JB e Marcelo Déda

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Cristo, de J. Inácio
Cristo, de J. Inácio

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Publicada em 30/03/2018 às 00:39:00

Se não houver qualquer novidade de última hora, o governador Jackson Barreto deixa o cargo na próxima sexta-feira (06) para disputar uma das vagas ao Senado. Belivaldo Chagas assume o governo no dia seguinte, em cerimônia na Assembleia Legislativa, e passa a acumular a chefia do Estado com a candidatura a reeleição.

Jackson Barreto assumiu o cargo no final de maio de 2013, após licença do então governador Marcelo Déda para mais uma etapa do tratamento contra o câncer, que acabou provocando a sua morte em dois de dezembro. No período da interinidade, apesar da gravidade da doença de Déda, JB pode tomar poucas iniciativas administrativas. Uma simples mudança na presidência da Codise, no mês seguinte, provocou críticas de Déda, via twitter, e o boicote de setores mais ligados ao PT, como os secretários Oliveira Junior e Sílvio Santos.
Na última quarta-feira, Jackson acabou provocando polêmica ao dizer numa entrevista a Gilmar Carvalho, que parte dos recursos do Proinveste teria sido utilizado para o pagamento de pessoal no governo anterior. Criou uma confusão desnecessária.

O chamado Proinveste, um empréstimo junto a Caixa no valor de 567 milhões, foi aprovado em sete de maio de 2013, depois de ter sido derrotado pelos irmãos Amorim na Assembleia Legislativa no final de 2012. Foi preciso um veemente apelo de Déda, já complemente debilitado, durante uma cerimônia de formatura do Instituto Luciano Barreto Jr., para que as discussões fossem retomadas. Mesmo assim, as obras propostas no projeto original de Déda foram alteradas por posição dos Amorim.

Quando os recursos foram liberados, Déda já havia se licenciado do governo para o tratamento, mas manteve a administração sob controle. Nos quase sete meses de interinidade, JB não podia agir como um administrador de fato, como ficou demonstrado no caso da substituição da diretoria da Codise.
Mas a declaração acabou provocando reações, algumas interesseiras e meramente eleitoreiras, a exemplo da do senador Amorim, que tenta viabilizar a sua candidatura ao governo pela segunda vez. "Para lavar as mãos e jogar para a plateia o desgoverno que comanda, Jackson Barreto não respeita nem o ex-governador Déda, a quem acusou de "falta de gestão", disse o senador, um dos carrascos do Proinveste e do desrespeito a Déda no auge da sua doença.

O deputado federal Valdares Filho (PSB), que era aliado do PT enquanto Déda era o mais popular, e hoje ferrenho de JB também reagiu: "Fiquei surpreso com a acusação feita hoje por JB de que não encontrou em caixa o dinheiro do Proinveste, acusando a falta de gestão do governo Déda. Por que essa denúncia tão grave 4 anos depois, justamente na véspera de uma eleição? É inacreditável que para tentar limpar a imagem do pior governo da história de Sergipe não seja respeitada a memória de um homem público como Déda, que não está mais aqui para se defender"

Para Rogério Carvalho, presidente estadual do PT, "o Proinveste foi o último pedido do governador Marcelo Déda aos parlamentares. Mas não teve tempo de presentear os sergipanos com todas as obras previstas. Quem governa, busca soluções para a população, resolve crises. Está na hora de cada um chamar a responsabilidade pra si!".
Ontem de manhã, foi a vez da vice-prefeita de Aracaju, Eliane Aquino, viúva de Déda, se posicionar através das redes sociais.  Em sua conta do Twitter, Eliane agradeceu pelas manifestações de carinho que tem recebido, sobretudo de respeito à história de Marcelo Déda. "Eu, mais do que ninguém, sei quem foi Marcelo Déda e o quanto até seu último momento de vida ele se preocupou com Sergipe e com a correta administração dos recursos públicos", destacou.
Eliane disse ainda que está perplexa e entristecida com as declarações feitas por Jackson Barreto. "Irei me pronunciar após a Semana Santa, que deve ser um período, sobretudo, de reflexão para todos nós", afirmou.
Certamente, Jackson não quis atacar a memória de Marcelo Déda, um político que faz falta ao Brasil e a Sergipe num momento de tanta crise e instabilidade política e econômica e construiu uma biografia inatacável, mas criou um problema desnecessário. E terá que dar explicações aos próprios aliados, e principalmente à família do ex-governador.

Respeito e admiração
Diante da repercussão da sua entrevista, o governador Jackson Barreto também utilizou as redes sociais para atacar os adversários: "A oposição está usando trechos da minha fala sobre o Proinveste para faturar politicamente  e tentar nos desunir. Não vão conseguir".
E completa: "O respeito, a admiração e o amor que tenho a Marcelo Déda e a sua família são inabaláveis. Nem a oposição vai conseguir cindir isso".

Uso de notícias falsas

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Luiz Fux, decidiu abrir procedimento junto ao Ministério Público Eleitoral para que seja verificada a possível ocorrência de irregularidades apontadas nos estudos realizados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela Universidade de São Paulo (USP) sobre proliferação de notícias falsas na internet, as chamadas fake news (expressão em inglês). Essa é a primeira ação do Tribunal no âmbito das atividades do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, criado em dezembro de 2017. As duas instituições identificaram, em trabalhos autônomos, entidades supostamente produtoras de notícias falsas, inclusive com a utilização de robôs.
"Vamos instaurar um procedimento que será remetido ao Ministério Público, que vai solicitar o auxílio da Polícia Federal para nós verificarmos que tipo de material essas organizações têm à sua disposição", disse o presidente aos jornalistas ao final da sessão plenária de hoje.
A intenção é que o Ministério Público Eleitoral instaure Procedimento Preparatório Eleitoral (PPE) com vistas a reunir informações junto a essas instituições acadêmicas e empresas líderes no segmento de marketing eleitoral citadas nos estudos a fim de apurar a factibilidade da prática de abusos tendentes a distorcer a liberdade de informação e influir artificialmente na tomada de decisão do eleitorado brasileiro nas próximas eleições.
Estudo da FGV apontou o uso de robôs nas eleições de 2014 por três candidatos à Presidência da República. A análise revela indícios de presença de robôs de origem russa na disseminação de material de campanha.
Em outra frente, um levantamento feito pela Associação dos Especialistas em Políticas Públicas de São Paulo (AEPPSP), com base em critérios de um grupo de estudo da USP, identificou os maiores sites de notícias do Brasil que disseminam informações falsas, não-checadas ou boatos pela internet, as chamadas notícias de "pós-verdades".
O presidente do TSE também decidiu convidar a representação brasileira da empresa Cambridge Analytica para prestar esclarecimentos ao Conselho sobre sua atuação no Brasil. Recentemente, a empresa viu-se envolvida em denúncia por fazer uso de dados privados de 50 milhões de usuários do Facebook, sem autorização, para fins políticos durante a campanha presidencial de Donald Trump, em 2016.
O uso notícias falsas gera preocupação para as próximas eleições e o TSE tem mapeado os principais problemas, com ajuda dos membros do Conselho Consultivo sobre Internet e Eleições, formado por representantes da Justiça Eleitoral, Governo Federal, Exército Brasileiro, Polícia Federal, Ministério Público Eleitoral, Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), Comitê Gestor da Internet, além de acadêmicos e representantes da sociedade civil organizada.

PT e PSB
A nível nacional, não está descartada a possibilidade de PT e PSB voltarem a aliar na disputa presidencial, principalmente se a candidatura do ex-presidente Lula conseguir superar os obstáculos jurídicos. Com a situação instável, as eleições presidenciais podem influenciar, e muito, as coligações estaduais.
Rompido com o bloco da oposição ligado a André Moura e Eduardo Amorim, o PSB do senador Valadares e do deputado Valadares Filho têm encontrado interlocutores na cúpula do PT e sonham numa chapa majoritária que contemple os dois nomes do PSB e dois do PT - Valadares Filho governador, Eliane Aquino vice, Valadares pai e Rogério Carvalho candidatos ao Senado.
Contra essa aliança, a ampla rejeição que os Valadares passaram a ter no PT desde a eleição presidencial, quando fizeram a opção em acompanhar a candidatura de Aécio Neves (PSDB). Além dos votos a favor do impeachment que permitiram a ascensão de Temer e a participação no início do governo.

Operação Skala
O dado mais intrigante da Operação Skala, que prendeu três operadores do presidente Michel Temer - José Yunes, o coronel Lima e Wagner Rossi - e dois empresários do setor portuário é a ausência de Rodrigo Rocha Loures, o "homem da mala", que foi filmado, correndo pelas ruas de São Paulo, com uma mala com R$ 500 mil, vinculada ao escândalo dos portos.
O que se comenta em Brasília é, provavelmente, Rodrigo Rocha Loures delatou toda a turma de Temer; outro fato que contribui para essa especulação é a decisão da família de vender a Nutrimental, principal empresa dos Rocha Loures (Com 247).