Cirurgia reduz salários de diretores, mas não paga funcionários

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Clique nas imagens para ampliar

Publicada em 21/02/2018 às 00:23:00

Milton Alves Júnior

Servidores da Fundação Beneficente Hospital de Cirurgia seguem enfrentando dificuldades administrativas para receber os respectivos salários dentro do mês, ou no mais tardar, até o quinto dia útil subsequente. Apesar da mudança contratual realizada no início deste ano - quando passou a demanda financeira deixou de ser da Prefeitura de Aracaju e passou para a Secretaria de Estado da Saúde, a classe trabalhadora denunciou na manhã de ontem mais um atraso promovido pela direção hospitalar. Até a tarde de ontem mais de 1.200 profissionais de diversas áreas ainda não haviam recebido os vencimentos referentes ao mês de janeiro. Atualmente a folha está orçada em R$ 2,3 milhões.

Para a direção do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), caso a direção do HC e gestores estaduais desejem evitar uma nova suspensão parcial dos serviços, é necessário que os débitos ainda abertos seja, solucionadas de imediato. Os servidores ligados ao sindicato garantiram ao Jornal do Dia que seguem atendendo todas as demandas destinadas aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), mas não descartou a possibilidade de provocar uma nova assembleia extraordinária das categorias a fim de estudar e deliberar uma greve por tempo indeterminado e com até 70% de adesão. A perspectiva segue quanto ao pagamento do benefício.

Sobre essa expectativa, o Hospital de Cirurgia informou que a previsão é que o Governo do Estado realize o repasse de verbas até o final desta semana para os cofres do HC. Assim que o dinheiro for depositado, o repasse para os funcionários será automático, e a disponibilidade do dinheiro dependerá apenas da compensação bancária. Insatisfeito com a situação reincidente, José Cícero de Souza, representante da categoria, lamenta que centenas de trabalhadores permaneçam sofrendo com a falta de garantias quanto à data exata para receber os salários. O sindicalista defende a manutenção da pressão e realização de novos atos públicos.
"Infelizmente quando a gente começa a acreditar que iremos sentir uma leve melhora nesse tipo de problema, a gente acaba se deparando com o mesmo impasse de meses anteriores. Independentemente de existir um novo contrato, o fato é que a paciência de todos está mais que esgotada; a possibilidade de paralisação é grande", informou. Cícero, que atualmente assume a presidência da Associação dos Funcionários e Amigos do Hospital de Cirurgia (Asfa), relatou ainda a situação dos supersalários que recebem os diretores da unidade. Quanto a essas denúncias, os gestores marcaram uma entrevista coletiva para a manhã de ontem, mas não compareceram.

Diretores - Durante a entrevista, Júnior Valadares, assessor de comunicação, informou que a direção reconhece os salários altos e que a remuneração do diretor-presidente será reduzida em 40% e dos diretores administrativo e técnicos serão reajustada negativamente em 30%. O valor máximo da remuneração dos dirigentes não será superior a R$ 30 mil. "Observem que contradição: enquanto milhares de funcionários sofrem com o atraso e os salários baixos, salários estes que até os diretores reconhecem ser baixos, esses gestores recebem fortunas. Esses cortes deveriam ter sido feitos há muito tempo, e não somente agora. Esperamos que o MPT esteja acompanhando tudo isso", pontuou.