Macacos mortos nem sempre trazem evidências de febre amarela

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Publicada em 04/02/2018 às 00:01:00

Mesmo com regis-tros relacionados à febre amarela em alguns estados brasileiros, o Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Saúde (SES), reafirma a inexistência de casos da doença no território sergipano. Além disso, esclarece que a morte de primatas não humanos nem sempre está associada à existência desses registros, o que torna desnecessário e inadequado o extermínio desses animais.

Segundo a gerente do Núcleo de Endemias da SES, Sidney Sá, o macaco é vítima da febre amarela, assim como o indivíduo que contraiu o vírus da doença, sendo que o principal transmissor desse vírus, em áreas silvestres, é o mosquito do gênero Haemagogus. Na área urbana, o principal transmissor é o do gênero Aedes, ou seja, tanto o Aedes aegypti, quanto o Aedes albopictus.
"O primata não é transmissor dessa arbovirose. Ele é um hospedeiro desse vírus. Quem transmite a doença para o ser humano ou para o macaco é o próprio mosquito, considerando que todos os casos da doença registrados no Brasil, na atualidade, estão ligados à procedência silvestre do tal mosquito. Sendo assim, o animal pode ser encontrado em áreas de matas e de vegetação fechada", esclareceu Sidney Sá.

Como proceder - Sergipe nunca registrou casos de febre amarela, seja em indivíduos ou mesmo em primatas não humanos, que acabam por se comportar como animais sentinela. Quando um cidadão encontra um animal desse morto é importante que a secretaria municipal da saúde dessa localidade seja informada imediatamente, para que todas as medidas cabíveis sejam tomadas. O indivíduo também pode acionar a SES ou mesmo a Empresa de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro).

A identificação de macacos mortos e o conseqüente acionamento dos órgãos responsáveis diante do fato é tarefa de todos, especialmente da população. O prazo máximo de seis horas após a morte do macaco deve ser respeitado, a fim de que amostras de sangue e de vísceras desse animal sejam coletadas pelos órgãos competentes e enviadas ao Laboratório Central de Saúde do Estado de Sergipe (Lacen), daí a importância de ser imediata a notificação do primata morto. O Lacen, por sua vez, encaminha tais amostras para o laboratório referência Adolfo Lutz, localizado no estado do Pará.

"A secretaria municipal de saúde em questão também deve ser informada se o animal for encontrado em estado de decomposição. Enquanto houver condições, se a ideia for armazenar o macaco para que seja entregue ao órgão competente, não há preocupações quanto à transmissão da febre amarela, mas é preciso manter, pelo menos, cuidados com as mãos durante o manuseio, visto que o animal pode trazer consigo outros vírus, de outras zoonoses, a exemplo da raiva", orientou a gerente.

Serviços disponíveis - Na ausência de procedimentos quanto ao animal morto junto à secretaria municipal de saúde da localidade, o cidadão pode contactar a SES, que mantém seus profissionais em observação para quaisquer casos suspeitos. Nesse caso, o fato deve ser informado ao Centro de Informação Estratégica em Vigilância em Saúde no Estado de Sergipe (CIEVS-SE), através do telefone 0800-282-282-2 ou do e-mail notifica@saude.se.gov.br. Se preferir, o cidadão pode entrar em contato diretamente com o Núcleo de Endemias da SES, através do (79) 3226 8323.