Sargento é acusado de espionar colega no vestiário

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Publicada em 28/12/2017 às 20:54:00

Uma soldado feminina foi espionada e filmada enquanto trocava de roupa em uma companhia da Polícia Militar na Grande Aracaju. O episódio teria ocorrido nesta terça-feira, mas foi denunciado ontem à tarde pela presidente da Associação Integrada de Mulheres da Segurança Pública em Sergipe (Asimusep), sargento Svetlana Barbosa. Ela não revelou outras informações sobre o local e o nome da companhia, para preservar a identidade da vítima. No entanto, ela confirmou que a vítima já comunicou o caso a seus superiores e irá prestar uma queixa formal hoje de manhã, no Departamento de Atendimento a Grupos Vulneráveis (DAGV).

De acordo com Svetlana, a soldado se trocava no alojamento da companhia, após fazer a higiene pessoal, e percebeu que alguém estaria filmando-a pela janela com um telefone celular. E que ela se surpreendeu ao descobrir que se tratava do sargento, com quem trabalhava na equipe de rua. “Atordoada, enquanto tentava se vestir, [ela] grita solicitando socorro a quem naquela hora parecia o mais leal e responsável da equipe de serviço, não sabendo ela que se tratara do maníaco que a espiava.Que decepcionante realidade saber que ela teria recorrido ao seu algoz e por saber que não ficaria no anonimato, por haver câmeras, não sobrou outra alternativa a não ser confessar”, disse a presidente, em uma mensagem divulgada na página da associação.

A sargento confirmou que a vítima denunciou o incidente na manhã seguinte, ao tenente que comanda a companhia. E que a situação já chegou ao conhecimento da cúpula da Secretaria da Segurança Pública, que deve requisitar as imagens das câmeras de segurança da companhia. A Asimusep, por sua vez, vai prestar assistência jurídica e psicológica à soldado, que está afastada do serviço. “Após 24 anos do ingresso das primeiras soldados femininas na PMSE onde tivemos um fato desse, a história se repete em 2017 (...) Ao tomar conhecimento dessa situação, não me resta outra coisa a fazer a não ser expressar meu repúdio, tomar as providências para acompanhar as apurações e do caso e compartilhar com você mais essa situação desprezível e degradante, em meio a tantas outras que não tenho conhecimento”, escreveu a sargento, conclamando outras policiais femininas a denunciarem situações de assédio, discriminação e misoginia.

O caso é acompanhado diretamente pelo Comando de Policiamento Militar da Capital (CPMC), que transferiu o sargento e abriu um inquérito disciplinar junto à Corregedoria da PM. A assessoria da corporação informou que o caso se trata de um fato isolado, mas garantiu que o sargento será punido na forma da lei, se as acusações forem comprovadas.