Saumíneo analisa situação econômica do país

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Publicada em 24/12/2017 às 00:09:00

Em entrevista exclusiva ao Jornal do Dia, o superintendente do BNB no Estado de Alagoas, Saumíneo Nascimento, faz uma análise do cenário econômico no país para 2018 e se mostra otimista. “A economia brasileira poderá crescer bem mais em 2018, as previsões são próximas a 2% as mais reais e até 3%, a mais otimista”, avalia.  Ele também traça cenários para as empresas e as famílias e diz que o principal desafio hoje é a inclusão do jovem no mercado de trabalho.

Economista, doutor em Geografia Econômica e pós-doutor em Ciência da Propriedade Industrial, Saumíneo Nascimento foi secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, presidente do Banese e por muitos anos superintendente estadual do BNB, de onde é funcionário de carreira.

A partir de janeiro, Saumíneo voltará a atuar no Estado de Sergipe, agora na função de superintendente administrativo-financeiro do Grupo Tiradentes (Unit).  O banco já aprovou a sua liberação e a Unit fez o comunicado interno aos seus funcionários e professores. Veja a íntegra da entrevista:

Jornal do dia - Como a Economia deve se comportar em 2018?

Saumíneo Nascimento - Conforme a última ata do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil, o cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica global vem se recuperando sem pressionar em demasia as condições financeiras nas economias avançadas. Isso contribui para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes. Assim podemos acreditar que o conjunto dos indicadores de atividade econômica mostra sinais compatíveis com a recuperação gradual da economia brasileira. Destacando o seguinte: a) Inflação - as projeções para 2018 estão no patamar de 4,0%; b) Taxas de juros - 7% ao ano; c) Câmbio - US$ 3,30/ R$.

Importante ressaltar que ainda temos elevados níveis de ociosidade na economia brasileira, o que gera por vezes incertezas sobre a trajetória de recuperação. Concordo com a visão do Banco Central do Brasil de que iniciativas são necessárias para que tenhamos aumento de produtividade, ganhos de eficiência, maior flexibilidade da economia e melhoria do ambiente de negócios. A economia brasileira poderá crescer bem mais em 2018, as previsões são próximas a 2% as mais reais e até 3%, a mais otimista.

 

JD - Quais são os desafios importantes para as Empresas?

SN - Superar o grau de ociosidade existente atualmente, administrar bem o nível de endividamento, adequar-se às reformas que foram implementadas e outras possíveis de ocorrer e ampliar a competitividade, bem como realizar parcerias que viabilizem a manutenção no mercado em um sistema cada vez mais competitivo. Porém vale refletir que as incertezas associadas ao calendário eleitoral devem influenciar as decisões empresariais, pois no segundo semestre de 2018 com a evolução do debate eleitoral haverá contaminação do ambiente econômico.

 

JD - Quais os cenários que podem ser enfrentados pelas famílias?

SM - Ao sair lentamente de um período recessivo, as famílias realiza­ram ajustes, principalmente no que se refere ao nível de endividamento, fortemente alavancado nos últimos anos. Entendo que o cenário de  manutenção de  inflação baixa – em especial dos preços da alimentação – será fator determinante para a recu­peração do consumo, espacialmente daqueles que conseguiram a preservação do emprego e da renda, outros fatores pontuais, como melhoria das condições crédito e redução do desemprego poderão ajudar na reativação da demanda.

 

JD - Quais as perspectivas no setor público?

SN - Ainda existirá a pressão exercida pelo contínuo cres­cimento dos gastos obrigatórios e as constantes mudanças nas metas de resultado primário não permitirão uma mudança expressiva do quadro fiscal que envolve o setor público no Brasil, apesar de alguma tentativa de contenção de despesas não obrigatórias. Estados, municípios especialmente e o Governo Central ainda irão conviver com déficit primário elevado e aumento das despesas. Mas a perspectiva de retomada do crescimento do PIB resultará em crescimento das receitas, que ocorre em resposta à melhoria da atividade econômica, com isto teremos aumento de tributação, setor público ainda necessita de ajustes estruturais.

 

JD - Qual o maior desafio que a sociedade tem hoje, e como ele será enfrentado em 2018?

SN - Na minha visão será a inserção dos jovens no mercado de trabalho, pois ainda estamos iniciando uma tênue trajetória de recuperação, com criação líquida de empregos. Vejam que mesmo em um cenário otimista a taxa de desemprego deverá encerrar 2018 em 11,8%. A questão fiscal, por sua vez, continuará crítica e fonte de instabilidade e incertezas ao longo do ano. O lado bom é que o cenário externo deve permanecer favorável.

 

JD - Depois de toda uma carreira voltada ao serviço público, o senhor está assumindo o cargo de superintendente administrativo-financeiro da Unit. O que o senhor espera na nova função?

SN - Espero contribuir com a minha experiência, dedicação e trabalho para a manutenção da trajetória de crescimento do Grupo Tiradentes.

 

JD - Qual é a posição da Unit hoje no ranking das universidades privadas? Há perspectiva de mais crescimento?

SN - Atualmente o Grupo Tiradentes está na 2ª posição na Região Nordeste, está entre os vinte maiores do pais e existem perspectivas de crescimento e contínua consolidação na  formação de pessoas para os desafios que a sociedade necessita.