Servidores do Cirurgia brigam por salários

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Publicada em 30/03/2018 às 00:19:00

Milton Alves Júnior

Servidores da Funda-ção de Beneficência Hospital de Cirurgia bloquearam na manhã de ontem parte da Rua Dom Bosco, em Aracaju, como forma de protestar pelo não pagamento salarial referente ao mês de fevereiro. Prestes a completar mais um mês de trabalho sem receber os respectivos direitos constitucionais, os profissionais ameaçam suspender os atendimentos por tempo indeterminado. Essa possível paralisação atingirá com exclusividade os sergipanos dependentes do Sistema Único de Saúde (SUS), os quais representam mais de 70% dos serviços prestados pela unidade. Participaram do ato funcionários responsáveis pela higienização do HC, técnicos de enfermagem, enfermeiros e assistentes administrativos.

Conforme cálculos apresentados pela Associação dos Trabalhadores do Hospital de Cirurgia, a difícil situação financeira tem sido enfrentada por cerca de mil servidores. A preocupação por parte dos funcionários gira em torno, também, da incógnita de quando o salário referente a março será devidamente depositado na conta dos trabalhadores. Ao Jornal do Dia, o crítico Cícero Marcones disse que grupos de profissionais já pressionaram a direção hospitalar para que regularizem os débitos, porém até o presente momento as irregularidades seguem provocando uma série de problemas. Em virtude disso, ele reivindica a presença de fiscais do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público Estadual para tentar reparar os conflitos.

"Nós temos conta de água, energia, aluguel, cartão para compra de alimentos, aluguel, enfim, um monte de boletos que não param de chegar e mesmo assim o hospital não quita os nossos direitos. Cumprimos com os nossos deveres, mas o hospital parece não estar nem um pouco preocupado com a situação de centenas de trabalhadores. Daqui a exatamente uma semana completam cinco dias úteis após a data correta para quitação do salário de março, e, sequer fevereiro, já foi pago. Precisamos urgentemente do apoio do MPT e do MPE", disse. No início deste ano, após sucessivas denúncias de mega salários recebidos pelos diretores, o hospital optou por reduzir os vencimentos como forma de tentar melhorar as finanças do HC, e, consequentemente, pagar os salários dos servidores dentro de cada mês trabalhado.

Por intermédio da Assessoria de Imprensa, o Hospital de Cirurgia infornou que tem intensificando os trabalhos administrativos na perspectiva de reparar os problemas salariais o mais breve possível. A unidade filantrópica - segundo maior hospital que presta assistência  aos usuários do SUS em Sergipe, avaliou o movimento como um ato democrático, mas não se pronunciou quanto ao dia de pagamento dos meses de fevereiro e março, tampouco sobre a ameaça de greve unificada e por tempo indeterminado. Na avaliação apresentada pela funcionária Renata Ferreira, essa tem sido a mesma resposta apresentada aos funcionários. Segundo ela, a administração hospitalar não demonstra preocupação com a situação dos funcionários, nem com a saúde dos pacientes.