A TERÇA- FEIRA GORDA DE MICHEL TEMER

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Publicada em 25/02/2018 às 19:46:00

Em que dia e em que hora nasceu a ideia da intervenção federal no Rio de Janeiro? A hora é imprecisa, mas o dia exato seria 13 de fevereiro, a terça - feira gorda do carnaval. Naquele dia o presidente Temer assistiu o vídeo do desfile da Escola de Samba do Tuiutí, onde aquele boneco representando o ¨Vampiro Presidente ¨com faixa verde amarela ao peito em cima de um carro alegórico foi vaiado estrepitosamente ao longo do Sambódromo. Ele já se convencera que a sua desastrada reforma da previdência não seria aprovada. Assim, sem algo positivo a oferecer ao mercado, melhor dizendo ao sistema financeiro, sabia que a sua trajetória dai em diante seria uma corrida de obstáculos cada vez maiores. Com três por cento de aprovação popular, mais uma investigação da Policia Federal que o seu representante Fernando Segóvia não conseguira deter, e a perspectiva de chegar ao fim do seu mandato renegado pelos brasileiros e tendo de prestar contas à Justiça sem a proteção do foro especial, a sua vida e a dos companheiros não estaria nada fácil.
Disse Moreira Franco que no grupo do Planalto não existem amadores. Isso é verdade. Temer e os que o cercam são profissionalíssimos, um dos seus mais ativos membros, tinha, num só apartamento 51 milhões de reais. Ganhou de lavada para aquele que corria, ¨apenas¨ com 500 mil numa mala.
Naquela terça- feira gorda Michel vivia horas inquietas. Foi então que resolveu telefonar aos amigos, aos aliados.
Foi ao telefone que criptografa as falas, e do que falaram façamos uma ideia:
Michel Temer : ¨Ou Moreira, ou Padilha, ou Jucá, ou André Moura, acordem. Me digam, o que é que anda mais revoltando o povo. Não me falem em salário mínimo, no preço do gás, na gasolina, na saúde, nos nossos escândalos, nessas coisas que a gente não pode dar jeito. Me falem de coisas mais populares, mais sentidas diretamente, que estão toda hora na mídia.¨
Ai, André Moura fatigado de tanto andar pelo interior de Sergipe, levando aos prefeitos noticias sobre dinheiro chegando, ainda semiacordado, fala estremunhando : Que tiro foi esse presidente ?¨
Michel Temer : ¨É isso aí André. Bingo, bingo, o problema é o tiro, a bala perdida. Pronto, vamos tomar o fuzil do Bolsonaro. Amanhã cuidamos da intervenção federal no Rio de Janeiro. A gente mobiliza o exército, a marinha, a aeronáutica, bota os milicos na rua, cercando favela, subindo o morro, patrulhando estradas, e ai André vamos repetir o que você diz sempre lá em Sergipe: bandido bom é bandido morto. Aprendeu com o Maluf não foi ? ¨
André : ¨Não presidente, naquele tempo eu era menino, quem dizia muito isso era o nosso Eduardo Cunha.
O senhor lembra? ele foi chamado até de Guerreiro do Povo Brasileiro. O Paulinho da Força Sindical fez isso, eu vi a manifestação, estava acompanhando o Cunha. Combater bandido pé de chinelo dá mais ponto no IBOPE do que a Lava Jato.¨
Na outra ponta da linha aparece então Moreira Franco, o ¨gato angorᨠcarioca , cadáver político ressuscitado por Lula, Dilma, amigo do peito de Temer, ainda sonolento, fala arrastada vai dizendo: ¨ É isso aí Michel, vamos entrar em cena, o tiro quem dá agora é a gente. Quando eu fui candidato ao governo, você lembra ? do outro lado estava o Darcy Ribeiro, apoiado por Brizola e disparado na preferencia da classe média do Rio de Janeiro. Eu o que fiz ? Tá lembrado ? Disse que Darcy era um intelectual sonhador, falando em construir escolas, os CIEPs, mas eu era ¨durão ¨não ia esperar que os bandidos ficassem educados, agiria rápido e com força. Ganheio o voto do povão prometendo que em seis meses de governo exterminaria a bandidagem. Aqui entre nós, deu em merda, com poucos meses já gritavam na minha porta:¨ Cadê a segurança Moreira?¨ Mas eu era governador, ganhei a eleição. Veja Michel, eu não tinha as forças armadas, você tem. Se os tanques e tropas nas ruas, os helicópteros voando, em pouco tempo conseguirem diminuir a ação dos trombadinhas, dos assaltantes, dos pivetes marginais, então você cresce nas pesquisas, e ai Michel, você pode ser até ser candidato à reeleição. Pense nisso, e não esqueça também de criar o Ministério da Segurança Publica, aproveite, e bote gente da nossa confiança para começar a controlar a Policia Federal. A PF tem que sair catando é bandido com fuzil na mão, nós somos desarmados. Opa , desculpe-me, foi um ato falho. Não era isso o que quis dizer. Nós temos à nossa disposição blindados, navios, aviões, milhares de homens em armas.¨
As forças armadas assumiram um risco imenso e o general Vilas Boas, comandante do exército falou muito claramente sobre os obstáculos que terão de ser superados. O general reformado Augusto Heleno primeiro comandante das tropas brasileiras no Haiti foi mais incisivo, lembrando que falta credibilidade ao governo do presidente Temer para comandar ações contra o crime, até porque ele mesmo é objeto de investigações da Policia Federal, pela terceira vez.
Tudo foi feito improvisadamente. Não se sabe sequer se haverá recursos para custear as despesas enormes com a intervenção. O Ministro da Defesa, afastou a possibilidade de ser conferido poder de policia aos militares, isso causou uma enorme insatisfação no general interventor e surgiram as controvérsias. A explicação sobre o papel das forças armadas e os objetivos da intervenção lembravam a enorme confusão que criou-se ao ser anunciado o Plano Collor, aquela doideira do sequestro de todos os ativos, tentando ser explicada pela atrapalhada Ministra da Fazenda Zélia Cardoso de Melo que quase desmancha o casamento antigo do ministro da Justiça Bernardo Cabral, dançando apaixonadamente o bolero Besame Mucho . Depois, já ex- ministra Zélia encantou o humorista Chico Anísio, que, sendo um homem de muitas mulheres e inteligente, desfez o casamento em pouco tempo.
No caso da intervenção no Rio, o Ministro da Defesa Jungman, evidentemente não terminará casando com nenhum humorista, mas abre uma avenida enorme para provocar o riso.
Nos faz falta um Stanislaw Ponte Preta para escrever sobre o festival, desta vez não de besteiras, mas de tragédias, desses dias que marcam o apodrecimento da República.
Os militares não podem recusar missões que lhe são atribuídas por quem é o comandante em chefe das forças armadas, a questão é quando esse chefe deixa de inspirar confiança, deixa de representar aqueles valores que são exigidos de quem deve dar exemplos pessoais de respeito às instituições e integridade pessoal absolutamente isenta de duvidas.
O que não é o caso.