O impasse de Valadares

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Esse painel de Edidelson, no centro da capital, feito para a Deso, precisa passar por um restauro imediato
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Publicada em 06/01/2018 às 05:47:00

O senador Valadares (PSB) segue conversando em busca de alternativas para garantir a sua própria reeleição e a do seu Valadares Filho a deputado federal. Nas conversas que vem mantendo, como ocorreu na quinta-feira com o presidente do PPS, Clóvis Silveira, Valadares fala em apresentação de uma chapa alternativa para disputar o governo do Estado.

Aos mais próximos, o senador não esconde que pensa na formação de uma chapa de oposição em que ele se enquadraria como candidato a reeleição. O candidato a governador poderia ser tanto o senador Eduardo Amorim (PSDB) quanto o deputado federal André Moura (PSC), não importa. O seu filho disputaria a reeleição como pretende.

Há um clima de desconfiança mútua entre os principais líderes da oposição. Enquanto Amorim e André garantem que estarão juntos na eleição de outubro, o mesmo não ocorre em relação aos Valadares. Nas últimas entrevistas que tem concedido, André deixa claro que não aceita a participação do senador Valadares numa chapa majoritária.

De 1994 para cá, Valadares disputou eleições ao lado do grupo do governador Jackson Barreto. Nestas eleições, JB perdeu por pouco o governo do Estado – ainda venceu no primeiro turno -, mas o grupo elegeu os dois senadores – o próprio Valadares e José Eduardo Dutra; em 2002, Valadares disputou a reeleição tendo como Dutra como candidato a governador; em 2010 participou da chapa que garantiu a reeleição do governador Marcelo Déda, tendo Jackson como vice. No decorrer da campanha, mesmo tendo Dutra como 1º suplente, chegou a abandonar Déda por entender que estava sendo traído na disputa pela reeleição. Achava que alguns correligionários estavam preferindo a dobradinha Amorim/Albano Franco para o Senado. A chiadeira deu certo e acabou reeleito com toda a chapa majoritária – ele, Déda e Eduardo Amorim.

Se em 2010, Valadares já não teve grupo para sustentar a campanha de reeleição ao Senado, nos últimos anos seu isolamento só aumentou, a partir do momento em que fez a opção de romper com o PT e com o PMDB de Jackson.

Isso ficou ainda mais patente na eleição municipal de 2014, quando o seu filho perdeu pela segunda vez a disputa para a Prefeitura de Aracaju, mesmo coligado com André e os Amorim. O grupo que comandou a campanha ficou restrito a, além dos dois, o deputado estadual Luciano Pimentel e o vereador Élber Batalha Filho – são sempre os mesmos, tanto que Élber Batalha, o pai, o seu suplente, agora foi aquinhoado por Valadares com 120 dias de mandato no Senado Federal. É uma verdadeira caixa-preta, que ninguém mais tem acesso, mesmo estando integrado a suas campanhas.

E quem, além de Valadares pai e Valadares Filho, o PSB pretende apresentar na disputa de 2018: Pimentel e Élber como candidatos a deputado estadual e mais alguns apenas para compor a chapa, caso seja mesmo necessário.

A chamada terceira via que Valadares conversa com Clóvis Silveira não passa de uma espécie de chantagem contra André e Amorim para que eles retardem para o final de março e/ou início de abril as discussões sobre o lançamento do candidato a governador. André garante que isso será feito ainda este mês – e não inclui Valadares entre os candidatáveis - para que o escolhido tenha tempo de trabalhar alianças mais amplas e possa crescer nas pesquisas eleitorais que forem feitas a partir de agora.

Valadares não tem restrição a uma candidatura de Amorim ou de André, mas queria a garantia de que será um dos candidatos ao Senado, e de que não seria abandonado no decorrer da campanha. Disputar o governo só mesmo se for excluído do bloco e venha a ter que formar uma chapa com outros pequenos partidos, como o PPS. O que pode realmente acontecer.

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Excluído

Se for mesmo excluído da aliança com André e Amorim, Valadares não terá outra alternativa a não ser tentar o governo. Já conversou com Clóvis do PPS e está agendando encontro com o ex-deputado Mendonça Prado, que no final do ano passado assumiu o controle do diretório estadual do DEM. Mendonça vinha dizendo que seria candidato a governador, mas não esconde que gostaria de viabilizar a sua volta para a Câmara Federal.

É candidato

O deputado André Moura já vem conversando com lideranças políticas informando que fechou o acordo com os Amorim e será mesmo candidato a governador. Eduardo será candidato ao Senado e ele exclui o senador Valadares de qualquer entendimento. A explicação de André nessas conversas: o cargo de deputado federal ficou muito pequeno para ele e não teria o menor cabimento montar uma estrutura de campanha majoritária para disputar o Senado.

Estrutura

Nas conversas, André Moura disse que já montou toda a estrutura da campanha e que a candidatura de Amorim à reeleição está incluída nesse projeto. Fontes próximas ao deputado informaram que o senador foi convencido pelo irmão Edvan a aceitar a disputa pela reeleição, porque ele não teria condições de mobilizar aliados em torno de uma candidatura ao governo.

A pressa

André acha que é preciso apresentar ainda este mês a sua candidatura ao governo, para que possa trabalhar mais abertamente para tentar reduzir a enorme rejeição do eleitorado da Grande Aracaju ao seu nome. Ele aposta que chegará ao segundo turno sem maiores problemas.

Inelegível

No pleito passado, em 2014, André disputou as eleições sub judice, foi impugnado pelo TRE, não pode participar dos programas eleitorais e seus votos só foram computados no dia da diplomação dos eleitos, por decisão do atual presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes. Em agosto do ano passado, na véspera do julgamento de Temer pela Câmara dos Deputados, André sofreu a sua quarta condenação por improbidade administrativa, oriunda das irregularidades que provocaram a intervenção estadual na Prefeitura de Pirambu, em 2007.

Pessoal

O custo dos gastos com pessoal está pesando mais no bolso dos habitantes de 12 estados e do Distrito Federal do que no resto do país. Pagam mais, em geral muito mais, pelos mesmos serviços públicos. A constatação é da Secretaria do Tesouro Nacional. A despesa média nacional com pessoal é de R$ 1,7 mil por habitante. Em São Paulo, o estado mais rico, gasta-se R$ 1,6 mil per capita. Porém, há governos gastando o dobro disso. É o caso do DF e de Roraima, onde a folha de pessoal chega a custar R$ 3,4 mil por habitante. No Acre o gasto (R$ 3 mil per capita) é 76% superior à média nacional. No Amapá (R$ 2,6 mil) é  56%. A lista de recordistas segue com Tocantins (R$ 2,4 mil), que mantém folha de pessoal 41% mais cara; Mato Grosso (R$ 2,3 mil) com 35%; Mato Grosso do Sul (R$ 2,1 mil) com 23%; Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro (R$ 2 mil) com 17,6%; Paraná, Rondônia, Minas e Sergipe (R$ 1,9 mil) com despesa de pessoal 11,7% acima da média do país.

Frequência

Em 2017, um dos anos mais conturbados da história do Congresso Nacional, apenas 18 deputados (3,5% do total) compareceram a todos os 119 dias reservados a votação, nos quais a presença era obrigatória. Esse grupo representa dez estados e o Distrito Federal, conforme levantamento do Congresso em Foco. Entre os 513 parlamentares, Adelson Barreto (PR) é o único sergipano no quesito assiduidade. Pelo segundo ano consecutivo o deputado compareceu a todas as sessões deliberativas realizadas pela Câmara.

Promessas

Apontado pelo G1 como o prefeito do Nordeste com mais promessas cumpridas no primeiro ano de mandato, Edvaldo Nogueira avaliou que o título “é reflexo do trabalho realizado em 2017”. “Na campanha, nós prometemos aquilo que poderíamos executar. Colocamos o foco nos principais problemas da cidade e temos resultados a apresentar aos aracajuanos”, disse.

Salários

Entre as promessas elencadas pelo portal da Globo estão a regularização dos salários dos servidores (Edvaldo pagou 15 folhas em um ano, o que representou uma injeção de R$ 1 bilhão na economia), a revogação do aumento anual de 30% do IPTU, o recapeamento asfáltico (com recursos próprios, a PMA investiu R$ 8 milhões na recuperação das vias), o aumento das matrículas na Educação Infantil, a política de Direitos Humanos e o Planejamento Estratégico.

Corte de gastos

Edvaldo lembra que só foi possível chegar ao resultado apresentado pelo G1 após a adoção de uma política de corte de gastos significativa. As ações desenvolvidas pela atual gestão nesta área foram reconhecidas pela Secretaria do Tesouro Nacional, que colocou Aracaju em segundo lugar entre as capitais do Nordeste em redução de despesas. A boa posição foi noticiada pelo jornal Valor Econômico.

Custeio

“Operamos um corte de 30% no custeio da Prefeitura de Aracaju. Economizamos em todas as áreas. Só com os cortes nos cargos em comissão, economizamos R$20 milhões. E esta economia não afetou a prestação dos serviços, ao contrário disso, nós melhoramos muito o atendimento ao cidadão. A cidade já vive outro momento. Ainda vivemos muitas dificuldades, tenho consciência disso. Mas vamos continuar trabalhando para resolver cada um dos problemas em Aracaju”, avisou.