'Cão sem Plumas' no Tobias Barreto

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Elegância, raiz e lama evocam um rio sem lembrança de chuva azul.
Elegância, raiz e lama evocam um rio sem lembrança de chuva azul.

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Publicada em 27/03/2018 às 23:41:00

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Certa vez fui a um es-
petáculo de dança. E 
gostei. As coreografias da Cia Deborah Colker prestam um tributo ao corpo, à precisão e à força, atualizando uma linguagem que a maioria imagina parada no tempo. Um espanto. Nunca mais fiz pouco caso das piruetas de seu ninguém.
Acontece que o mesmo Teatro Tobias Barreto, onde se deu a descoberta, volta a servir de palco para as inquietações da bailarina à frente da companhia mineira. E, dessa vez, sob o pretexto da obra monumental assinada pelo poeta João Cabral de Melo Neto. Em Cão sem Plumas, Deborah reúne aspectos de toda a sua carreira. "Cabem a elegância do clássico, a lama das raízes e o olhar contemporâneo. O nome disso é João Cabral de Melo Neto".
Cão sem Plumas - Deborah Colker faz em Cão sem Plumas, baseado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto, seu primeiro espetáculo de temática explicitamente brasileira. Publicado em 1950, o poema acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco. Mostra a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue, de "força invencível e anônima". A imagem do "cão sem plumas" serve para o rio e para as pessoas que vivem no seu entorno.
"O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida", diz Deborah.
A dança se mistura com o cinema. Cenas de um filme realizado por Deborah e pelo pernambucano Cláudio Assis - diretor de longas-metragens como Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato - são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos. As imagens foram registradas em novembro de 2016, quando coreógrafa, cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias do limite entre sertão e agreste até Recife.
Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, Vulcão (1994). 
Os bailarinos se cobrem de lama, alusão às paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro, autor do clássico Geografia da fome, e 'Homens e caranguejos', do cantor e compositor Chico Science.
Para construir um bicho-homem, conceito que é base de toda a coreografia, a artista não se baseou apenas em manifestações que são fortes em Pernambuco, como maracatu e coco. Também se valeu de samba, jogo, kuduro e outras danças populares. "Minha história é uma história de misturas", afirma a autora da coreografia.
Cia Deborah Colker apresenta Cão sem Plumas:
Quinta-feira, 29 de março, às 21 horas, no Teatro Tobias Barreto.

Certa vez fui a um es- petáculo de dança. E  gostei. As coreografias da Cia Deborah Colker prestam um tributo ao corpo, à precisão e à força, atualizando uma linguagem que a maioria imagina parada no tempo. Um espanto. Nunca mais fiz pouco caso das piruetas de seu ninguém.
Acontece que o mesmo Teatro Tobias Barreto, onde se deu a descoberta, volta a servir de palco para as inquietações da bailarina à frente da companhia mineira. E, dessa vez, sob o pretexto da obra monumental assinada pelo poeta João Cabral de Melo Neto. Em Cão sem Plumas, Deborah reúne aspectos de toda a sua carreira. "Cabem a elegância do clássico, a lama das raízes e o olhar contemporâneo. O nome disso é João Cabral de Melo Neto".
Cão sem Plumas - Deborah Colker faz em Cão sem Plumas, baseado no poema homônimo de João Cabral de Melo Neto, seu primeiro espetáculo de temática explicitamente brasileira. Publicado em 1950, o poema acompanha o percurso do rio Capibaribe, que corta boa parte do estado de Pernambuco. Mostra a pobreza da população ribeirinha, o descaso das elites, a vida no mangue, de "força invencível e anônima". A imagem do "cão sem plumas" serve para o rio e para as pessoas que vivem no seu entorno.
"O espetáculo é sobre coisas inconcebíveis, que não deveriam ser permitidas. É contra a ignorância humana. Destruir a natureza, as crianças, o que é cheio de vida", diz Deborah.
A dança se mistura com o cinema. Cenas de um filme realizado por Deborah e pelo pernambucano Cláudio Assis - diretor de longas-metragens como Amarelo Manga, Febre do Rato e Big Jato - são projetadas no fundo do palco e dialogam com os corpos dos 13 bailarinos. As imagens foram registradas em novembro de 2016, quando coreógrafa, cineasta e toda a companhia viajaram durante 24 dias do limite entre sertão e agreste até Recife.
Na trilha sonora original estão mais dois pernambucanos: Jorge Dü Peixe, da banda Nação Zumbi e um dos expoentes do movimento mangue beat, e Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), além do carioca Berna Ceppas, que acompanha Deborah desde o trabalho de estreia, Vulcão (1994). 
Os bailarinos se cobrem de lama, alusão às paisagens que o poema descreve, e seus passos evocam os caranguejos. O animal que vive no mangue está nas ideias do geógrafo Josué de Castro, autor do clássico Geografia da fome, e 'Homens e caranguejos', do cantor e compositor Chico Science.
Para construir um bicho-homem, conceito que é base de toda a coreografia, a artista não se baseou apenas em manifestações que são fortes em Pernambuco, como maracatu e coco. Também se valeu de samba, jogo, kuduro e outras danças populares. "Minha história é uma história de misturas", afirma a autora da coreografia.
Cia Deborah Colker apresenta Cão sem Plumas:
Quinta-feira, 29 de março, às 21 horas, no Teatro Tobias Barreto.