Condições climáticas favorecem chuvas para os próximos 5 anos

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Overland prevê chuvas regulares nos próximos anos em Sergipe. Foto: Divulgação
Overland prevê chuvas regulares nos próximos anos em Sergipe. Foto: Divulgação

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Publicada em 06/12/2017 às 06:12:00

O Nordeste brasileiro apresentou nos últimos seis anos um volume de chuvas abaixo da média histórica, sendo considerado o maior período de seca deste século. A região, que inclui Sergipe, Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Maranhão, Rio Grande do Norte e o norte de Minas Gerais, conta com cerca de 23 milhões de habitantes. Um levantamento de dados do Ministério da Integração Nacional mostra que 80% das cidades da região estiveram em estado de emergência entre novembro de 2016 e março de 2017. Em Sergipe, mais de 30 municípios chagaram a decretar calamidade hídrica.

Mas parece que a natureza dará uma “colher de chá” aos nordestinos nos próximos cinco anos, já que a previsão é de chuvas acima da média. Isso porque o El Niño, fenômeno atmosférico-oceânico caracterizado por um aquecimento anormal das águas superficiais no Oceano Pacífico Tropical e que altera o clima regional e global, não está ativo, como explica o coordenador da Sala de Situação Hidrometeorológica, Clima e Tempo da Semarh, Overland Amaral.

 “Para os próximos cinco anos, as condições climáticas são muito favoráveis para a incidência de chuvas para a região Nordeste, acabando com o ciclo da seca. A partir deste ano, nós entramos em outra condição. Isso porque o fenômeno El Niño, que cria uma barreira e direciona ondas de calor para o Nordeste, não está atuando. A partir de agora, para entendermos isso, nós passamos a estudar oscilação interdecadal do Oceano Pacífico, ou seja, estudar as principais fases do El Niño, La Niña e do estado Neutro. Tivemos que fazer um levantamento estatístico, utilizar vários métodos de modelos climatológicos e verificar se essa oscilação está presente”, detalha o meteorologista.

A oscilação, diz Overland, tem influência da seguinte forma: decadal positiva, que representa a fase quente e tem a presença do El Niño no Oceano Pacífico, diminuindo as chuvas do Nordeste. “Ou seja, fase quente favorece o El Niño, mas quando essa fase termina, entra a fase de chuvas para o Nordeste e não existe o bloqueio de calor. Esse ciclo começou a partir desse ano e deve se prolongar até 2022 ou 2025. Nessa fase, as chuvas serão acima da média”, prevê, com base nos modelos climatológicos.

 

Média - A média climática de Sergipe, no acumulado do ano, é de 1600 milímetros (mm) no Litoral, muito acima dos registros históricos; 1200 mm no Agreste e de 750 mm no Semiárido. “Nos próximos anos, vai predominar a presença do fenômeno La Niña e do estado Neutro. Vamos ter normalidade nas chuvas”, reafirma, ao explicar que o La Niña também é um fenômeno oceânico-atmosférico, mas com características opostas ao El Niño, com um esfriamento anormal nas águas superficiais do oceano Pacífico Tropical.

De acordo com Overland, o Nordeste do Brasil tem três regimes principais de chuvas: Norte e Nordeste, que abrange os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Piauí, municípios da Paraíba, Pernambuco, e parte Norte do Sertão, que vai de fevereiro a maio. Tem o Leste do Nordeste, que abrange Sergipe, Alagoas, Leste de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte e boa parte da Bahia, que vai de abril a agosto; e o do Sul e Oeste do Nordeste, que vai de novembro a março.