A caravana passa

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Publicada em 29/03/2018 às 05:06:00

 

Segundo um dito popular, os cães 
ladram enquanto a caravana pas-
sa, uma alusão muito clara ao dissenso natural em ambiente de disputas. Os embates partidários e ideológicos deflagrados no Brasil, entretanto, ultrapassaram desde há muito qualquer limite de civilidade. Se os responsáveis pelos disparos contra a comitiva do ex-presidente Lula, em viagem pelo sul do País, não forem rapidamente apontados, fica autorizado o vale-tudo e a resolução de conflitos na bala.
Última terça-feira, três disparos de arma de fogo atingiram os ônibus da caravana do ex-presidente Lula pelos Estados do sul do Brasil, entre os municípios de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no Paraná. As balas danificaram a lataria dos ônibus, mas não atingiram ninguém. A falta de vítimas, no entanto, não serve de consolo. A gravidade do malfeito fere de morte o direito de ir e vir, a liberdade de expressão e, sobretudo, o principal alvo, o exercício político legítimo.
Os "argumentos" dos dissidentes, ambas as partes, já não se materializam em ovos, paus e pedras. A divergência se expressa agora na forma de tiros. A retórica beligerante recentemente adotada por líderes políticos de todas as matizes ideológicas resvala agora na brutalidade dos seus liderados.
A polarização do debate político no Brasil de hoje chegou às raias do absurdo. É certo que os partidos e militantes de todos os matizes e vertentes políticas investiram no acirramento, criando uma cultura de ódio, por meio da simplificação dos discursos defendidos de parte a parte. A transformação do confronto natural e até desejável entre idéias contrárias numa luta do bem contra o mal, no entanto, fica cada vez mais claro para todos, rendeu um caldo amargo de ressentimentos estranhos à convivência democrática - um caldo venenoso, difícil de engolir.

Segundo um dito popular, os cães  ladram enquanto a caravana pas- sa, uma alusão muito clara ao dissenso natural em ambiente de disputas. Os embates partidários e ideológicos deflagrados no Brasil, entretanto, ultrapassaram desde há muito qualquer limite de civilidade. Se os responsáveis pelos disparos contra a comitiva do ex-presidente Lula, em viagem pelo sul do País, não forem rapidamente apontados, fica autorizado o vale-tudo e a resolução de conflitos na bala.
Última terça-feira, três disparos de arma de fogo atingiram os ônibus da caravana do ex-presidente Lula pelos Estados do sul do Brasil, entre os municípios de Quedas do Iguaçu e Laranjeiras do Sul, no Paraná. As balas danificaram a lataria dos ônibus, mas não atingiram ninguém. A falta de vítimas, no entanto, não serve de consolo. A gravidade do malfeito fere de morte o direito de ir e vir, a liberdade de expressão e, sobretudo, o principal alvo, o exercício político legítimo.
Os "argumentos" dos dissidentes, ambas as partes, já não se materializam em ovos, paus e pedras. A divergência se expressa agora na forma de tiros. A retórica beligerante recentemente adotada por líderes políticos de todas as matizes ideológicas resvala agora na brutalidade dos seus liderados.
A polarização do debate político no Brasil de hoje chegou às raias do absurdo. É certo que os partidos e militantes de todos os matizes e vertentes políticas investiram no acirramento, criando uma cultura de ódio, por meio da simplificação dos discursos defendidos de parte a parte. A transformação do confronto natural e até desejável entre idéias contrárias numa luta do bem contra o mal, no entanto, fica cada vez mais claro para todos, rendeu um caldo amargo de ressentimentos estranhos à convivência democrática - um caldo venenoso, difícil de engolir.