Sem sombra de alegria

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Escultura de Tati Moreno não tem a animação própria do folclore sergipano
Escultura de Tati Moreno não tem a animação própria do folclore sergipano

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Publicada em 05/03/2018 às 22:25:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
O governador Jack-
son Barreto é co-
nhecido pela comunicação desassombrada, sem papas na língua, razão de um raro entendimento com os seus governados. Nem todo o latim do mundo, entretanto, será capaz de fazer o populacho engolir a cafonice glorificada no Largo da Gente Sergipana. Não adianta o governador se colocar à frente da empreitada milionária idealizada pelo arquiteto Ézio Déda. Cada nova etapa do projeto avançando sobre o Rio Sergipe repercute na forma de escárnio, lamento e indignação nas redes sociais.
A semana passada, as esculturas em fibra de vidro encomendadas sem qualquer espécie de concorrência ao artista Tati Moreno chegaram da Bahia. Foi o que bastou para o aviltante custo do monumento ser mais uma vez lembrado, com todas as cifras. Lá se vão mais de R$ 6 milhões, sem qualquer benefício simbólico ou prático para a sensibilidade sergipana, além de estabelecer um marco arquitetônico de pronunciado mal gosto para a gestão de Jackson Barreto. Enquanto isso, os espaços de convivência e o aparelho cultural do estado padecem a falta de uma agenda cultural, abandonados às moscas.
As esculturas do artista baiano, rígidas, como se surpreendidas em malfeito, passam longe da alegria e animação própria do folclore sergipano. Estão ali o motivo, o figurino, como nos livros de história. Faltam o movimento e a alegria que dificilmente escapariam ao olhar de um profissional nativo. Tati Moreno captou a forma esvaziada, a superfície. Mas a energia do folclore sergipano é outra, bem diferente.
Justiça seja feita: As reformas do Cacique Chá, Rua do Turista, Centro de Criatividade e Arquivo Público (ainda em curso), consumiram alguns milhões em recursos, um investimento bem razoável no patrimônio arquitetônico e material do lugar Serigy. Mas sem os papocos da Cultura local, sem o tum tum de um coração batendo acelerado, sem ocupação criativa, tanto dinheiro é gasto pra nada.
Aqui se lembra mais uma vez: O Governo de Sergipe tem uma sensibilidade de pedra. Não há parede vacilando no Centro Histórico de Aracaju que não mereça a justa preocupação do poder público estadual. Mas para além dos prédios elegantes, erguidos em mil novecentos e antigamente, evidência material de uma memória arruinada, há que se observar também os afetos do povo. E é nesse particular que a gestão Jackson Barreto se torna em mera fachada.

Rian Santos

riansantos@jornaldodiase.com.br


O governador Jack- son Barreto é co- nhecido pela comunicação desassombrada, sem papas na língua, razão de um raro entendimento com os seus governados. Nem todo o latim do mundo, entretanto, será capaz de fazer o populacho engolir a cafonice glorificada no Largo da Gente Sergipana. Não adianta o governador se colocar à frente da empreitada milionária idealizada pelo arquiteto Ézio Déda. Cada nova etapa do projeto avançando sobre o Rio Sergipe repercute na forma de escárnio, lamento e indignação nas redes sociais.


A semana passada, as esculturas em fibra de vidro encomendadas sem qualquer espécie de concorrência ao artista Tati Moreno chegaram da Bahia. Foi o que bastou para o aviltante custo do monumento ser mais uma vez lembrado, com todas as cifras. Lá se vão mais de R$ 6 milhões, sem qualquer benefício simbólico ou prático para a sensibilidade sergipana, além de estabelecer um marco arquitetônico de pronunciado mal gosto para a gestão de Jackson Barreto. Enquanto isso, os espaços de convivência e o aparelho cultural do estado padecem a falta de uma agenda cultural, abandonados às moscas.


As esculturas do artista baiano, rígidas, como se surpreendidas em malfeito, passam longe da alegria e animação própria do folclore sergipano. Estão ali o motivo, o figurino, como nos livros de história. Faltam o movimento e a alegria que dificilmente escapariam ao olhar de um profissional nativo. Tati Moreno captou a forma esvaziada, a superfície. Mas a energia do folclore sergipano é outra, bem diferente.


Justiça seja feita: As reformas do Cacique Chá, Rua do Turista, Centro de Criatividade e Arquivo Público (ainda em curso), consumiram alguns milhões em recursos, um investimento bem razoável no patrimônio arquitetônico e material do lugar Serigy. Mas sem os papocos da Cultura local, sem o tum tum de um coração batendo acelerado, sem ocupação criativa, tanto dinheiro é gasto pra nada.


Aqui se lembra mais uma vez: O Governo de Sergipe tem uma sensibilidade de pedra. Não há parede vacilando no Centro Histórico de Aracaju que não mereça a justa preocupação do poder público estadual. Mas para além dos prédios elegantes, erguidos em mil novecentos e antigamente, evidência material de uma memória arruinada, há que se observar também os afetos do povo. E é nesse particular que a gestão Jackson Barreto se torna em mera fachada.