HPM pode suspender de vez atendimento

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Publicada em 28/12/2017 às 20:45:00

Milton Alves Júnior


Uma dívida orçada em 600 mil reais pode forçar já nos próximos dias a direção do Hospital da Polícia Militar (HPM), a fechar as portas da unidade de forma geral e por tempo indeterminado. Conforme contabilidade apresentada, o atraso no repasso de verbas por parte do Instituto de Previdência do Estado de Sergipe (IPES), tem contribuído para que os serviços antes prestados diariamente começassem a gerar suspensões temporárias. Uma forma a mais de tentar minimizar o acúmulo de dívidas. Em meio ao impasse administrativo/financeiro, usuários do sistema em busca de atendimento se veem na obrigatoriedade de seguir para outras unidades.

Diante do fechamento - até então temporário do Hospital da Polícia Militar, o Sistema Único de Saúde, disponível à população sergipana, perde cerca de dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva. O problema se torna ainda mais preocupante, já que estes espaços foram criados com o objetivo de desafogar a demanda assistencial diariamente sentida pelo Hospital de Urgência de Sergipe. Sem atendimento, a perspectiva é que o maior hospital público do estado volte a sofrer com o acúmulo de pacientes em busca de atendimento emergencial. A Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia também pode sentir os efeitos já que presta serviços para o Estado e Prefeitura de Aracaju.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que o problema  é mais administrativo que financeiro. Segundo o assessor de comunicação, Ferreira Filho, débitos existem, mas estão sendo trabalhados para que sejam quitados em curto prazo. Sobre o fechamento da unidade, ele garantiu ao Jornal do Dia que o Governo do Estado tem total interesse em manter o HPM em funcionamento desde que os serviços sejam ofertados sem exclusividade a militares, uma vez que o dinheiro injetado pertence ao SUS. O porta-voz da Saúde Estadual não descartou a possibilidade de manobra política a fim de gerar pressão contra a própria administração pública.

"Fazemos parte de um só governo e não será aturado nenhum tipo de pressão que não tenha lógica. O Hospital recebe verbas do Sistema Único de Saúde para atender a todos, sem nenhum tipo de privilégio; esse investimento é para todos. Deixar de atender um cidadão para dar vez a um militar não é justo; a não ser que o dinheiro fosse exclusivamente da PM, o que não procede", declarou. Ainda de acordo com Ferreira Filho, a gestão da SES está disponível para seguir dialogando com a direção da unidade e contribuir para que os impasses internos sejam solucionadas o mais rápido possível.

"Assim como vem ocorrendo ao longos dos últimos anos e com todos os setores ligados ou conveniados com a SES, estamos à disposição para debater este e tantos outros assuntos, inclusive a da renovação dos contratos. Sabemos que juntos podemos conquistar avanços contínuos que resultem em uma melhor qualidade da saúde pública para todos os usuários do SUS. As portas continuam abertas", pontuou o comunicador.