explicou que os autores do assalto podem responder por crimes de roubo, extorsão, formação de quadrilha, lesão corporal, ameaça e maus-tratos a animais, devido à morte do filhote de gavião. “Vários danos foram causados, inclusive ambiental. Falar em reparação é difícil, porque eles não têm dinheiro para reparar os danos causados e nem para trazer a vida do animal de volta. O que vamos buscar e efetivamente é a responsabilização criminal dos que cometeram esse ato”, garantiu Novais.

Localizado dentro do Parque Nacional da Serra de Itabaiana, o Parque dos Falcões foi criado há 17 anos e é um dos únicos santuários de preservação e recuperação de aves de rapina na América do Sul, tendo consigo centenas de animais de várias espécies raras. O Instituto Nacional do Meio Ambiente (Ibama) afirmou em nota que o crime é “lamentável e inaceitável”, garantindo que os assaltantes também serão punidos com base na legislação ambiental.