Eletricista confessa a morte da ex-esposa e se mata

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Publicada em 08/02/2018 às 09:13:00

Gabriel Damásio

Duas famílias ficaram marcadas por uma tragédia passional que se consumou entre a tarde e a noite desta terça-feira. O eletricista Alan Meneses dos Santos, 36 anos, foi encontrado morto por volta das 19h em um quarto do Village Motel, na BR-235, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Segundo a polícia, ele cometeu suicídio depois de matar a ex-esposa, a contadora Patrícia de Jesus Menezes, 33, assassinada, em frente ao escritório onde trabalhava, no centro de distribuição da rede de supermercados G.Barbosa, a poucos metros do motel.

Alan foi achado por funcionários do motel, que se assustaram com o som de um tiro disparado no quarto de hóspedes, onde deu entrada minutos depois de atirar na funcionária. Ele estava deitado quase por cima da pistola que usou para disparar contra a própria cabeça. No local, a polícia encontrou o celular do eletricista, com mensagens de áudio e vídeo que ele gravou e distribuiu a amigos e parentes antes de se matar. Em uma delas, Alan confessa a morte de Patrícia, diz que escolheu um amigo como tutor de seus pertences e pede que a própria mãe não conheça o seu filho com a ex-mulher, um menino de três anos. Ele ainda tentou justificar sua atitude, dizendo que não aguentava mais o estresse e as cobranças de outras pessoas.

O motivo de tamanha pressão não está claro nas mensagens, mas, extraoficialmente, já se sabe que a tragédia teria sido motivada pela separação de Patrícia e Alan. Ele não aceitava o fim do relacionamento e, conforme uma hipótese investigada pelos agentes do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), teria premeditado o crime há alguns dias. Segundo informações divulgadas ontem, familiares da contadora contaram à polícia que ela recusou, há alguns dias, um convite feito pelo ex-marido para dar um passeio com ele e o filho, e que o eletricista transferiu a propriedade da casa onde a família morava para o nome do menino.

O corpo de Patrícia foi enterrado ontem de manhã no Cemitério São João Batista, no Castelo Branco (zona oeste). A família estava bastante abalada e não quis falar com os jornalistas. A jovem estava no horário de trabalho e tinha autorizado a entrada do ex-marido para que ele entregasse uma encomenda, quando foi morta. O corpo de Alan também foi sepultado ontem. O caso é tratado pela polícia como feminicídio, crime cometido por motivação machista, mas por causa da morte do réu confesso, o inquérito pode ser arquivado, embora a origem da pistola usada por ele também seja investigada.