ANDRÉ MOURA, GILMAR E E A TENDA DE VALADARES

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Publicada em 25/02/2018 às 19:46:00

O deputado André Moura joga todas as suas fichas na protetora liberalidade que demonstra o ministro Gilmar Mendes. Isso, em todos os casos que envolvam políticos incluídos naquele campo das afinidades com a sua visão pessoal do que deve ser a política, o governo, o Estado e a sociedade . Mandatos intocáveis, foro especial, coisas que na visão do ministro não devem ser vistas como privilégios, mas prerrogativas, que incluem também deslizes por ele entendidos como meros acidentes de percurso. Essa convicção do ilustrado ministro seria absolutamente normal numa sociedade onde as castas superiores do poder e do dinheiro sejam tratadas como setores especiais, dispondo de liberdade e segurança, porque desempenham a missão de conduzir o rebanho, e por ordem nos seus exclusivíssimos domínios.

O Brasil está deixando de ser esse tipo de sociedade
O ministro que é culto e transita muito desenvoltamente pelas teias da aplicação da justiça, não deixa dúvidas sobre o que pensa, e como também irá agir. Falando com a eloquência que confere ao discurso, que tanto pode ser linear como sinuoso, o ministro deixa explicitamente antecipadas as suas decisões.
Com essa absoluta certeza do voto de Gilmar e dos ministros que o seguem, André Moura em nenhum momento sofreu qualquer abalo na maratona que faz para consolidar uma candidatura majoritária, que por meses disfarçou, como se quisesse apenas uma modesta reeleição. Mas logo ele, o sergipano que mais poder até hoje acumulou na República, conformar-se em ficar apenas, na Câmara dos Deputados ? Nada disso, André hoje exerce comando total sobre o seu agrupamento, ao qual ele também não se deixa confinar. O senador Eduardo Amorim, mesmo contra sua vontade, irá apresentar-se como candidato ao governo. Valadares terá de conformar-se com a indicação do filho deputado federal para a vice- governança, e desistir da sua pretensão de reeleger-se, acomodando-se em Brasília, mas, desta vez na Câmara dos Deputados, com eleição garantida e avalizada por André Moura. Se assim não se mostrar satisfeito terá de armar sua tenda em outro território.

Valadares já estaria tratando de acomodar-se numa terceira via , desde que consiga reunir alguns partidos para ter tempo na televisão, onde diria que é veteraníssimo, sem duvidas, mas nunca se viu envolvido em casos de corrupção, nunca foi investigado pela Policia Federal, nunca transitou como indiciado pelos tribunais superiores, nunca precisou preocupar-se com a Lei da Ficha Limpa para poder ser candidato. Nesse caso, ele estaria, mesmo sem querer favorecendo um outro possível candidato ao Senado, o agora governador Jackson Barreto, também, da mesma forma que Valadares com um trajeto longo pela política, mas, sem precisar rondar em Brasília pelos gabinetes de ministros, desembargadores ou juízes federais, para que o livrem de castigá-lo por atos de improbidade. Seriam então eles dois os únicos candidatos ao Senado, além dos nanicos que já surgem , despreocupados com a Lei da Ficha Limpa. Numa sociedade indignada com a corrupção, esse seria um discurso bem apropriado.