Gravatá se apresenta para processo e reafirma acusações

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Publicada em 27/01/2018 às 06:59:00

Gabriel Damásio

 

O coronel Benê de Oliveira Gravatá, ex-corregedor-geral da Polícia Militar, se apresentou ontem de manhã na sede do Hospital da Polícia Militar (HPM), onde irá cumprir seu expediente nos próximos 10 dias. O procedimento faz parte do procedimento administrativo disciplinar que foi aberto contra ele pelo comando da corporação, motivado pelas críticas públicas que fez ao comandante-geral do órgão, coronel Marcony Cabral, em entrevista a rádio Mix FM. Gravatá acusou Marcony de afastá-lo da Corregedoria para tentar abortar o Inquérito Policial Militar (IPM) que investigava um esquema de desvio de combustíveis na corporação, para supostamente proteger oficiais suspeitos de participação.

O ex-corregedor ficará à disposição do diretor do HPM, coronel George Araújo, designado para presidir o procedimento e apresentar um relatório ao Estado Maior Geral (EMG) da PM. O objetivo, segundo a portaria que instaurou o processo, é apurar a conduta ético-disciplinar do coronel ao conceder a entrevista, na qual chamou o comandante de “mentiroso e mau-caráter”. Especulou-se que Gravatá seria preso a qualquer momento, mas, de acordo com a assessoria da PM, a ida do oficial ao HPM não se trata de prisão ou detenção, mas sim de uma ‘disponibilidade cautelar’, ou seja, o coronel ficará à disposição do presidente do procedimento, cumprindo expediente e prestando depoimentos.

Ao chegar no hospital, fardado com o uniforme de campanha da PM, o coronel Gravatá confirmou tudo o que disse na quinta-feira à Mix FM e reafirmou as suspeitas que pesam contra oficiais ligados à 4ª Seção do EMG (PM-4), responsável pelo controle das viaturas, dos combustíveis e outros equipamentos e insumos à disposição da tropa. “Tudo o que falei é verdade. Quero mostrar a sociedade sergipana tudo o que está acontecendo dentro da Polícia Militar entre a garagem e a 4º Seção sobre o desvio de combustível”, disse ele, que expôs suas conclusões em um relatório escrito e enviado em dezembro do ano passado ao subcomandante-geral, coronel Lúcio Vasconcelos, no qual relata toda a investigação do esquema conhecido como ‘Troca de Moedas’.

Gravatá contesta a conclusão do IPM que o Comando entregou à Auditoria Militar do Tribunal de Justiça de Sergipe, que indiciou apenas o terceiro-sargento Robertson Souza Silva, então responsável pelo Centro de Suprimento e Manutenção (CSM). Segundo o inquérito, ele fornecia a uma frentista os chamados ‘cartões-coringa’, criados para fazer abastecimentos de emergência em viaturas da Polícia Militar, e esta simulava os abastecimentos de R$ 150 em viaturas não-cadastradas no sistema, repassando o valor correspondente para o militar.Segundo o coronel, Robertson não seria o único responsável pelo fornecimento e operação dos “Até porque esse sargento não tem essa inteligência toda avançada para confeccionar 17 cartões. São 17 cartões com valores ilimitados. Isso é um absurdo!”, resumiu, frisando que o chefe da PM-4 é o tenente-coronel Edênisson Santos da Paixão, primo de Marcony Cabral.

O comandante-geral nega as acusações e diz que não há qualquer proteção a oficiais dentro da corporação em investigações de crimes e infrações. Ele também prometeu processar Gravatá nas esferas cível e criminal, para que ele prove as acusações. O promotor João Rodrigues Neto, representante do Ministério Público na Auditoria Militar, instaurou dois procedimentos sobre o caso: um administrativo, que apura a prática deimprobidade administrativa por parte dos envolvidos, e outro criminal, relacionado ao desvio das verbas. Os dois processos correm sob sigilo.

 

Troca? –  A crise aberta na PM pelas denúncias detonou muitas especulações sobre uma suposta troca do comando da corporação. Grupos de policiais espalharam em redes sociais que o coronel Marcony estaria prestes a ser exonerado do cargo pelo governador Jackson Barreto (MDB). Dois nomes chegaram a ser citados como substitutos dele no Comando Geral: o do subcomandante Lúcio Vasconcelos e a da coronel Rita de Cássia Silvestre, subchefe do EMG e citada como a preferida do vice-governador Belivaldo Chagas para assumir o cargo, assim que Jackson deixar o mandato para concorrer às eleições, em março. Todas essas informações são negadas pela assessoria da PM. O Palácio de Despachos, por sua vez, não se manifestou.