Saúde paga R$ 2 milhões e limpeza do Huse será normalizada

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Publicada em 01/03/2018 às 00:13:00

Milton Alves Júnior

Um repasse de R$ 2 milhões creditados na manhã de ontem na conta do Grupo Multiserv, pode contribuir para que a coleta de lixo e higienização do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) volte à normalidade ainda esta semana. De braços cruzados desde o último dia 21, trabalhadores terceirizados optaram por suspender 65% das atividades funcionais em virtude do atraso no repasse salarial referente ao mês de janeiro. Em meio à greve, acúmulo irregular de lixo hospitalar e troca de farpas entre empresários e gestores públicos, a Secretaria de Estado da Saúde informou que parte da dívida orçada pela Multiserv em R$ 6.407.867,84, já havia sido repassada.

Cálculos, inclusive, negados pela administração estadual. Ainda segundo esclarecimentos apresentados pela SES, em caso de paralisação dos serviços dentro de um período de 90 dias de atraso financeiro entre contratante e contratado, o acordo jurídico indica que a empresa é obrigada a substituir a mão de obra de forma imediata em virtude de uma glosa no valor de sete milhões de reais. Nesse caso, a pasta alega possuir um crédito no montante de R$ 1 milhão junto à Multiserv. Por sua vez o grupo empresarial informou que os débitos em aberto se referiam aos meses de fevereiro, outubro, novembro e dezembro do ano passado, além de janeiro e fevereiro deste ano.

Normalização - Com o depósito no início da manhã, a perspectiva da Secretaria da Saúde era que todos os trabalhadores tivessem recebido o salário referente ao mês de janeiro ainda na noite de ontem. Com a quitação dessa de parte das pendências, a SES e a Fundação Hospitalar de Saúde esperam que os serviços operacionais nas dependências do Huse sejam restabelecidos ainda agora pela manhã. Em defesa do servidor, a direção do Sindicato dos Empregados de Condomínio, Empresas de Asseio e Conservação do Estado de Sergipe (Sindecese) informou ao Jornal do Dia que esse desejo patronal pode ser atendido, desde que as promessas tenham sido cumpridas em tempo hábil.
"Quando paralisamos as funções e depois deliberamos a greve, ficou determinado que o sistema seria normalizado a partir do momento em que o salário fosse creditado na conta de cada profissional. Se esse dinheiro realmente for depositado, a categoria irá respeitar o que ficou acordado em assembleia e irá retomar os serviços", declarou Diego Santos, sindicalista porta-voz dos trabalhadores. Apesar do pagamento de janeiro estar disponível - conforme prometido, o Sindecese garantiu que segue acompanhando os trâmites administrativos diante da proposta de seguir pressionando a empresa e o Estado a pagarem o vencimento referente a fevereiro. A Multiserv já informou que o dinheiro repassado não é suficiente para pagar o salário do mês que venceu ontem.

"Não podemos aceitar que o salário de fevereiro seja pago no último dia de março; o de março no último dia de abril e assim por diante. Não deliberamos greve pela falta de pagamento de fevereiro até porque o quinto dia útil ainda será na quarta-feira da próxima semana, mas já adiantamos que não iremos tolerar mais atrasos. Cada servidor cumpre com as devidas funções trabalhistas, possui obrigações pessoais e não pode voltar a sofrer com esses lamentáveis atrasos", pontuou Diego. A SES não informou quando deve quitar as faturas ainda em aberto, tampouco se irá brigar na justiça pelos anunciados direitos de glosa.