A BARRAGEM DE FOZ PARA SALVAR O BAIXO S. FRANCISCO

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Publicada em 10/02/2018 às 12:31:00

Parece, ou é quase certo, que a agonia do Velho Chico continuará por anos a fio. Salvar um rio que morre é tarefa das mais complexas, nas quais falharam até países riquíssimos como é o caso dos Estados Unidos, em relação ao rio Colorado, principalmente. Asseguram os técnicos que há soluções, mas se iniciadas agora seus resultados surgiriam após uns trinta anos, no mínimo. Há medidas pontuais e possíveis a curto prazo, como a exigência de redução do consumo da água nas grandes plantações do agronegócio, em Minas, Bahia, que extraem água de um aquífero, que alimenta o rio, utilizando técnicas exageradas no desperdício. Uma nova tecnologia tornaria possível a mudança sem prejuízos. Mas cadê governo?

Os efeitos mais devastadores ocorrem já faz algum tempo no trecho baixo do rio, entre Sergipe e Alagoas. Ali, o rio virou filete, a pesca acabou, a navegação encalhou, as várzeas de arroz secaram, e agora o mar avança subjugando a fraqueza de uma corrente que antes o empurrava até quilômetros além da praia, fazendo água doce surgir onde seria o mar. Eram mais de dois mil metros cúbicos de água despejando-se por segundo, isso nas épocas normais, nas grandes cheias o Velho Chico tomava ares de Amazonas.
Isso é passado, saudade, ou frustrações apenas. É preciso enxergar adiante, avaliar as proporções da catástrofe que ocorrerá em Alagoas e Sergipe caso o rio continue morrendo.

A solução que tem sido apontada e na qual aqui temos insistido, seria um estudo sobre a viabilidade de uma barragem de foz. Com isso, o rio agora salgando teria garantida a boa qualidade da sua água, cujo volume aumentaria também É tarefa complexa que exigirá muito da engenharia. Envolve problemas variados, a começar pela definição do nível até onde a água poderá subir sem afetar as margens, além de tantas outras questões.
Neste fim de governo, ou no antecipado velório dos Geddeis, na área federal só se trata daquilo que significar a sobrevivência do grupo, assim, o que se poderia agora fazer seria, pelo menos, começar a por o tema em debate. O governador de Alagoas Renan Filho vai colocar a questão da barragem de foz na sua plataforma de candidato à reeleição. Por aqui, Belivaldo deverá fazer o mesmo, e procurará até uma sintonia com o colega alagoano. Jackson, que certamente disputará o Senado, há tempos lida com as urgências surgidas pela agonia do Velho Chico. Ano passado teve de ir a São Paulo solicitar por empréstimo ao governador Alckmin, um conjunto de bombas flutuantes de sucção, para não deixar em risco o abastecimento , principalmente de Aracaju e dos polos industriais. Alckmin foi solicito, atencioso e rápido nas providencias. As bombas já estão faz meses instaladas.

O modelo para a construção da barragem poderia ser uma parceria público privada, com a empresa parceira ficando com o direito de arrecadar por trinta anos ou mais as tarifas da água. Ou também o pedágio no trecho da autopista sobre a barragem, se isso for tecnicamente possível. Poderia se pensar ainda na instalação de torres de geração eólica ao longo da barragem. Na concepção inicial do governador Renan Filho ela ficaria um pouco recuada num trecho menos alargado do rio, e naquela área o vento é constante.
A barragem de foz livrará Sergipe e Alagoas da ameaça de um quase apocalipse.