Greve geral: ônibus e comércio pararam só de manhã

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Publicada em 06/12/2017 às 06:12:00

A greve geral convocada por movimentos de esquerda contrários ao projeto de reforma da Previdência mobilizou centenas de manifestantes e provocou uma paralisação nos serviços de Aracaju e de algumas cidades. Mais de 10 categorias aderiram ao movimento, que começou forte durante a manhã e interrompeu tanto a circulação do transporte coletivo quanto o funcionamento das lojas, dos bancos e das escolas públicas. A paralisação, no entanto, perdeu força no início da tarde, quando os coletivos voltaram a circular e os estabelecimentos reabriram as portas.

Durante a madrugada, os manifestantes bloquearam as portas das empresas de ônibus Progresso, Modelo e Atalaia, impedindo a saída dos veículos, bem como a entrada dos rodoviários. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Aracaju (Sinttra), os bloqueios foram conduzidos por integrantes das centrais sindicais, que não foram citadas diretamente na liminar concedida anteontem pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT-20), a qual ordenava a circulação de um efetivo mínimo de 40% do transporte coletivo. Os piquetes foram montados igualmente nos terminais de integração.

Em geral, os movimentos foram pacíficos e os representantes das centrais firmaram acordos com a Polícia Militar, prometendo fazer as manifestações sem bloquear as avenidas com fogo em pneus e outros objetos. Mesmo assim, nenhum ônibus saiu por toda a manhã, comprometendo o transporte dos 230 mil passageiros que circulam em Aracaju e Grande Aracaju. Todos os táxis e carros de transporte escolar foram autorizados pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito(SMTT) a fazer o serviço de táxi-lotação.

Também durante a madrugada, outros manifestantes favoráveis à greve bloquearam um trecho da BR-235, próximo à Avenida Lauro Porto, que foi fechado com fogo em pneus. O bloqueio só foi desfeito por volta das 10h, mas o trânsito ficou bastante congestionado. Os bloqueios se estenderam também pelas duas pontes de acesso a Nossa Senhora do Socorro. E houve um grande congestionamento em avenidas como a Marechal Rondon, que dá acesso ao bairro Rosa Elze e ao conjunto Eduardo Gomes, em São Cristóvão (Grande Aracaju).

Por volta das 7h, os manifestantes, foram para as ruas do centro comercial e tentaram interromper o funcionamento das lojas, aos gritos de “fecha, fecha, fecha”. Parte dos funcionários aderiu à paralisação, mas outra chegou a baixar as portas das lojas, mas as reabriram depois que os grevistas foram embora. A PM acompanhou o protesto, mas não houve incidentes.

 

Reações – A organização da greve geral avaliou o movimento em Sergipe como positivo e estima que 70% do comércio não abriu as portas ontem. Ela argumenta que ela criará força para impedir a aprovação da reforma da Previdência, avaliada como prejudicial aos brasileiros mais pobres. A presidente do Sindicato dos Bancários de Sergipe (Seeb), IvâniaPereira, garantiu que a luta está só começando, pois há grandes chances do governo colocar a Reforma da Previdência em votação no próximo dia 12 de dezembro.

As entidades patronais, por sua parte, deram uma repercussão péssima ao movimento e avaliam processar as entidades sindicais pelos prejuízos causados. O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sergipe (Acese), Marco Aurélio Tarquínio Pinheiro, considerou que o movimento não foi uma greve legitima, mas sim um “terrorismo político” patrocinado por partidos de esquerda. Outras entidades, como a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (Setransp), lamentaram a paralisação. “O Sindicato lamenta o transtorno ocorrido hoje para com os milhares de passageiros que ficaram sem transporte durante toda a manhã", diz a nota do sindicato patronal.