Lixo se acumula no Hospital de Urgência

Compartilhar:
Imprimir Aumentar Texto Diminuir Texto

Publicada em 27/02/2018 às 02:12:00

Milton Alves Júnior

Prestes a completar uma semana de gre-ve no serviço de coleta de lixo hospitalar, a paralisação unificada dos trabalhadores terceirizados da empresa Multiserv, atuante no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), tem gerado preocupação generalizada nas dependências internas e externas do maior hospital público do Estado de Sergipe. Sem coleta, e com um acúmulo representativo de dejetos, usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e trabalhadores das mais diversas áreas temem que o não descarte apropriado possa resultar em complicação à saúde de todos aqueles que frequentam o espaço. A Secretaria de Estado da Saúde lamenta a situação e garante que a Multiserv descumpre o contrato.

Transparente ao enaltecer o amplo conhecimento quanto aos atrasos nos repasse das verbas, a SES esclareceu ao Jornal do Dia que as pendências ultrapassam 60 dias, mas destacou que, mesmo assim, o setor patronal está descumprindo com a Lei de número 8.666, de 21 de junho de 1993, popular Lei das Licitações. Neste caso a favor da parte contratante - SES e Fundação Hospitalar de Saúde (FHS), a legislação estabelece que a empresa contratada poderá suspender o serviço, ou até reincidir o contrato quando a falta de pagamento pela contratante for superior a 90 dias; antes disso, deve manter o funcionamento integral das ações declaradas no contrato firmado entre as partes.

Independentemente da troca de farpas verbais protagonizada desde o último dia 21 entre empresários, governistas e classe trabalhadora que segue sem receber o salário de janeiro e já o de fevereiro, os pacientes e funcionários do Huse reivindicam solução imediata para o problema. De acordo com infectologistas, não se pode descartar a possibilidade de infecção provocada pelo acúmulo indevido de lixo. O agravante de todo esse cenário é que, em contraponto, a Multiserv alega que o prazo já foi estourado; no acumulado dos atrasos, o déficit já ultrapassa cinco milhões de reais. A Multiserv informou ainda que a situação só deverá ser mudada mediante quitação de faturas.
Acompanhando o pai em uma internação após acidente automotivo, a estanciana Maria Glenda Ramos disse que teve conhecimento da situação na última quinta-feira, 22, e pediu esclarecimento à equipe médica sobre os riscos. Em companhia de familiares ela tem frequentado o hospital desde o dia 16 deste mês. "Espero que seja liberado essa semana (o pai) e a gente possa logo ir para casa. Sabia da manifestação, mas não que estava assim em nível de tanta preocupação. Se os médicos e enfermeiros aparentam medo, imagine a gente que não temos conhecimento do que esse lixo pode criar de coisa ruim. Todos, ou a grande maioria aqui está com essa preocupação", declarou.
Na manhã de ontem a Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Saúde voltou a informar que: "quando o Estado pactua um contrato é diretamente coma empresa e não com seus funcionários. Portanto essas questões de salários devem ser resolvidas entre eles". O Sindicato dos Empregados de Condomínios, de Asseio e Conversação do Estado de Sergipe (Sindecese), e a direção da Multiserv informaram apenas que esperam que as pendências financeiras sejam logo sanadas a fim de minimizar qualquer possibilidade de agravamento dos problemas.