Síndico e morador são indiciados por briga em condomínio

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Publicada em 28/12/2017 às 06:00:00

Gabriel Damásio

 

A Polícia Civil concluiu nesta terça-feira o inquérito policial que investigou a briga ocorrida em 19 de novembro deste ano, dentro do Condomínio Renaissance, na Alameda das Árvores, bairro Luzia (zona sul de Aracaju). O incidente envolveu uma troca de agressões entre o síndico do condomínio, José Sandro Oliveira, amigos que o acompanhavame um grupo de adolescentes que participava de uma festa de aniversário à beira da piscina. Na ocasião, pelo menos três pessoas ficaram feridas. O inquérito da 1ª Delegacia Metropolitana (1ª DM)foi entregue ao Juizado Especial Criminal de Aracaju (JEC) e pediu o indiciamento de dois envolvidos por lesão corporal: Sandro Oliveira e o morador Fernando César Ferreira Lima, que também será processado pelo crime de exercício arbitrário das próprias razões.

De acordo com o delegado Everton Santos, responsável pelo caso, os crimes ocorreram em continuidade e podem render uma pena entre dois e seis anos de prisão, além do pagamento de indenizações aos outros envolvidos. “Mas enseja também, nesses casos, as indenizações por danos morais e dano material. Era um aniversário, ele acabou suspenso... Isso tudo, eles [os moradores agredidos] e seus advogados vãolevar para a esfera cível para buscar as reparações que eles julgam ter direito”, disse ele, em entrevista à TV Atalaia.

A briga aconteceu na saída da piscina do Renaissance, por volta das 18h55 do dia 19, um domingo. O inquérito acabou confirmando que a briga aconteceu por causa do som alto que vinha da festa promovida pelos adolescentes na piscina. Entre as peças da investigação, estão as gravações registradas no momento do incidente pelo circuito de segurança do condomínio. As imagens mostram vários jovens discutindo em uma roda, até o momento em que Fernando César, então vestido com uma camisa regata euma bermuda clara, acerta um soco no rosto de um rapaz e, mesmo separado por um colega, dá um chute na barriga da mãe de um dos adolescentes que participavam da festa. O morador é citado em três termos circunstanciados em tramitação no JEC, sendo um por exercício arbitrário e dois por lesão corporal leve. 

Sandro Oliveira, por sua vez, foi acusado pelos moradores de invadir a festa dos jovens, quebrar o aparelho de som e debochar dos oponentes após ser apartado por um major da Polícia Militar. Na ocasião, eleadmitiu em uma entrevista que estava diretamente envolvido nas agressões e que bateu “acidentalmente” em um garoto que saiu com os dentes quebrados, mas negou o deboche e alegou que foi hostilizado pelos rapazes ao tentar reduzir o volume do som da festa.

O delegado indicou que houve excesso por parte do síndico e destacou que o número de incidentes semelhantes em condomínios vem aumentando na polícia. “A função do síndico é de administrar, fiscalizar e até punir, aplicar multas. Não estar se intrometendo, se tornando vulnerável a estas situações. Ele não pode participar de uma festa e se achar que ali é um síndico, sendo na verdade um condômino”, afirmou Everton, ao destacar a real função do cargo de síndico.

O inquérito da 1ª DM será analisado agora pelo representante do Ministério Público no JEC. As primeiras audiências de conciliação entre as partes estão marcadas para o dia 22 de janeiro de 2018. Os advogados de Sandro e de Fernando devem ser citados para apresentarem a defesa, após o recesso do Judiciário.