Pacientes não sabem quando farão cirurgia

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Publicada em 25/02/2018 às 19:46:00

Milton Alves Júnior

Amparados única e exclusivamente pela fé, usuários do Sistema Único de Saúde que seguem internados no Hospital de Cirurgia, em Aracaju, aguardando por procedimento cirúrgico ortopédico, se debruçam em meio à dor, falta de assistência e a incógnita de quando, finalmente, serão conduzidos à sala de cirurgia. Durante a última semana o Jornal do Dia esteve na unidade onde ouviu relatos de familiares os quais seguem pressionando a administração hospitalar para que se apliquem em caráter emergencial políticas públicas que acelerem o fluxo dos procedimentos. Alguns dos denunciantes possuem parentes acamados há mais de cinco meses e já pedem a intervenção do Ministério Público Estadual para solucionar a irregularidade.
Como se não bastasse a longa fila de espera de usuário do SUS nas dependências do HC, no último mês de dezembro a Secretaria de Estado da Saúde (SES), aprovou a transferência de 105 pacientes do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), para o Cirurgia; desses, 55 pessoas foram direcionados justamente para o setor ortopédico. Diante do cenário de incertezas e preocupação com o quadro clínico enfrentado pelo irmão, José Cláudio, morador do município de Lagarto, na tarde da última quinta-feira seguiu para o complexo administrativo do HC a fim de se reunir com a direção hospitalar e buscar solução imediata não apenas para o ente, mas para todos que enfrentam a mesma situação.
Para o contribuinte em dias com as respectivas obrigações - bastante frisado por ele, é inadmissível que o problema se estenda por mais de 50 dias e até o momento não haja nenhuma perspectiva de progresso. Certo de que apenas com a persistência será possível sanar a problemática, ele promete ocupar diariamente os corredores que dão acesso ao gabinete da presidência até que o pleito seja atendido. "Meu irmão JoVitorino está há quase dois meses esperando por uma cirurgia no fêmur e até agora não temos expectativa nenhuma de quando ela finalmente vai acontecer. A gente questiona no setor eles dizem que é com a direção; chego aqui e eles dizem que a escala é feita por lá. Cansei, agora vou pressionar todos os dias", declarou.
Cenário conflitante que se confunde com os relatos feitos por Lívia Fonseca, que acompanha a internação do pai. Indicado para realizar a implantação de dois parafusos/pinos na perna, o paciente também segue amargando o gosto da indecisão imposta pela unidade hospitalar. Usuário do SUS e sem condições financeiras de encaminhar o pai para a rede particular, a denunciante pede a atenção dos órgãos de fiscalização e imprensa sergipana para tentar minimizar as dificuldades enfrentadas por dezenas de pacientes. Além disso, Lívia ainda denúncia supostas atitudes de coação promovida por gestores da unidade que tentam convencer os familiares a pagar pelo serviço particular.
"Não foram os diretores gerais, mas alguns coordenadores que, ao perguntar se eu optasse pelo plano particular lá dentro mesmo do hospital quando a cirurgia seria realizada, simplesmente disseram que dependeria apenas do dia do pagamento. Ou seja, tem equipamento, tem profissionais, mas não o fazem por quais motivos? Só porque somos da rede pública?", indagou. Ao JD a denunciante informou que o procedimento cirúrgico do pai está orçado em doze mil reais. Também na quinta-feira passada Lívia esteve reunida com o diretor administrativo do HC, Milton Eduardo Santana, quando relatou essas denúncias. "Tem um mês que sofremos dia e noite. Nenhuma resposta certa é apresentada", pontuou.

Esclarecimentos - Sobre as denúncias, a direção da Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (FBHC), reconhece que problemas financeiros seguem contribuindo para que a situação operacional e administrativa ainda encontre dificuldades em reparar, por exemplo, o atraso na realização das cirurgias. Outro problema comum trata-se do número insuficiente de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Hoje a unidade possui apenas dez. Segundo a Assessoria de Comunicação, um número avantajado de pacientes possui mais de 60 anos de idade, e nenhum médico se disponibiliza a realizar cirurgias em caso de indisponibilidade dos leitos.
A Ascom esclarece que, em caso de complicações durante o procedimento, não haveria local para encaminhar o paciente. Por fim, o Hospital de Cirurgia lamentou que a paralisação dos anestesiologistas também contribua diretamente para que haja atraso na realização das cirurgias e a fila de espera siga em abrangência. Quanto às ações em busca de soluções, Milton Santana informou que nesta segunda-feira, 26, haverá uma reunião extraordinária para definir a programação de cirurgias destinadas as pessoas internadas há mais tempo, e que, possivelmente, esses procedimentos começará já na manhã da próxima terça-feira, 27.