Manifestações defendem a candidatura de Lula

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Manifestação na praça General Valadão, em Aracaju. Foto: Divulgação
Manifestação na praça General Valadão, em Aracaju. Foto: Divulgação

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Publicada em 25/01/2018 às 06:53:00

Milton Alves Júnior

 

Militantes da corrente pró-Lula realizaram durante todo o dia de ontem no Estado de Sergipe uma sequência de atos públicos a favor da absolvição do ex-presidente da república. Em Aracaju as mobilizações democráticas foram realizadas no centro da cidade sob a coordenação de centrais sindicais, grêmios estudantis, centros acadêmicos e movimentos sociais. No interior do estado as manifestações tiveram início ainda durante a madrugada quando centenas de defensores saíram às ruas reafirmando que uma campanha eleitoral sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva deve ser considerada como fraudulenta. Vigílias foram realizadas nos municípios de Lagarto, Nossa Senhora da Glória, Porto da Folha e Propriá.

Em todas essas cidades houve caminhadas pelas principais ruas e avenidas com destino à sede dos fóruns estaduais. Uma postura simbólica, a fim de transparecer que a população estaria presente espiritualmente em frente ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, onde ocorreu o julgamento. Na capital o início da manhã foi marcada por protestos em frente ao prédio da Justiça Federal, no bairro Capucho. Paralelo aos discursos e rodadas de diálogos, houveram manifestações culturais seguidas de promessas de luta intensificada caso o ex-presidente fosse sentenciado como culpado por promover corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Seguindo a linha de pressão popular a favor do réu, militantes bloquearam o tráfego de veículos em parte da BR 101, na altura do município de Estância. O bloqueio foi realizado por volta das 11h30, e durou cerca de uma hora. Agentes da Polícia Rodoviária Federal estiveram no local a fim de dialogar com os manifestantes e convencê-los a suspender o ato. Enquanto o clima fervia também em Sergipe, diante dos votos contrários aos seu interesse, Lula tentava se mostrar tranquilo com o andamento do processo. Ao deixar a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), ele informou que seguia com a 'consciência limpa'.

De volta à capital sergipana, sindicalistas estenderam logo no início da manhã uma faixa em que enaltecia a necessidade democrática em permitir que o ex-presidente esteja apto a se candidatar nas eleições deste ano. O tecido foi exposto por volta das 6h30, quando os manifestantes o fixaram no Viaduto Manoel Celestino Chagas (viaduto do Detran). Para o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Rubens Marques, é preciso que as bases sociais continuem se fortalecendo a favor da democracia brasileira e pelo respeito à ordem pública. O sindicalista garante que os atos públicos seguirão sendo realizados em vários municípios sergipanos e também deseja imparcialidade íntegra no poder judiciário.

"Não podemos aceitar que uma injustiça dessa natureza seja configurada em nosso país e é justamente por isso que os movimentos estão ampliando. De forma pacífica, mas integralmente democrática, estamos nas ruas defendendo o presidente Lula", declarou. Apesar do resultado, vale destacar que Lula não será preso de imediato, ou seja, conforme previsto na lei, uma possível detenção só se torna real a partir do momento em que todos os recursos junto ao tribunal forem esgotados. A partir de agora a base de defesa pode recorrer ao Supremo Tribunal de Justiça e ao Superior Tribunal Federal para tentar reverter condenação.

Se for de interesse do Partido dos Trabalhadores, no decorrer da sequência desse processo a sigo pode atender ao apelo dos manifestantes e consequentemente registrar a candidatura de Lula a presidente. Essa permissão até então provisória deve ser mantida enquanto houver recursos pendentes contra a condenação. Em última instância o colegiado do Tribunal Superior Eleitoral é quem vai decidir o futuro político do comunista. Não custa lembrar que no último mês de dezembro o TSE elegeu o ministro Luiz Fux como novo presidente da corte eleitoral. Fux substituirá o atual presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes, no próximo dia 06 fevereiro, quando permanece no comando até agosto e passa a administração para a ministra Rosa Weber.