Marlene presta depoimento sobre a "Caça-Fantasma"

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Publicada em 24/02/2018 às 00:23:00

Gabriel Damásio

A ex-secretária muni-cipal de Governo de Aracaju, Marlene Alves Calumby, se apresentou ontem ao Ministério Público Estadual (MPSE) e prestou depoimento sobre as denúncias investigadas pela 'Operação Caça-Fantasma', que investiga a contratação de funcionários-fantasmas para cargos comissionados na Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA), durante a gestão do ex-prefeito João Alves Filho (2013-2016).Marlene é denunciada pelo crime de peculato em todos os processos que já foram abertos sobre o caso. Outras 25 pessoas também foram denunciadas, incluindo o próprio João Alves, irmão da ex-secretária.

Ela chegou à sede do órgão no começo da manhã e falou por quase duas horas à promotora Luciana Duarte Sobral, do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco). A promotora e os outros integrantes do grupo não falaram com a imprensa, mas, segundo o a assessoria do MPSE, todo o depoimento dela foi gravado e será anexado aos autos do processo, mas seu teor não foi divulgado.

Na saída do depoimento, ela disse a jornalistas que "não lhe compete dizer" o conteúdo do depoimento prestado. O advogado dela, Aurélio Belém do Espírito Santo, argumentou que sua cliente não determinava as nomeações dos servidores e nem fiscalizava a presença deles ao serviço nas repartições da PMA. "À professora Marlene, cabia apenas cumpriras ordens. Ela apenas assinava os decretos de nomeações, o que era a sua competência. Se era determinado a ela nomear tal pessoa, ela nomeava, e os setores competentes de cada órgão eram que fiscalizavam os servidores.  Ela não era a 'bedel' da Prefeitura, não cabia a ela fiscalizar o ponto", disse ele.  O advogado diz também que Marlene está tranquila quanto ao andamento dos processos.

Os promotores do Gaeco afirmam que os comissionados 'fantasmas' recebiam seus salários mensalmente sem comparecer ao trabalho ou mesmo comprovar qualquer serviço prestado. Na última semana, mais uma denúncia foi apresentada à Justiça contra João e Marlene, além de outros cinco ex-servidores lotados no Gabinete do Prefeito. Ela aponta especificamente um prejuízo de mais de R$ 667 mil, equivalentes ao valor pago durante o período em que eles permaneceram lotados. Nas outras ações, o prejuízo já passa dos R$ 2 milhões, mas estima-se que ele será muito maior, pois toda a investigação ainda não foi concluída.

Já na semana passada, o ex-secretário Juvêncio Oliveira prestou depoimento ao MPSE sobre a nomeação de servidores para a extinta Secretaria de Articulação Política e Relações Institucionais (Seapri), onde também foram encontrados indícios de irregularidades e nomeações de servidores fantasmas. Entre os outros investigados pelas nomeações, estão o ex-vice-prefeito José Carlos Machado e o ex-vereador Agamenon Sobral. O ex-prefeito João Alves mora em Brasília (DF) e, segundo a família,está com mal de Alzheimer, não sendo considerado apto para prestar depoimento ao Ministério Público.