A última cassete de Pedro Bomba

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O negócio é fazer barulho
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Publicada em 20/03/2018 às 00:40:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Enquanto as Academi-
as de Letras são fun-
dadas a torto e direito, alheias ao pulso agoniado do tempo, a poesia encontra guarita na boca de uma geração em tudo avessa às cerimônias e rapapés cultivados na província. Perguntem a Pedro Bomba. Amiga de todo tipo de gente, a poesia agora corre trecho e perigo, pra cima e pra baixo, mãos dadas com a meninada da cidade.
Há poucos dias, o dito cujo divulgou a 'Última cassete' (2018). Trata-se de um link ancorado na plataforma Soundcloud, uma compilação em áudio de alguns poemas mais ou menos recentes. Ali, em sete faixas gravadas de maneira rudimentar, com a cara e a coragem, a inflexão própria do tempo presente.
Embora já tenha um livro publicado, 'O chão dispõe a queda' (2017), é por meio da internet, nos botecos e ajuntamentos criativos, que o poeta se afirma com mais propriedade, de corpo presente. As performances de Pedro Bomba remetem a um modo de fazer poesia e "estar no mundo" cuja origem, enquanto fenômeno de visibilidade pública, ganhou feição e sotaque local com as reuniões promovidas pelo Sarau Debaixo, sob o viaduto do Distrito Industrial de Aracaju. Desde então, ocupações semelhantes são promovidas em todos os cantos, silêncio na cidade não se escuta.
Não é a primeira vez que Pedro Bomba investe nas plataformas de streaming para mandar o seu recado. O single 'Se alguém ergue a mão e acena' (2017), além dos EP's 'A troco de nada e de ninguém' (2016) e 'Amor coragem' (2015), no entanto, embalavam a poesia com os laços, artifícios e ambiência de produção musical. Agora, ao contrário, o verbo é o único cajado do poeta, a palavra sustenta a ladainha sozinha, 
Há os livros conservados nas estantes, e há também a experiência na pele, o tal do mundo real. Por isso se esgoelam os poetas como Pedro Bomba, afeitos ao barulho. Graças a estes, desde quando a poesia fugiu dos salões, morta de tédio, nunca mais ninguém a surpreendeu em bocejos de bela adormecida.

Enquanto as Academi- as de Letras são fun- dadas a torto e direito, alheias ao pulso agoniado do tempo, a poesia encontra guarita na boca de uma geração em tudo avessa às cerimônias e rapapés cultivados na província. Perguntem a Pedro Bomba. Amiga de todo tipo de gente, a poesia agora corre trecho e perigo, pra cima e pra baixo, mãos dadas com a meninada da cidade.
Há poucos dias, o dito cujo divulgou a 'Última cassete' (2018). Trata-se de um link ancorado na plataforma Soundcloud, uma compilação em áudio de alguns poemas mais ou menos recentes. Ali, em sete faixas gravadas de maneira rudimentar, com a cara e a coragem, a inflexão própria do tempo presente.
Embora já tenha um livro publicado, 'O chão dispõe a queda' (2017), é por meio da internet, nos botecos e ajuntamentos criativos, que o poeta se afirma com mais propriedade, de corpo presente. As performances de Pedro Bomba remetem a um modo de fazer poesia e "estar no mundo" cuja origem, enquanto fenômeno de visibilidade pública, ganhou feição e sotaque local com as reuniões promovidas pelo Sarau Debaixo, sob o viaduto do Distrito Industrial de Aracaju. Desde então, ocupações semelhantes são promovidas em todos os cantos, silêncio na cidade não se escuta.
Não é a primeira vez que Pedro Bomba investe nas plataformas de streaming para mandar o seu recado. O single 'Se alguém ergue a mão e acena' (2017), além dos EP's 'A troco de nada e de ninguém' (2016) e 'Amor coragem' (2015), no entanto, embalavam a poesia com os laços, artifícios e ambiência de produção musical. Agora, ao contrário, o verbo é o único cajado do poeta, a palavra sustenta a ladainha sozinha, 
Há os livros conservados nas estantes, e há também a experiência na pele, o tal do mundo real. Por isso se esgoelam os poetas como Pedro Bomba, afeitos ao barulho. Graças a estes, desde quando a poesia fugiu dos salões, morta de tédio, nunca mais ninguém a surpreendeu em bocejos de bela adormecida.