Música e poesia em Aracaju ( II )

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Publicada em 20/03/2018 às 01:11:00

 

* Raymundo Mello
(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)
Concluo hoje o registro que comecei na 
edição de terça-feira passada (13/03) - 
um texto de meu pai, o 'Memorialista Raymundo Mello', publicado originalmente na edição de 12/06/2002 da antiga "Gazeta de Sergipe", intitulado "Laranjeiras com Santo Amaro e Capela", como uma homenagem a Aracaju pelo seu 163.º aniversário de fundação, celebrado no último sábado (17/03).
Como tanto já se exalta a "modernidade" da cidade, preferi lembrar a "Aracaju romântica", no dizer do notável Memorialista 'Murillo Melins', trazendo para os caros leitores um texto sobre a boemia e as serenatas que aconteciam naquele trecho da rua Laranjeiras, bem no centro de Aracaju, "do final da década de 30 até a primeira metade da década de 50". Hoje, nem de longe, o lugar possui sequer 'traços' de ter sido um ponto artístico-cultural do mais alto nível.
É assim mesmo! Não temos memória! O pouco que se tem registro é o que nos deixam os Memorialistas. Quem sabe, cada leitor consiga "remontar" na imaginação aquele cenário de música e sentimentos...
Sugiro a leitura do artigo da terça passada aos que não o fizeram, para melhor compreensão do texto como um todo. 
Fala, Raymundo Mello!
"Por força da presença do conjunto regional permanentemente naquele trecho e considerando-se que os grandes cartazes da época que por aqui se apresentavam também precisavam ensaiar para suas apresentações, por lá desfilaram astros famosos, pertencentes aos casts das grandes emissoras de rádio, especialmente do Rio de Janeiro e São Paulo (Rádio Nacional, Mayrinque Veiga, Tupy, etc.), tais como Sílvio Caldas, Ciro Monteiro, Odete Amaral, Dupla Joel e Gaúcho, Orlando Silva, Badú, O Trio de Ouro, àquela época formado por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Sérgio, além de Silvino Neto, Floriano Belham (já então um senhor com voz que já nem lembrava o famoso Menino Floriano da inesquecível canção "Mamãezinha está dormindo") e tantos outros.
Para os ensaios também eram atraídos artistas da estirpe de Alfredo Gomes, João Ribeiro do Bonfim, Neuza Paes, Solange Brasil e Santos Mendonça. Este, na amizade com João Mello integrou-se à radiofonia sergipana, vindo a ser, em determinada época, com a sua caravana musical intitulada "O que somos e o quanto valemos", a única garantia de apresentação dos artistas sergipanos em cinemas da cidade (Rex, Vitória e Rio Branco) quando, por injunções políticas, a Rádio Aperipê fechou as portas para os nossos artistas. Mas isso é assunto para outros artigos ou para quando se contar com fidelidade a história do rádio desde os seus primórdios em Sergipe.
Aqui e agora, o assunto é arte: música e poesia na rua Laranjeiras - pois os ensaios eram verdadeiras tertúlias, com direito a penetras e fãs dos artistas. Com o tempo, alguns desses fãs terminaram por aderir ao esquema e um outro grupo surgiu na rua São Cristóvão, revelando artistas do quilate de Macepa, Augusto e o excelente Raimundo Santos - o nosso Raimundo Perelué - que brilhou nas emissoras de rádio da Bahia e de Pernambuco, onde ainda hoje é lembrado.
É fácil saber o que Caetano Veloso quis dizer quando compôs "Sampa" e imortalizou na música brasileira o cruzamento das avenidas Ipiranga e São João: "alguma coisa acontece no meu coração, só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João", é o canto do poeta.
Bem que Aracaju poderia ter algo igual. Quem sabe, um show artístico em pleno calçadão, poetas e cantores prestando uma homenagem "in loco" ao trecho da Laranjeiras com Santo Amaro e Capela, com direito a placa e tudo. (…) recordariam (…) os antigos os bons tempos de outrora e os mais jovens poderiam conhecer um pouco da fase áurea do cancioneiro sergipano.
Fica a sugestão para os órgãos culturais do estado e principalmente do Município de Aracaju, e seria uma homenagem para a "Cidade Menina", como a pintou Ewerton Valadão.
A UNIT (Universidade Tiradentes), em parceria com a Prefeitura Municipal de São Cristóvão, eleita Cidade Seresteira, recentemente [a referência corresponde à época em que o texto foi escrito] homenageou com placas e seresta, músicos, cantores, poetas, artistas em geral e, pela sensibilidade de seus dirigentes, sem dúvida, não se furtará a prestigiar evento de tal envergadura, que se enquadra em seus projetos de integração comunitária.
O trecho e suas memórias aguardam os merecidos reconhecimento e aplausos".
* * *
E.T. - 1) Dedico estes dois artigos, "Música e poesia em Aracaju" ( I ) e ( II ), à talentosa cantora 'Raquel Delmondes', cuja voz e estilo de interpretação muito mereceram o aplauso de meu pai. Raquel está iniciando cuidadosa pesquisa e esboçando o projeto do seu próximo trabalho musical e, para tal, troca ideias com o consagrado Diretor de Teatro, Denys Leão, que dirigiu um dos shows de lançamento do seu segundo CD, "Vem cantar meu samba". Quem sabe, possamos ter, no seu novo trabalho, alguma referência às serenatas da "Laranjeiras com Santo Amaro e Capela". Meu abraço aos dois!
2) É sempre oportuno recomendar a leitura agradável de "seu" Murillo Melins, "Aracaju romântica que vi e vivi", que pode ser encontrado nas livrarias da cidade. Quem lê pela vez primeira, encanta-se; quem volta a ler, redescobre. Muito bom mesmo!
* Raymundo Mello é Memorialista
raymundopmello@yahoo.com.br

* Raymundo Mello(publicação de Raymundinho Mello, seu filho)


Concluo hoje o registro que comecei na  edição de terça-feira passada (13/03) -  um texto de meu pai, o 'Memorialista Raymundo Mello', publicado originalmente na edição de 12/06/2002 da antiga "Gazeta de Sergipe", intitulado "Laranjeiras com Santo Amaro e Capela", como uma homenagem a Aracaju pelo seu 163.º aniversário de fundação, celebrado no último sábado (17/03).
Como tanto já se exalta a "modernidade" da cidade, preferi lembrar a "Aracaju romântica", no dizer do notável Memorialista 'Murillo Melins', trazendo para os caros leitores um texto sobre a boemia e as serenatas que aconteciam naquele trecho da rua Laranjeiras, bem no centro de Aracaju, "do final da década de 30 até a primeira metade da década de 50". Hoje, nem de longe, o lugar possui sequer 'traços' de ter sido um ponto artístico-cultural do mais alto nível.
É assim mesmo! Não temos memória! O pouco que se tem registro é o que nos deixam os Memorialistas. Quem sabe, cada leitor consiga "remontar" na imaginação aquele cenário de música e sentimentos...
Sugiro a leitura do artigo da terça passada aos que não o fizeram, para melhor compreensão do texto como um todo. 
Fala, Raymundo Mello!
"Por força da presença do conjunto regional permanentemente naquele trecho e considerando-se que os grandes cartazes da época que por aqui se apresentavam também precisavam ensaiar para suas apresentações, por lá desfilaram astros famosos, pertencentes aos casts das grandes emissoras de rádio, especialmente do Rio de Janeiro e São Paulo (Rádio Nacional, Mayrinque Veiga, Tupy, etc.), tais como Sílvio Caldas, Ciro Monteiro, Odete Amaral, Dupla Joel e Gaúcho, Orlando Silva, Badú, O Trio de Ouro, àquela época formado por Herivelto Martins, Dalva de Oliveira e Nilo Sérgio, além de Silvino Neto, Floriano Belham (já então um senhor com voz que já nem lembrava o famoso Menino Floriano da inesquecível canção "Mamãezinha está dormindo") e tantos outros.
Para os ensaios também eram atraídos artistas da estirpe de Alfredo Gomes, João Ribeiro do Bonfim, Neuza Paes, Solange Brasil e Santos Mendonça. Este, na amizade com João Mello integrou-se à radiofonia sergipana, vindo a ser, em determinada época, com a sua caravana musical intitulada "O que somos e o quanto valemos", a única garantia de apresentação dos artistas sergipanos em cinemas da cidade (Rex, Vitória e Rio Branco) quando, por injunções políticas, a Rádio Aperipê fechou as portas para os nossos artistas. Mas isso é assunto para outros artigos ou para quando se contar com fidelidade a história do rádio desde os seus primórdios em Sergipe.
Aqui e agora, o assunto é arte: música e poesia na rua Laranjeiras - pois os ensaios eram verdadeiras tertúlias, com direito a penetras e fãs dos artistas. Com o tempo, alguns desses fãs terminaram por aderir ao esquema e um outro grupo surgiu na rua São Cristóvão, revelando artistas do quilate de Macepa, Augusto e o excelente Raimundo Santos - o nosso Raimundo Perelué - que brilhou nas emissoras de rádio da Bahia e de Pernambuco, onde ainda hoje é lembrado.
É fácil saber o que Caetano Veloso quis dizer quando compôs "Sampa" e imortalizou na música brasileira o cruzamento das avenidas Ipiranga e São João: "alguma coisa acontece no meu coração, só quando cruzo a Ipiranga e a avenida São João", é o canto do poeta.
Bem que Aracaju poderia ter algo igual. Quem sabe, um show artístico em pleno calçadão, poetas e cantores prestando uma homenagem "in loco" ao trecho da Laranjeiras com Santo Amaro e Capela, com direito a placa e tudo. (…) recordariam (…) os antigos os bons tempos de outrora e os mais jovens poderiam conhecer um pouco da fase áurea do cancioneiro sergipano.
Fica a sugestão para os órgãos culturais do estado e principalmente do Município de Aracaju, e seria uma homenagem para a "Cidade Menina", como a pintou Ewerton Valadão.
A UNIT (Universidade Tiradentes), em parceria com a Prefeitura Municipal de São Cristóvão, eleita Cidade Seresteira, recentemente [a referência corresponde à época em que o texto foi escrito] homenageou com placas e seresta, músicos, cantores, poetas, artistas em geral e, pela sensibilidade de seus dirigentes, sem dúvida, não se furtará a prestigiar evento de tal envergadura, que se enquadra em seus projetos de integração comunitária.
O trecho e suas memórias aguardam os merecidos reconhecimento e aplausos".
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E.T. - 1) Dedico estes dois artigos, "Música e poesia em Aracaju" ( I ) e ( II ), à talentosa cantora 'Raquel Delmondes', cuja voz e estilo de interpretação muito mereceram o aplauso de meu pai. Raquel está iniciando cuidadosa pesquisa e esboçando o projeto do seu próximo trabalho musical e, para tal, troca ideias com o consagrado Diretor de Teatro, Denys Leão, que dirigiu um dos shows de lançamento do seu segundo CD, "Vem cantar meu samba". Quem sabe, possamos ter, no seu novo trabalho, alguma referência às serenatas da "Laranjeiras com Santo Amaro e Capela". Meu abraço aos dois!
2) É sempre oportuno recomendar a leitura agradável de "seu" Murillo Melins, "Aracaju romântica que vi e vivi", que pode ser encontrado nas livrarias da cidade. Quem lê pela vez primeira, encanta-se; quem volta a ler, redescobre. Muito bom mesmo!
* Raymundo Mello é Memorialistaraymundopmello@yahoo.com.br