Torre e Estre reclamam de dívidas com a PMA, mas coleta é mantida

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Publicada em 07/12/2017 às 06:31:00

Gabriel Damásio

 

O dia de ontem foi marcado por impasses e ameaças de suspensão da coleta de lixo em Aracaju, por parte das duas empresas contratadas para executar o serviço. A Estre Ambiental, responsável pela empresa Cavo e pelo aterro sanitário de Rosário do Catete (Vale do Cotinguiba), ameaçou suspender a coleta e o transporte de lixo a partir do meio-dia, reclamando uma dívida de R$ 41,6 milhões em faturas devidas pela Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA). Um pouco mais cedo, garis e margaridas da Torre Empreendimentos, responsável pela coleta de entulhos, varrição, roçagem e limpeza geralem Aracaju, pararam suas atividades, queixando-se da falta de pagamento de salários, cestas básicas, vales-transportes e do tíquetes-alimentação.

O protesto da Torre foi organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Urbana de Sergipe (Sindilimp), que estava na concentração dos garis em frente à sede da empresa, no Distrito Industrial (zona sul). Além do atraso, eles se queixaram das condições de trabalho e de outras situações envolvendo a relação dos funcionários com os superiores. Os garis prometeram só suspender a paralisação depois que a diretoria da empresa confirmasse o depósito do dinheiro e dos benefícios nas contas bancárias dos empregados. O impasse durou cerca de duas horas, até a entrada de uma comissão dos manifestantes para conversar com a empresa. Além dos serviços de Aracaju, a coleta de lixo em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju) foi comprometida.

Em nota, a Torre repudiou a paralisação dos garis e considerou-a “ilegal e intempestiva”, além de ser “uma manobra estranha e de uma paralisação inesperada, sem qualquer diálogo com a empresa”.  A empresa baiana disse que recebeu uma notificação “genérica” do Sindilimp sobre irregularidades trabalhistas, mas o sindicato não atendeu ao prazo de 24 horas para detalhar as denúncias e nem cumpriu o prazo dado por ela própria para que a Torre se explicasse sobre problemas como ausência de controle de ponto, pagamento de 13º, plano de saúde, atrasos em salários e benefícios e outros. “A ação injustificada deixou a empresa sem condições de ao menos discutir os supostos problemas. Vale ressaltar que o sindicato e/ou trabalhadores nunca foram comunicar ao departamento de RH da Torre, suas reclamações, o que seria o procedimento correto”, criticou a empresa.

 

Estre – Já no caso da Estre, o impasse foi confirmado ainda na tarde de anteontem, quando a empresa paulista notificou a Emsurb (Empresa Municipal de Serviços Urbanos) sobre a paralisação, informando que não houve o pagamento de R$ 41,6 milhões referentes à confissão de dívida da PMA, assinada no mês passado, e das parcelas correntes, que ficaram atrasadas desde maio deste ano.

No meio da tarde, a Estre voltou atrás e suspendeu a paralisação da coleta e do recebimento do lixo no aterro de Rosário. Em outra nota, ela afirma que, “em respeito à população aracajuana e em reconhecimento aos esforços ininterruptos por parte da Emsurb, decidiu prorrogar o prazo para a busca de uma alternativa que viabilize a continuidade dos serviços”. Disse também que “atende assim ao compromisso informado pela Emsurb de adotar medidas urgentes para elaboração de um cronograma de pagamentos para seus credores, entre eles a Estre, para quitação dos valores em aberto, possivelmente entre o final de dezembro de 2017 e janeiro de 2018”.

Em seu pronunciamento oficial, a Emsurb confirmou que moveu uma ação contra a Estre na 18ª Vara Cível de Aracaju para tentar impedir a suspensão dos serviços, o que motivou uma reunião de negociação entre as diretorias das empresas. “A partir daí, entre as partes ficou acordado que em até 10 dias haverá negociação do cronograma de pagamento”, afirmou a repartição, deixando claro que a iniciativa anterior da Estre “causou surpresa à administração municipal, justamente porque o assunto estava sendo tratado com os seus representantes no decorrer de reuniões, inclusive com aEmsurb se preparando para apresentar cronograma de pagamento do passivo atual”. O comunicado afirmou também que, da dívida reclamada pela Estre, R$ 31 milhões foram herdadas da gestão de João Alves Filho (DEM), sendo posteriormente parceladas, em comum acordo com a própria empresa, e não mais estando sendo objeto de discussão.