Uma capital sem aeroporto

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Artistas como Leonardo Alencar e José Fernandes retratam bem as cores do nosso Carnaval
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Publicada em 10/02/2018 às 12:26:00

Na última quarta-feira (07), o governa-dor Jackson Barreto esteve no Tribu-nal de Contas da União (TCU), em Brasília, em busca de informações sobre a determinação de paralisação do processo da obra de reforma de ampliação do Aeroporto de Aracaju, cuja ordem de serviço já havia  sido assinada e os recursos estavam garantidos. Com a inclusão do aeroporto na lista de privatizações lançada pelo governo Temer, o TCU mandou suspender a obra.
Em 27 de agosto de 2017, esta Tribuna mostrou que o Estado de Sergipe teria prejuízos imediatos com a inclusão do aeroporto no pacote de privatização. Dos aeroportos que seriam entregues à iniciativa privada, o Santa Maria integra o bloco dois, juntamente com os de Maceió, João Pessoa, Campina Grande, Juazeiro do Norte e Recife. Apresentado em 23 de agosto, hoje ninguém mais fala sobre o processo de entrega dos aeroportos.

O governo de Sergipe já havia investido até então, R$ 68 milhões em obras de infraestrutura no entorno do aeroporto e para a ampliação das pistas de pouso e decolagem. A ampliação do Aeroporto de Aracaju é tema constante dos últimos governos, desde o final do século passado. Hoje o aeroporto parece uma rodoviária, o passageiro sobe/desce na chuva ou no sol escaldante e um cadeirante tem que ser levado nos braços. A estação de passageiros é deplorável, sem climatização e não há sequer um local apropriado para refeições.
Somente em 2017, o governador Jackson Barreto participou de três cerimônias e sucessivas reuniões tratando da ampliação do aeroporto. Em sete de fevereiro, em Brasília, o ato foi presidido pelo presidente Temer, com a presença do ministro dos Transportes Maurício Quintela, e parlamentares da bancada federal. Na ocasião, Temer reconheceu o trabalho contínuo de Jackson, e prometeu: "Este ato é uma homenagem a essa persistência do governador, com vistas a prestigiar o governo e o povo de Sergipe. Tudo isso deriva de uma conjugação de esforços entre União, Executivo, parlamentares e governos estaduais e municipais. Vamos duplicar a BR-101, concessionar a 235 e complementar a pista do aeroporto de Aracaju". Nenhuma promessa foi executada.

Em 11 de abril, após um apelo do governador ao líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC), o ministro dos Transportes anunciou a decisão de promover a reforma, modernização e ampliação do Terminal de Passageiros existente, climatizando-o e dotando-o de pontos de acesso às aeronaves (fingers).
Em dois de junho, em solenidade em Aracaju, na companhia do diretor de engenharia da Infraero, Rogério Barzelai, do superintendente do setor, Adelson Guimarães, e de André Moura, o governador anunciou a licitação para 12 de junho. A previsão era de que a obra, orçada em R$ 110 milhões, começasse em agosto, o que, obviamente, não ocorreu.

Após a cerimônia, a Infraero distribuiu nota informando que abriria no dia 29/9 a licitação para a contratação de empresa para o desenvolvimento dos projetos básicos e executivos; obra de reforma, ampliação e modernização do terminal de passageiros e ampliação do pátio de aeronaves do Aeroporto de Aracaju/Santa Maria (SE). Segundo a Infraero, os trabalhos começariam ainda no segundo semestre de 2017, teria entregas parciais e a conclusão final está prevista para dezembro de 2018. Nada foi feito.
Desde 2013, o governo de Sergipe passou a executar uma série de intervenções complementares à ampliação do Complexo Aeroportuário, a exemplo da implantação de um novo Sistema Viário no Entorno do Aeroporto, o desmonte do Morro da Piçarreira e a demolição do Reservatório de Água da Deso, o R-5, essenciais para a ampliação das pistas de pouso e decolagem.

Na coluna de 27 de agosto, esta Tribuna fazia indagações: O cronograma de investimentos nos aeroportos que serão privatizados em 2018 será mantido? Caso seja concretizada a entrega para o setor privado, o novo dono seguirá o projeto já elaborado?
Nem a privatização do Aeroporto de Aracaju teve andamento e as obras que seriam realizadas pela Infraero foram suspensas, apesar de autorizadas pelo Ministério dos Transportes. E a bagunça no aeroporto só faz aumentar.

Troca de nomes
Aos poucos, os órgãos públicos vêm cumprindo determinação do juiz Marcos Oliveira Pinto e vão retirando os nomes de pessoas vivas das fachadas de seus prédios. O TCE trocou o nome do ex-governador Albano Franco pelo de seu pai, Augusto Franco; a PMA tirou o nome de Albano do mercado central, que agora se Maria Virgínia Leite Franco, a mãe do antigo homenageado.
O presidente da Alese, Luciano Bispo, ainda não retirou o nome do ex-governador João Alves Filho da sede do legislativo, da mesma forma que a Secretaria de Esportes mantém o nome do senador Valadares no Parque dos Cajueiros. Muitas escolas e postos de saúde seguem com nomes de pessoas vivas, como a senadora Maria do Carmo Alves.
A Justiça vai começar a cobrar as multas estabelecidas aos gestores que não cumprirem a lei - as multas são pessoais.

Hospital de Cirurgia

Quase todos os meses o Hospital de Cirurgia anuncia a suspensão de algum tipo de atendimento. A direção normalmente culpa os poderes públicos pela falta de repasses de recursos do SUS. A falta de recursos realmente existe, mas o problema do hospital, que é uma fundação beneficente, é outro.
Um grupo de médicos e executivos transformou o Hospital de Cirurgia numa verdadeira mina de ouro para eles e seus familiares. Além de salários milionários, bem acima do que é pago pelo poder público e até a iniciativa privada, os setores foram loteados, cada um com o seu dono. Quando Estado ou PMA faz o repasse mensal, o dinheiro não vai para a conta do hospital, mas para os "donos" das clínicas dentro do HC.
Esta semana, por conta de uma ação trabalhista que tramita no TRT, foi divulgada a relação dos salários dos funcionários. São R$ 2.357.469,84 pagos mensalmente apenas em salários - mais da metade de tudo o que é repassado pelo poder público. Por conta dos desmandos, a justiça determinou que a partir deste mês, a Secretaria de Estado da Saúde - nova gestora do contrato do SUS com o Cirurgia - terá que se responsabilizar diretamente pelo pagamento dos funcionários.
Milton Souza de Santana, diretor geral do HC, tem um salário mensal de R$ 51.798,60 e ainda empregou dois filhos: Milton Eduardo Santos de Santana, seu assessor, recebe R$ 30.147,40, e André Ricardo Santos de Santana R$ 15.947,40 como responsável pelo setor de compras. O ex-diretor Gilberto dos Santos continua com influência na casa e um salário de R$ 14.534,20.
Em todos os setores há salários milionários, inclusive na portaria, onde um funcionário recebe R$ 17.887,53 mensais. Não há verba do SUS que possa sustentar tanta farra.

Terceirização sem riscos
Inúmeros empresários sergipanos ficaram milionários com a terceirização dos serviços públicos, mas não gostam de correr riscos. Agora uma empresa de segurança está sem pagar os salários dos seus empregados, porque órgãos estaduais atrasaram os pagamentos dos contratos. O empresário monta uma empresa sem capital, cobra até quatro vezes o salário de um empregado, e quando não recebe dá colete nos funcionários, transferindo responsabilidades.
No final da gestão de João Alves Filho na PMA, em 2016, a empresa do deputado federal Laércio Oliveira - foi o relator da terceirização, que retirou os direitos dos trabalhadores, permitindo que as empresas tenham ainda mais lucros - suspendeu os serviços que prestava nos postos de saúde da capital, alegando atraso nos pagamentos. Foi obrigada pela justiça a retomar os trabalhos.
Toda a atividade empresarial requer capital para se estabelecer. Quem não quer correr riscos, mude de atividade.

Sem fôlego
Tradicional folião, o governador Jackson Barreto passa o Carnaval em casa, por recomendação médica. A crise financeira do Estado que vem provocando atraso no pagamento do pessoal, principalmente aposentados e pensionistas, tem tirado o sono do governador. Este mês houve uma pequena recomposição das receitas e o Estado conseguiu pagar a quase todos até o Carnaval. Aposentados que ganham até R$ 4,5 mil receberam integralmente e a diferença para os que recebem acima deste valor será paga no próximo dia 21, juntamente com os comissionados.
JB tem mais um mês de governo. Ele confirmou que em meados de março deixa o cargo para disputar o Senado. Belivaldo Chagas assume e será o seu candidato ao governo.

Muito trabalho

Mal deixou o cargo na PMA, o marqueteiro Carlos Cauê se integrou à campanha de Belivaldo Chagas. Aproveita as brechas na legislação e utiliza com eficiência as redes sociais para apresentar o vice-governador, ainda desconhecido por boa parte do eleitorado.
Nos perfis de Belivaldo no Facebook e no Instagram já podem ser vistos quatro vídeos retratando a sua trajetória política, profissional e familiar.
Nas duas últimas campanhas eleitorais, Cauê deu exemplo de eficiência:  em 2014 Jackson Barreto derrotou Eduardo Amorim com mais de 120 mil votos de frente, quando o adversário já fazia discurso de vitorioso e convidava pessoas para a sua equipe de governo; em 2016, Valadares Filho havia preparado a festa da vitória e perdeu a PMA para Edvaldo Nogueira por 12 mil votos, após acirrada disputa no segundo turno.
Nestas eleições, Cauê também cuidará da campanha de JB ao Senado. E ainda mantém boa interlocução com Rogério Carvalho, outro que deverá disputar o Senado na coligação governista.