DA ¨PRISÃO DO MIJO¨ AO CAVALO NA CADEIA

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Publicada em 20/11/2017 às 06:29:00

Um industrial sergipano Eurico Amado, trocara o Rio de Janeiro por Aracaju, para administrar uma fábricas de tecidos da sua família em São Cristovão. Eurico ligou-se à intelectualidade da terra e participava do grupo da Gazeta de Sergipe, tornou-se um colaborador, escrevendo quase sempre sobre temas econômicos. Parecia sintonizado com as ideias dos jovens socialistas que gravitavam em torno do jornalista Orlando Dantas, dono do jornal que há pouco tempo trocara de nome. Acabou-se a Gazeta Socialista, surgia a Gazeta de Sergipe,  mais palatável ao conservadorismo das ¨classes produtoras¨, e delas se habilitava a receber anúncios.  Eurico, industrial moderno, e Orlando usineiro dissidente, pareciam falar a mesma linguagem política, mas nas empresas que dirigiam, Marx e Engels ficavam do lado de fora.  Orlando Dantas ameaçado pelo golpe,surpreendeu-se quando Eurico foi indicado em 1964 pelo  ¨poder revolucionário¨ para ser interventor na Federação das Industrias do Rio de Janeiro. No Rio, a esposa de Eurico, Helô Amado, rosto de beleza helênica onde afloravam  sensualidades tropicais,  brilhava no High-Society, foi capa da revista O Cruzeiro, com tiragem de meio milhão de exemplares, e várias vezes incluída na lista das  Dez Mais, elaborada pelo  colunista social Ibrahim Sued, o mais inteligente dos analfabetos brasileiros.

Ela, e o marido Eurico, organizaram naquela fase de euforia do golpe vitorioso um churrasco monumental, com os convidados espalhados pelas mesas no bosque ao lado da fábrica em São Cristovão. Havia militares, os governadores, de Sergipe, Celso de Carvalho, da Bahia, Lomanto Junior, de Alagoas, Major Cavalcanti, de Pernambuco, Paulo Guerra, senadores,  deputados, magistrados, promotores, empresários, socialites, religiosos, líderes sindicais que apoiavam o novo regime. Claro, lá estava o coronel Tércio Veras, comandante do 28 º BC, homem afável, nem parecia autoritário, mas alterava o comportamento após alguns copos de uísque,  e  não era bebedor de poucos copos. Esvaziavam-se barris de chope e cresciam filas, para homens e  mulheres,  diante  de sanitários em duas casas. O coronel Tércio dirige-se a uma delas, e vai passando à frente de todo mundo. No primeiro lugar, prestes a fazer seu pacífico xixi,estava um cidadão que  era o prefeito de Jequié, viera junto com Lomanto, e quando o coronel tomou-lhe o lugar  reclamou, dizendo que era preciso respeitar a ordem na fila. O coronel empertigou-se e disparou: ¨Eu sou o representante em Sergipe do comando revolucionário.¨ O prefeito não fraquejou e respondeu: ¨Na hora de mijar todo mundo é igual.  ¨Aos gritos o coronel disse que não era bem assim, havia diferenças, e ele estava preso por desacato.  Formou-se um tumulto, só desfeito pela intercessão do general comandante da 6ª RM.

 O médico e professor Garcia Moreno, numa mesa próxima,  não perdeu a oportunidade para a sátira: ¨Vejam como é poderosa essa revolução, já faz até prisão de mijo.¨

Não fosse Sergipe tão longe e tão mudo, o episódio da ¨prisão de mijo¨ teria sido incluído no  ¨Festival de Besteiras que Assola o Pais¨. O Fêbeapá do jornalista-humorista, Stanislaw Ponte Preta, colunista da Última Hora.

No Rio, São Paulo, ainda havia um espaço de liberdade de imprensa que o general presidente Castello Branco tolerava, a tal ponto que o jornalista Carlos Lacerda, o ¨general civil¨ do golpe, o chamou de ¨Anjo da Rua Conde Lage¨. Traduzindo: puta, meretriz, marafona.

Hoje, todavia, Londres fica junto de Katamandu, Paris ao lado do Burundí, e Aracaju também ganha o mundo, está em Nova Iorque, no deserto do Sahara, até em Rovaniemi, colada ao Círculo Ártico, na lapônia finlandesa, isso, desde que as pessoas se interessem em ocupar as redes sociais, como fez um jornalista sergipano que lá estava, tirando os olhos de um urso branco protegendo-se na sombra , do ¨calor¨ de verão aos oito graus centígrados, para, com espanto, ver na ¨telinha¨ do celular a figura  envolta em flores e paetês do poeta Araripe Coutinho no êxtase anárquico- estético  da sua rotunda bizarrice, espalhando-se, como semi-deus romano num sofá estilo arte-déco, sorrindo  feito etéreo anjo barroco bobinho,  ou sátiro vitorioso,  deslumbrando-se  na sua traquinagem dentro do Palácio Museu  de Sergipe, cuja restauração estava quase concluída.

Uma outra dessas traquinagens espirituosas, foi a gozação  feita pelo vereador Cosme Fateira para reforçar a sua critica ao sistema de recolhimento do lixo.  Era Prefeito o economista Aloísio de Campos,gestor qualificado e que não dava muita importância aos vereadores, menos ainda ao gozador Fateira, que, sentindo-se desprestigiado, procurou um jornalista  pedindo-lhe que fizesse uma exposição de motivos para o titulo de cidadão aracajuano   sugerido para o urubu, ave  que, segundo ele ,  livrava a cidade do cheiro de carniça,  saindo do lixo nauseabundo.

A Exposição de Motivos foi feita com ironia e graça, colocando o urubu no pedestal das aves benfazejas,  amigas da cidade, por isso, merecedora da honraria. Quando Cosme leu a justificativa, houve um tumulto na Câmara, e alguns vereadores  chamaram a atenção das autoridades militares para as atitudes ¨subversivas¨ de Fateira, que quase acabou cassado por causa do urubu-lixeiro e cidadão.

O jornalista Ivan Valença numa época em que o Brasil nem tinha ideia do que seria a ¨aldeia global¨, saiu à cata da repercussão do titulo ao urubu. Identificou noticiaspublicadas no Brasil e no mundo, inclusive em grandes jornais do exterior, como  o La Prensa de Buenos Aires, o New York Times  o Corriere de La Sera , italiano, e até no sorumbático Pravda de Moscou, que na época  não revelou, porque se o fizesse, cairia na lista de um major sempre embriagado,  que  andava procurando ligações suspeitas em Aracaju com os inimigos da Rússia comunista, que a revolução brasileira acabara de derrotar militarmente.

Já a foto do cavalo, atrás das grades de um delegacia sergipana em Nossa Senhora Aparecida, dela, ninguém achou graça, nela, não se descobriu nenhum traço da ousadia rebelde de um poeta, apenas, evidenciou-se a estupidez em estado bruto de uma autoridade policial. Enquanto a cara desolada do cavalo atrás das grades fazia volta ao mundo, milhões dos que a viram agora duvidam da nossa suposta condição de civilizados.

Entre a prisão de mijo e a prisão do cavalo lá se foi mais de meio século, mas, daquela doença do autoritarismo a exibir-se, ainda não conseguimos escapar.

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O PETROLEO O REI ÍDRIS

E O BRASIL ASSALTADO

 

O negócio do petróleo, teria dito Rockefeller, é um cowboy onde não existem mocinhos, todos são bandidos mesmo. Ele sabia do que falava. Sua petroleira fez movimentar exércitos à sua frente ou na retaguarda, traçou fronteiras mudando a geografia, criou enclaves exclusivos em meio ao deserto, dividiu países e inventou novos, fez tudo isso para alimentar a insaciável fome pelo ouro negro, que agudizou-se desde o inicio do século vinte, e traçou a nova geopolítica global.

Em agosto de 1970, o rei Ídris da Líbia fazia a inauguração festiva do oleoduto da África do Norte que iria servir para escoar o petróleo produzido pela Occidental Petrole um a empresa de Armand Hammer, um sujeito que nos anos vinte, quando a revolução comunista  vencera as ultimas resistências, tornou-se amigo do líder Lênin,  fez excelentes negócios , e  entrou na lista dos homens mais ricos do mundo. Na Líbia, Hammer, visto como outsider entre os magnatas do petróleo, controlava uma extensa área, da qual era dono absoluto. Naquele dia de festa ele comemorava mais um triunfo, e o rei Ídris, anfitrião, lhe fazia reverencias, e apresentava aos convivas mulheres exuberantes importadas da Itália para fazerem o tempero principal do banquete  de magnatas.

Comandando a guarda de honra estava o capitão Muhamad Khadafi. Era um inconformado com a degeneração moral da corte de rei Ídris,  que comprovara antes, numa noite em Londres, quando, numa folga da escola militar de elite onde estudava  foi ao Clube dos Embaixadores.  Enojado, viu um homem perderem duas horas numa mesa de jogo meio milhão de dólares. O devasso jogador, soube depois, era conselheiro do rei Ídris, e o dinheiro dissipado roubado da Líbia. Em breve, Ídris estaria deposto e exilado, e o capitão assumira o comando dos desertos e dos rios subterrâneos de petróleo. A princípio pensou em nacionalizar as empresas, mas um amigo que nomeou Primeiro Ministro, experiente e conhecedor dos labirintos do negócio, o aconselhou: ¨Acabe as bases americanas, inglesas, mas deixe intocadas as petroleiras, não temos capacidade para substituí-las. Faça a Hammer a proposta única: 50 centavos de dólar a mais sobre o preço de cada barril, ou a nacionalização. ¨Hammer aceitou sem pestanejar, as outras empresas vieram no rastro. Khadafitornou-se um autocrata mais corrupto ainda do que o rei Ídris. Acabou sendo coletivamente sodomizado em praça pública, parte do ritual bárbaro da sua execução por uma turba raivosa... e endurecida.   Mas a semente da OPEP, foi lançada pelo capitão ousado, e dai em diante os árabes viraram o jogo.

 A Arábia Saudita constrói, entre tantas coisas fantásticas uma cidade da inovação que em trinta anos suplantará Nova Iorque; os Emirados Árabes nadam em prosperidade, e constroem o futuro com arrojo, invenção, ciência e tecnologia.

O nosso pré-sal é coisa de dar inveja à Arábia Saudita e aos Emirados. São mais de 400 bilhões de barris. Não há exageros, é tudo real, e uma parte dele já está produzindo, e isso se deve à tecnologia de águas ultra-profundas que a PETROBRAS criou. Nossa situação é bem diferente da Líbia, que nem sabia tirar petróleo em terra.

 A Petrobrás evidentemente não pode ser monopolista, até porque não tem condições de explorar sozinha aquele oceano de óleo. As circunstancias hoje são bem diferentes de quando se queimava petróleo à vontade, sem atentar para a poluição e as consequências, entre ela só aquecimento global, que não é invenção de cientista maluco ou mal intencionado. As energias limpas estão substituindo o petróleo, mas mesmo quando o ouro negro não for mais usado como combustível ele continuará alimentando a gigantesca indústria petroquímica. Novas tecnologias também começam a ser usadas para reduzir os efeitos deletérios da queima do combustível fóssil.

A defesa dos interesses de cada país permanece sendo essencial na agenda de qualquer tipo de negociação que se faça, mas na oferta do pré-sal agimos como um pais submisso, miserável, sem know-how, entregando uma riqueza  da qual nem atentariamos para o seu valor efetivo.

Não temos mais governo, temos uma quadrilha no poder,  mais corrupta do que o reizinho  Idris da Líbia.

Corrupta e apátrida, para ela não existe Brasil, existem os seus bolsos. Age com maior desenvoltura ainda, por ter a certeza de que aqui não existem capitães audaciosos como Khadafi.

Abriram mão de um trilhão de dólares com o presente das isenções, vão dar mais ainda vinte bilhões de reais às empresas estrangeiras através do BNDES, e trocaram o sistema de concessão por compartilhamento, porta escancarada  para a  fraude. As multinacionais do petróleo aqui instaladas terão ainda o privilegio de importar sem impostos navios, plataformas, máquinas, até camisinhas e absorventes íntimos. Ou seja, vai ser sucateada completamente toda a indústria naval brasileira, e fecharão centenas de fábricas. Tudo isso feito por um governo classificado pela Procuradoria Geral da República como uma Organização Criminosa. Aqui, as petroleiras voltam a agir com a licenciosidade que tinham nos tempos das ¨três irmãs ¨, o oligopólio que subjugava o mundo.

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DA INSOLVÊNCIA MORAL

À SOLVENCIA ECONÔMICA

 

O ¨mercado ¨, um ente abstrato, é também onipresente. Ninguém o enxerga, mas as suas ações, os seus efeitos, são sentidos hoje em qualquer parte do mundo.  Antes, quando o mundo dividia-se entre capitalismo e comunismo o mercado era apontado como portador das virtudes da livre iniciativa, das ideias liberais, da proteção diante do colosso intervencionista do Estado.

 O mercado não tem pátria, não cultua valores definidos, não tem responsabilidades sociais, tem um objetivo único e hoje global: o lucro. O mercado ao correr do tempo foi deixando pelo caminho a indústria, o comércio, os serviços, a agricultura, e  restringiu-se a uma única atividade: a especulação financeira, ou o controle da massa real da economia pelo volume imaterial de dinheiro circulando muitos trilhões acima do   valor bruto de toda a produção mundial. É fácil concluir que a marcha da economia é ficção que se sustenta enquanto a gigantesca  ¨bolha¨ financeira não arrebentar.

Mas não adianta brigar contra o mercado, porque ele resulta de uma combinação internacional perversa e forte,na qual os grandes, Estados Unidos, China, Japão, Alemanha, estão bem afinados. Só uma inepta tipo Dilma Roussef poderia imaginar que a sua ¨modelagem econômica inovadora¨ poderia ir adiante sem agradar aos banqueiros, e ao cassino global.

JosÉ Mujica, o ex-guerrilheiro que governou o Uruguai em dois mandatos com grande sucesso e honestidade , tinha a fórmula que se revelou sensata e eficaz para levar adiante, sem tombos, o  projeto de modernização social do país. Dizia ele que o seu governo dividiu em três partes às atenções: um terço para o mercado, um terço para o conservadorismo rural do país, um terço para o avanço social. Saiu festejado por todos, continua morando num sitio modesto nos arredores de Montevideu, e dirige um fusca. Era pobre e continua pobre.

Lula teria sido o nosso Mujica.  Ele foi o pai dos pobres e mãe dos ricos, mas fez o pior, tornou-se pai e mãe dos que ocuparam postos no Estado, nas empresas, nos fundos de pensão, nas organizações sociais, e se excederam no avanço aos cofres públicos.

Para viver o mercado e nele ser aceito como participante, é imprescindível que todo país se faça primeiro respeitado. E respeito internacional é exatamente o que agora nos falta. Assim, caem sobre o Brasil todas as quadrilhas de especuladores que aqui projetam lucros fabulosos à custa da nossa leniente cumplicidade com a espoliação.

Rejeitado por 97% dos brasileiros, o governo, se assim se pode chamá-lo, continua, o mercado até agora o sustentou, a pior parte do  mercado, a  financeira –especulativa.  Pagamos para que viessem controlar o pré-sal, ou simplesmente o exibirem como ativo para inflar suas ações nas bolsas;pedimos que ¨comprem ¨ as elétricas, depois, iremos indenizá- los, liberando créditos de muitos bilhões que o sistema ELETROBRAS tem disponíveis na União. Quase a eles entregamos o coração mais rico da amazônia, enquanto aqui dentro, para contemplar o inconformismo com a Lei Aurea, editamos uma portaria infame, que felizmente a reação interna e internacional fez com que a Justiça a revogasse.

Agora o governo vende a ilusão de que conseguiremos sair da insolvência econômico-financeira, por isso, é preciso que esqueçamos da pior das insolvências: a moral.  Mas, enquanto esta persistir, não haverá salvação.

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 DR. MODESTO E AS PEDRAS

 QUE PODEM DAR LEITE

Josué Modesto dos Passos é um scholar dos mais qualificados. Foi Reitor da UFS, era até pouco tempo reitor de uma Universidade em Foz do Iguaçú, centro de saber estrategicamente escolhido para dar consistência ao projeto de integração do Cone Sul. Professor, doutor em economia, tem a bagagem de conhecimento indispensável para gerir com eficiência qualquer área do espaço publico. Vai dai, Jackson o convidou para integrar o seu governo, a ele oferecendo uma das  quatro mais difíceis Pastas: a da Fazenda. As outras são a Saúde, a Educação e a Segurança Publica. Antes da nomeação de Josué houve quem lembrasse a JB: ¨Politicamente não é recomendável que se nomeie um personagem que pela sua dimensão ficaria difícil de ser demitido¨. Lembraram ainda que Josué era um pensador, um formulador de ideias,talvez por isso não se adaptasse bem ao clima eminentemente pratico de uma secretaria de finanças. Ai, revelava-se aquele preconceito velho que Sergipe alimenta contra a participação de intelectuais na vida pública, basta ver o que fizeram com o mais emblemático deles, Luiz Antônio Barreto, homem  de visão e de ação, que teve quase demolido a seu conceito pessoal. Só depois de morto, por justiça o reabilitam.

Pois bem, JB não deu ouvidos, manteve firme o convite a Josué. Ele retornou a Aracaju e aceitou o desafio.

Está sendo superado o prognóstico pessimista de que nada se poderia fazer porque em época de crise é impossível ¨tirar leite de pedras¨.  Mas não era bem assim, havia ¨pedras¨ até leiteiras, que teriam sido negligenciadas. Como por exemplo o petróleo, o gás, ¨pedras cantadas¨ mas que não quiseram ouvir. Na SERGAS, Welington Paixão fez minucioso levantamento e descobriu créditos, além de fraudes. Josué, com a equipe eficiente que tem,  tornou-se mais detetive do que pensador, e foi em busca de todas as pistas. Não há ainda perspectivas de alívio próximo, porque, a crise permanece .

Mas agora há créditos líquidos e certos a receber, e luta-se contra barreiras. O Josué pragmático revela-se na formulação de um REFIS, esperança de receber uma parte do que já se classificava como créditos podres,  e ainda o objetivo de facilitar a vida de contribuintes  querendo pagar, mas em dificuldades.  Assim, paralelamente, se faz um estímulo à economia.

 Começa uma campanha promocional com prêmios e muita divulgação, incentivo aos sergipanos a pedirem a sua nota, e a mensagem revela alto nível de profissionalismo. A peça na TV é comparável ao que de melhor se faz no país. Resta agora os sergipanos aderirem à campanha, os prêmios são atraentes e a solicitação exigente da nota é direito do consumidor, em todos os locais onde compra. 

Enquanto inaugura-se um sistema de TI, se reativam também em pontos estratégicos os postos de fiscalização. O que pretende o núcleo arrecadador não é tirar ¨leite de pedra ¨ mas encontrar as pedras onde  existe ¨leite¨, oculto pela sonegação.  Corrige-se a injustiça com os contribuintes pontuais, que se desestimulam assistindo a impunidade dos sonegadores.

 Jackson estava certo quando apostou no Doutor Modesto.

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O ¨VIN D’HONEUR¨ DA IMPUNIDADE

 

Na noite de sexta–feira o deputado presidente da Assembleia do Rio de Janeiro, já em casa, era filmado tomando o seu vinho. Festejava a impunidade. Os franceses, sempre elegantes, criaram o vin d`honeur, (vinho de honra ) o brinde cerimonial que se faz nas grandes ocasiões, nas cerimônias públicas, em grandes eventos familiares. Em momentos até históricos.

O pervertido ¨vin d`honeur ¨ do parlamentar bandido, seria  a expressão mais cínica de um momento critico da nossa História, talvez, o acinte maior a um povo humilhado, que agora afunda na letargia dos covardes

Depois do que aconteceu na Assembleia do Rio fica difícil manter a esperança de que através apenas da política e dos ritos estritamente constitucionais, será possível superar a tenebrosa crise moral brasileira. Os 39 deputados estaduais que votaram pela libertação dos seus colegas ladrões, presos na véspera, contra apenas 19 que quiseram mantê-los presos, deram a mais eloquente prova de que a organização criminosa está acima da lei. Certamente, por existirem tantos bandidos abrigados em mandatos. 

Tudo está sendo arquitetado nos altos escalões da República transformada em valhacouto. Vão, apesar do grito heróico da Procuradora Geral  Raquel Dodge, acabar a prisão em segunda instancia, retomando-se o caminho da protelação e da impunidade;  fazem  cerco às ações da Policia Federal, já tentaram, sem êxito até agora, aquietar o Ministério Público, já botaram o pé firme dentro do Supremo Tribunal, e o Poder Legislativo virou apêndice desavergonhado da ¨Organização¨ ousada. Vão aplicar um torniquete na Lava Jato, enquanto isso, Zé Dirceu dança alegre, e Aécio se lança candidato a governador de Minas.

 Jogaram as forças armadas numa operação de combate à criminalidade no Rio, somente para fazer marketing político, e talvez com o propósito real de levá-las também ao descredito.

A grande maioria da classe política discute em primeiro lugar, como salvar a própria pele, em  segundo, como ter sucesso nas próximas eleições. Há o assalto aos Ministérios, e o governo já libera recursos do orçamento para a farra eleitoral, contrapartida pelo arquivamento da segunda denúncia.

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 AS DUVIDOSAS FILANTROPIAS

Hospitais ou maternidades geridos sob o manto de fundações filantrópicas, tantas vezes ocultam interesses político–eleitoreiros,  e isso é o mínimo que se pode dizer  a respeito de tais praticas de benemerência, algumas, sob pesadas suspeitas. Melhor do que sustentar fundações assim duvidosas, inclusive sob a tentação do patrimonialismo sobrepondo-se à caridade, esta, quase inexistente, seria estatizá-las por completo, já que vivem tão somente dos recursos públicos nelas injetados, embora cobrem pela maior parte dos serviços que prestam. Já se tornou cansativa essa novela interminável em que fundações fecham as portas de hospitais alegando falta de repasses do poder público, mas não sendo submetidas a uma auditoria rigorosa nas suas contas. Um hospital filantrópico em Estância, por exemplo, custa mais do que um similar público, mas recebe verbas federais, estaduais e municipais, O mesmo se pode aplicar ao Hospital de Cirurgia, onde tanto se faz política eleitoreira mesmo, e tanto se sugam recursos públicos.

Sobre aquele hospital, um cidadão que lá foi interventor, nomeado por Albano, o economista e contador Edgard Motta, fez um relatório que ainda hoje permanece atual. Detalhe: Edgar deixou o Cirurgia com suas contas rigorosamente em dia, e o desmantelo  restabeleceu-se pouco tempo depois.

Por que o Ministério Público não entra mais a fundo nesses, digamos assim, pequenos detalhes?

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 A CHACINA NAS RUAS LETAIS

 

O Brasil ocupa o 5º lugar na catástrofe mundial de mortes no trânsito. Está atrás da China, com um 1 bi e 300 milhões de habitantes, da Índia com quase a mesma coisa, dos Estados Unidos, com mais de 300 mil e a maior frota  do mundo, e da Rússia, com população menor do que a nossa, mas excesso de vodca na cabeça de 60 % dos motoristas. As nossas cifras de letalidade são impressionantes, aterradoras até. Em 10 anos perdemos no trânsito mais vidas do que em todas as guerras e revoluções nas quais nos envolvemos em cinco séculos de existência.

Sergipe não está fora das estatísticas trágicas.  Aracaju registra, diariamente, acidentes de trânsito com vitimas fatais ou feridos.  Segundo o agente de transito Diego Soares, há todo um trabalho realizado pela SMTT, através da Coordenadoria de Educação para o Trânsito – CET, para conscientizar os aracajuanos sobre as principais causas e formas de prevenção contra acidentes.  O Grupo de Teatro Cones realiza espetáculos, que são aulas reforçadas com a pedagogia da encenação, atingindo todos os públicos, inclusive os futuros motoristas nas escolas.

O terceiro domingo de novembro é data escolhida pela ONU para celebrar o dia mundial em memória das vitimas do transito. A SMTT fez programação que inclui celebrações religiosas. Missas celebradas na Catedral Metropolitana às 8 h, na Igreja Santa Lúcia às 19h, Culto Espírita ás 19h30, no Pronto Socorro Bezerra de Menezes, bairro Salgado Filho, e Culto Evangélico na Assembleia de Deus,  Bairro São Conrado, rua C, nº 90 , às 18h.