Juíza decreta prisão preventiva de sargento no caso dos combustíveis

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Publicada em 25/02/2018 às 19:46:00

Gabriel Damásio

O terceiro-sargento Ro-bertson Souza Silva, que era lotado no Centro de Suprimento e Manutenção (CSM) da Polícia Militar, foi preso no final da tarde desta sexta-feira e recolhido ao Presídio Militar (Presmil). Ele teve a prisão preventiva decretada pela juíza Juliana Nogueira Galvão Martins, da 6ª Vara Criminal de Aracaju, dentro do processo judicial que apura o suposto esquema de desvio de recursos destinados à compra de combustíveis para as viaturas da corporação. Robertson tinha sido transferido para uma companhia do interior após a conclusão do inquérito. Sua defesa deve impetrar até segunda-feira um pedido de habeas-corpus para revogar a prisão.

O processo está em segredo de justiça, mas a notícia da prisão foi confirmada pelo Comando da PM. Segundo informações oficiais, a prisão do sargento foi pedida pelo promotor João Rodrigues Neto, responsável pelo Ministério Público na 6ª Vara, com base nas informações do Inquérito Policial Militar (IPM) aberto no ano passado pela Corregedoria da Polícia Militar, a partir de uma investigação da Polícia Civil. Uma das provas arroladas neste inquérito foi o depoimento de uma frentista que trabalhava em um posto da rede Petrox no bairro Lamarão (zona norte).

A frentista, também indiciada pelo IPM, confessou sua participação no esquema e apontou o sargento como responsável pelo fornecimento dos "cartões-coringa" usados para abastecer as viaturas de serviço em casos emergenciais. Segundo o IPM, a frentista usava estes cartões para simular o abastecimento de viaturas, debitando os respectivos valores do sistema rede Card e repassando o valor equivalente em dinheiro para Robertson, ficando com uma parte. O valor do prejuízo ainda não foi divulgado, mas especula-se que este total pode chegar a R$ 1 milhão, pois o esquema, conhecido como "Troca de Moedas", teria funcionado desde 2014.
A advogada do sargento, Eliza Marques, já declarou, em entrevistas à imprensa, que seu cliente não cometeu qualquer irregularidade e apenas cumpria ordens superiores. No entanto, ela não descartou a possibilidade de o militar fazer uma delação premiada, a depender do andamento do processo judicial. Por sua parte, o Comando da PM informou que os depoimentos e as provas colhidas arrolavam apenas Robertson e não apontam para a participação de outros envolvidos.

O resultado do IPM já causou uma grande crise na Polícia Militar, depois que o coronel Benê de Oliveira Gravatá foi afastado da Corregedoria e, em entrevista à rádio Mix FM, acusou publicamente o comandante-geral da PM, coronel Marcony Cabral, de tentar abortar o inquérito para proteger oficiais supostamente envolvidos com o esquema. Marcony processou Gravatá, afastou-o do serviço ordinário e ordenou a abertura de um processo disciplinar que apura a sua conduta. O escândalo provocou ainda a saída do tenente-coronel Edenisson Santos da Paixão, primo do comandante, da chefia da 4ª Seção do Estado Maior (PM-4), que é responsável pelo CSM. Edênisson nega qualquer envolvimento.