Apreensões de drogas pelo Denarc duplicam em 2017

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Droga apreendida no estado: recorde. Foto: Divulgação
Droga apreendida no estado: recorde. Foto: Divulgação

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Publicada em 30/12/2017 às 20:01:00

Um levantamento divulgado nesta semana pelo Departamento de Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil, revelou que a apreensão de drogas pelas polícias Civil e Militar em Sergipe praticamente duplicou em 2017, em relação ao ano anterior. O destaque foi para as drogas sintéticas, que dispararam de 164 unidades apreendidas em 2016 para 5.832 no ano que termina. Dentro deste total, estão cerca de 1.500 que foram descobertos em 1º de setembro, durante uma operação conjunta do Denarc com a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), que interceptou um pacote enviado pelos Correios. Na ocasião, um jovem de 23 anos foi preso.

O aumento também se constatou na soma das apreensões de maconha, cocaína e crack. Em 2015, essas apreensões somaram 572 quilos. No ano seguinte, o total foi para 1.166. Agora, ao longo de 2017, foram apreendidos 2.196 quilos, resultando em 212 pessoas presas em flagrante ou por mandados judiciais. Os valores impressionam, mesmo sem serem somados à estatística da Polícia Federal, que entre janeiro e novembro, apreendeu em Sergipe mais de quatro toneladas de maconha e 140 quilos de cocaína, crack e pasta-base de cocaína.

Um dos casos de maior destaque do ano foi a ‘Operação Tubarão’, deflagrada em 19 de dezembro e que recolheu 320 quilos das três drogas, ao longo de seis meses de investigação. Ela desarticulou uma quadrilha que revendia drogas vindas do sul do país para usuários de sete bairros das zonas sul, oeste e de expansão de Aracaju, chamando a atenção de todos por aceitar até cartões de débito e crédito como pagamento pelas porções de droga. Ao todo, 29 pessoas ligadas a quatro núcleos da quadrilha foram presas. 

Para o delegado Osvaldo Rezende Neto, diretor do Denarc, o total de apreensões reflete o aumento do trabalho de repressão e investigação desenvolvido pelas polícias contra o tráfico de drogas, apontado como principal fator motivador de crimes como homicídio e assalto à mão armada. “A maior parte dos homicídios e dos crimes contra o patrimônio são motivados pelos tráficos de droga. Nesta última operação, conseguimos impedir vários homicídios que seriam cometidos em Aracaju, frustrando inclusive a ordem que um traficante deu para que uma família inteira fosse executada”, exemplificou.

 

Queima tudo – O Denarc também é responsável também pelos procedimentos necessários para a retirada em definitivo de todas as substâncias ilegais apreendidas em Sergipe, a partir da incineração do material. Mais de duas toneladas de drogas foram apreendidas e incineradas pelo Denarc em 2017.O diretorOsvaldo Resende explica que, para a destruição dos entorpecentes, são necessárias autorizações por parte do Poder Judiciário; vistorias do local pelos órgãos públicos responsáveis pela manutenção da salubridade e preservação ambiental, como a Vigilância Sanitária e a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema); e o acompanhamento do Ministério Público Estadual (MPE).

A manutenção de uma contraprova, referente a guarda de parte do material apreendido para apresentação ao Judiciário em caso de contestação durante o curso de um processo também é imprescindível.“Esses entorpecentes só podem ser incinerados após a autorização e determinação judicial, após análise de diversos órgãos públicos, como a Vigilância Sanitária e a Adema. O Judiciário e o Ministério Público são também avisados do horário e local onde essas drogas serão incineradas. A participação da perícia é fundamental no sentido de resguardar matéria para contra-prova. São vetores que se somam para chegar ao final que é a destruição dessa droga”, esclareceu o delegado.

O escrivão e chefe de custódia do Denarc, Alessandro Ribeiro, complementa citando que todo o material ilícito apreendido é custodiado pelo Departamento até que a autorização para a destruição seja emitida pelo Poder Judiciário. Em paralelo a solicitação dessa permissão, as autorizações também são requeridas junto aos órgãos ambientais.

“No momento em que há a investigação e que em seguida há uma prisão em flagrante ou uma apreensão de entorpecentes a partir de um inquérito instaurado, esse material fica apreendido sob nossa custódia. Então, vamos até o Judiciário e pedimos que autorize a incineração”, mencionou.

Osvaldo Resende ressalta que o Departamento procura realizar o quanto antes o processo de incineração desses entorpecentes tanto por questões de segurança, quanto para que o material não gere problemas à saúde dos agentes e da população. “Sempre procuramos fazer essa incineração o quanto antes por questões de segurança e  de salubridade. Tanto para o cidadão quanto para os servidores que aqui laboram. Não é necessário que essa pessoa vire réu ou seja condenada para que essa droga possa ser incinerada. No próprio curso da investigação a droga pode ser destruída o quanto antes. Inclusive o Juiz de Direito já pode autorizar essa destruição na própria homologação”, contextualizou.

Incineração

Alessandro Ribeiro detalha ainda que todo o material, tanto os entorpecentes de qualquer natureza, como maconha, crack, haxixe, ou ainda de origem sintética, bem como as embalagens e objetos onde estavam sendo transportados no momento da apreensão são destruídos no processo de incineração. O chefe de custódia do Denarc menciona ainda que todo o processo é realizado em parceria com alguma das fábricas de cimento presentes no estado, onde são cedidos desde os Equipamentos de Proteção Individual (EPI), na entrada da empresa, até o alto forno capaz de destruir também a fumaça, impedindo a liberação para o meio ambiente.

“Após as autorizações, nós reunimos todo esse material e entramos em contato com a fábrica para definir uma data, em comum acordo. Essa incineração só pode ser feita em um desses locais, porque é um alto forno, onde a própria fumaça é destruída junto. Marcada essa data, nós nos dirigimos em comboio até o local e realizamos a incineração”, esclareceu.