Pacientes do Cirurgia sem tratamento

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Publicada em 04/02/2018 às 00:56:00

Milton Alves Júnior

Enfrentando um novo dilema perante ao Ser-viço Único de Saúde (SUS), 42 pacientes que dependem da máquina de radioterapia da Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia, em Aracaju, estão observando o respectivo quadro clínico apresentar retrocesso em virtude de mais uma quebra do aparelho. Com pouco mais de 30 anos de uso, este mesmo equipamento já apresentou mais de cinco problemas operacionais desde janeiro do ano passado. Segundo a direção da unidade, no dia 15 de janeiro um problema técnico foi registrado na válvula que faz o controle do fluxo de água para a emissão dos feixes, e peças novas foram adquiridas. O problema é que essa compra foi feita com um fornecedor dos Estados Unidos.
Para conturbar ainda mais as perspectivas dos usuários do sistema público de saúde, no início da semana passada a administração do HC informou que a peça nova adquirida estava prevista para ser entregue no início desta semana que começa hoje. O receio para alguns pacientes é que este material esteja previsto para ser entregue pelos Correios, e que, porventura, estivesse armazenado no Centro dos Correios de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde um incêndio destruiu mais de nove mil encomendas. Na torcida para que este mais novo problema não se faça presente na luta dos sergipanos, membros do Grupo Mulheres do Peito não acreditam que a máquina será consertada até o próximo dia 14 de fevereiro.

Segundo lamentações apresentadas pela presidente do grupo, Sheila Galba, até o último dia 30 a direção hospitalar sequer tinha entrado em contato com profissionais de Belo Horizonte para vir a Sergipe e dar início ao processo de reparo da máquina. "É um problema que se arrasta há anos e ninguém faz nada. É como se estivessem trabalhando com números e não com seres humanos que pagam os impostos e no momento em que mais precisam da assistência Pública se deparam com esse tipo de situação. Lamentavelmente a triste novela nunca com fim positivo envolvendo essa máquina está mais uma vez gerando preocupação coletiva", protestou.

Em nota oficial a direção do Hospital de Cirurgia confirmou que as sessões estão, de fato, suspensas por tempo indeterminado e que a unidade tem trabalhado na perspectiva de reparar o problema em curto prazo. Informou ainda que o engenheiro responsável por recuperar a máquina estará em Sergipe após a confirmação da entrega da nova peça. Essa perspectiva seguem sem data prevista para chegar. De acordo com Maria Rita, de 52 anos, enquanto os pacientes batalham para permanecer vivos, os gestores apresentam os mesmos discursos de episódios anteriores. Para ela, enquanto não houver a compra de uma nova máquina, esse problema seguirá ocorrendo nas dependências do HC.

"Eu também torço para que essa peça não esteja naquele galpão incendiado. Nunca se sabe, não é? Infelizmente estamos sofrendo mais uma vez com esse tipo de problema que é de conhecimento geral, inclusive dos órgãos estaduais e federais de fiscalização. Por um lado também tento entender a dificuldade administrativa do hospital", declarou a denunciante que concluiu fazendo a seguinte indagação: " na minha opinião, enquanto não for adquirida uma máquina nova, a que está lá, desenvolvida na década de 80 não suportará por tanto tempo. Mais cedo ou mais tarde voltará a quebrar e a gente a sofrer".

Sobre a aquisição de uma nova máquina de radiografia, a direção da Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia informou que a unidade está providenciando a aquisição de um novo equipamento. Essa compra será por meio de recursos financeiros a serem repassamos pelo Governo Federal, através do Ministério da Saúde, mas também sem previsão para ser depositado na conta do HC. Enquanto nenhum desses progressos são registrados e os 42 pacientes seguem sofrendo diante da interrupção do serviço, outros oito usuários do SUS estão na fila aguardando o início dos tratamentos.