Crimes políticos derrubam governos

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Publicada em 15/03/2018 às 23:20:00

 

* Alex Solnik 
De nada adianta Temer tentar se eximir e se distanciar do covarde assassinato da vereadora Marielle Franco ontem no Rio de Janeiro, dizendo que é um ataque à democracia e ao estado de direito, mandando investigar com rigor, se solidarizar e ainda por cima repetir que a intervenção foi decretada para evitar atentados como esse.
Na prática, como vimos, não evitou o atentado, ao contrário o provocou, pois, quatro dias antes a vereadora do PSOL tinha escrito em sua página do facebook que a polícia estava matando a torto e a direito em Acari e que "a situação piorou depois da intervenção".
Não há como não associar a execução à postagem do facebook.
Não há como não atribuir o homicídio a retaliação daqueles que a vereadora apontou como assassinos, aos quais a intervenção deu licença para matar. Aos responsáveis por piorar a situação.
É óbvio que é um crime político com o claro objetivo de silenciar críticas à intervenção.
A intervenção que, no primeiro momento, pareceu ser a tábua de salvação de Temer até para tentar se reeleger está se transformando em mais uma pinguela mal-assombrada sobre um mar de sangue, como previram os que já viram esse filme de terror.
Temer tentou conter a sangria rapidamente porque sabe que a onda de protestos que já se forma no Rio de Janeiro será imensa, a causa está comovendo o Brasil e o mundo e poderá engolir não só a sua intervenção, como também o seu governo.
É uma onda que conta não só com a solidariedade de todos os partidos ao PSOL, de todos os políticos, mas de toda a população, à semelhança do que ocorreu em 1968 com o assassinato do estudante Edson Luís, também no Rio cujo cadáver foi carregado por seus colegas pelas ruas da cidade aos gritos de "mãe, a ditadura matou um estudante, podia ser seu filho".
Marielle podia ser nossa filha.
Para se ter uma ideia do tamanho da onda, o atentado foi o assunto principal do "Encontro com Fátima Bernardes", que é programa de entretenimento e não jornalismo e costuma apresentar assuntos água com açúcar.
Temer não poderá, portanto, contar com a Globo para conter a onda.
Crimes políticos também derrubam governos, como vimos em 1930 e em 1954.
* Alex Solnik é jornalista. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"

* Alex Solnik 

De nada adianta Temer tentar se eximir e se distanciar do covarde assassinato da vereadora Marielle Franco ontem no Rio de Janeiro, dizendo que é um ataque à democracia e ao estado de direito, mandando investigar com rigor, se solidarizar e ainda por cima repetir que a intervenção foi decretada para evitar atentados como esse.
Na prática, como vimos, não evitou o atentado, ao contrário o provocou, pois, quatro dias antes a vereadora do PSOL tinha escrito em sua página do facebook que a polícia estava matando a torto e a direito em Acari e que "a situação piorou depois da intervenção".
Não há como não associar a execução à postagem do facebook.
Não há como não atribuir o homicídio a retaliação daqueles que a vereadora apontou como assassinos, aos quais a intervenção deu licença para matar. Aos responsáveis por piorar a situação.
É óbvio que é um crime político com o claro objetivo de silenciar críticas à intervenção.
A intervenção que, no primeiro momento, pareceu ser a tábua de salvação de Temer até para tentar se reeleger está se transformando em mais uma pinguela mal-assombrada sobre um mar de sangue, como previram os que já viram esse filme de terror.
Temer tentou conter a sangria rapidamente porque sabe que a onda de protestos que já se forma no Rio de Janeiro será imensa, a causa está comovendo o Brasil e o mundo e poderá engolir não só a sua intervenção, como também o seu governo.
É uma onda que conta não só com a solidariedade de todos os partidos ao PSOL, de todos os políticos, mas de toda a população, à semelhança do que ocorreu em 1968 com o assassinato do estudante Edson Luís, também no Rio cujo cadáver foi carregado por seus colegas pelas ruas da cidade aos gritos de "mãe, a ditadura matou um estudante, podia ser seu filho".
Marielle podia ser nossa filha.
Para se ter uma ideia do tamanho da onda, o atentado foi o assunto principal do "Encontro com Fátima Bernardes", que é programa de entretenimento e não jornalismo e costuma apresentar assuntos água com açúcar.
Temer não poderá, portanto, contar com a Globo para conter a onda.
Crimes políticos também derrubam governos, como vimos em 1930 e em 1954.
* Alex Solnik é jornalista. É autor de treze livros, dentre os quais "Porque não deu certo", "O Cofre do Adhemar", "A guerra do apagão" e "O domador de sonhos"